Platelmintos: Cestódeos, Teníase e Cisticercose


Platyhelminthes Parasitas Classe Cestoda

Características: Os cestódeos caracterizam-se pelo corpo alongado em forma de fita (do grego /cestos = fita e eidos = seme­lhante). Fazem parte dessa classe aproximadamente 2 000 espécies. Apresentam o corpo dividido em três partes:
•   escólex: é uma cabeça diminuta em forma de botão, apresentando ganchos e/ou ventosas para a fixação;
•   colo: corresponde a um pescoço curto;
•   corpo ou estróbilo: consiste em uma série de aproxi­madamente 1 000 anéis ou segmentos.

Platelmintos

Apresentam tamanhos variados, geralmente medin­do de 2 a 8 metros de comprimento, mas já foram encon­tradas espécies de até 20 metros de comprimento. As espécies mais conhecidas são:
•   Taenia solium Lineu, 1758 (tênia do porco);
•   Taenia saginata Goeze, 1782 (tênia do boi);
•   Echinococcus granulosus Rudolphi, 1805 (tênia do cão);
•   Dibothriocephalus latus Lineu, 1758 (tênia do peixe).

Teníase e Cisticercose

A Classe Cestoda diferencia-se das classes Turbellaria e Trematoda pela ausência do sistema digestório. Os vermes dessa classe são hermafroditas e conhecidos popularmente por “solitárias”. Todos os re­presentantes da classe são endoparasitas: quando adul­tos, parasitam o intestino de diversos vertebrados; quando larvas, estão em tecidos de algum hospedeiro in­termediário.

A teníase se caracteriza por apresentar o verme adulto no intestino delgado, onde se fixa e se reproduz. Adquire-se o verme ao comer a carne de porco ou de boi malcozida e contendo as larvas (cisticercos) das tênias (Taenia solium e Taenia saginata, respectiva­mente). As larvas quando ingeridas caem no sistema digestório e evoluem para vermes adultos. Os últimos anéis das tênias são chamados de proglotes grávidos, pois contêm os ovos formados a partir da autofecunda-ção. Esses anéis se desprendem do corpo e são elimi­nados com as fezes do hospedeiro definitivo (HD – ser humano). Quando as fezes contendo os ovos atingem o solo, contaminam a água e os alimentos, que posteri­ormente podem ser ingeridos pelos hospedeiros inter­mediários (Hl – porco e boi).

A cisticercose geralmente ocorre nos hospedeiros intermediários, nos quais os ovos eclodem ao serem in­geridos, e os embriões livres perfuram o intestino e che­gam à circulação sanguínea, pela qual atingem nor­malmente os músculos e formam cápsulas denominadas cisticercos (popularmente conhecidas por “pipoqui-nhas” ou “canjiquinhas”).

Ciclo evolutivo da Taenia solium

Portanto, hospedeiros intermediários apresentam a cisticercose, pois em seu interior estão as larvas cisticercos, enquanto o ser humano, como hospedeiro definitivo, apresenta a teníase, uma vez que contém em seu inte­rior o verme na fase adulta.

Mas o ser humano pode adqui­rir a cisticercose?

Sim, e nesse caso o ser humano se comporta como o hospedeiro in­termediário da doença, que pode ser adquirida por:
heteroinfestação — ingestão dos ovos das tênias contendo as larvas cisticercos;
auto-infestação — quando ocorre rompimento dos proglotes rio interior do intestino, liberando os embriões.

Geralmente, a cisticercose hu­mana se dá pela ingestão de ovos da Taenia solium. A cisticercose humana é uma do­ença grave, pois a larva localiza-se nos músculos, no cérebro, nos olhos e mais raramente no coração, fígado e rins. Nesses locais pode permanecer por 30 anos, causando cegueira, do­res de cabeça, desmaios, convulsões e até mesmo a morte.

Normalmente:
Ser humano (HD) => teníase
Porco ou boi => (Hl) cisticercose

Equinococose (Echinococcus granulo s u s)

A larva hidátide causa a hidatidose no Hl, atingindo principalmente fígado, pulmão e cérebro. Neste último ór­gão, a doença pode se tornar gra­víssima pelo tamanho que o parasita pode atingir (15 a 30 cm), levando o indivíduo à morte. O cão é infestado ao comer as vísceras do carneiro que contenham as larvas hidátides. O ser humano se infesta ao ingerir água ou alimen­tos contaminados pelos ovos elimi­nados com as fezes do cão.
Tanto a equinococose quanto a hidatidose são mais frequentes no Rio Grande do Sul e em países como Uruguai e Argentina, que possuem intensa criação de carnei­ros.

Ciclo evoluído do Echinococcus granulosus

A tênia Echinococcus granulosus é um parasita habitual do cão. É o me­nor cestódeo conhecido, mede de 3 a 5 cm de comprimento e possui apenas três ou quatro proglotes. A verminose causada pela espécie é conhecida por equinococose. O Echinococcus parasita o intestino do cão (HD) e de outros carnívoros. A larva, chamada hidátide, parasita principalmente animais herbívoros (carneiro, principal Hl), podendo também parasitar o boi, o cavalo, o porco

Dibothpiocephalus latus

Agente causador da tênia do pei­xe, trata-se, porém, de uma grande tênia que parasita o intestino delga­do do homem (HD), atingindo de 3 a 12 metros, com 4 000 proglotes. Os proglotes grávidos, eliminados com as fezes do ser humano, contêm ovos. Em contato com a água, os ovos liberam o embrião ciliado cha­mado coracídio, que nada e pode ser ingerido pelo primeiro hospedei­ro intermediário, o microcrustáceo Cyclops, dentro do qual transforma-se na larva procercóide.

Quando o peixe (Hl) ingere o mi­crocrustáceo, a larva procercóide transforma-se em outra larva, cha­mada plerocercóide ou espargano (mais usual), instalando-se na mus­culatura desse segundo hospedeiro intermediário. O ser humano, ao in­gerir o peixe cru contaminado, tor­na-se o hospedeiro definitivo. A larva cai no sistema digestório, origi­nando a tênia adulta, causa intensa anemia, devido à absorção da vita­mina 612. Se o ser humano ingerir aciden­talmente o microcrustáceo Cyclops, poderá ter a mesma esparganose (larva espargano) que o peixe. Nes­se caso o ser humano passa a ser um hospedeiro intermediário.