Preservação e Conservação Ambiental


Embora sejam semelhantes, preservação e conservação possuem conceitos distintos. Ambos são ideologias criadas em meados do século XIX, nos EUA, seguindo uma tendência mundial de proteção à natureza. Para o preservacionismo, o homem é o fator de desequilíbrio da natureza e, para que ela seja protegida, é preciso que não haja aproximação humana. Os mais radicais, além de serem contra a exploração ambiental, também não aceitam o consumo e utilização de recursos naturais mesmo que sejam para pesquisas.

Preservação e Conservação Ambiental

Já o conservadorismo discute a necessidade do homem em interagir com a natureza e acredita que, com racionalização dos recursos e critérios rigorosos de manejo, o homem pode até mesmo ajudar a tornar a natureza protegida.

A Preservação Ambiental

A corrente ideológica da preservação da natureza motivou a criação de inúmeros parques nacionais em diversos países, como tentativa de isolar a natureza do homem e conseguir preservar espécies de fauna e flora, permitindo que a natureza evolua como desejar.

Sem se preocupar com o valor econômico, o preservacionismo acredita na criação de verdadeiros santuários intocáveis, sem nenhum tipo de avanço tecnológico e do progresso. Ele exclui o consumo, a exploração, e até mesmo as pesquisas que podem ferir os princípios básicos que permeiam essa ideologia.

O naturista John Muir é um dos maiores nomes dessa corrente: criou o Sierra Club, em São Francisco, como primeiro grupo de ambientalistas do mundo. Se destacou ao ser contra a criação de um reservatório de água no Parque Nacional de Yosemite. Era 1880 e o projeto de água Hetch Hetchy propunha o represamento do rio e a criação de um reservatório para atender a grande demanda de água que existia em São Francisco. John Muir foi contra desde o início e lutou para manter Hetch Hetchy intocada, mas os argumentos dos conservadores venceram pela escassez crescente de água no local.

Mesmo tendo uma posição radical, principalmente em alguns grupos, a preservação ambiental possui grandes benefícios para a natureza: traz o equilíbrio dos ecossistemas e a manutenção da fauna e flora que cada dia vem sendo mais prejudicada e até dizimada pela devastação.

De fato, a manutenção da vida humana na Terra precisa dessa preservação em caráter de urgência, para evitar que danos catastróficos venham acabar ainda mais com o espaço natural.

Conservação Ambiental

A ideologia da conservação ambiental acredita que seja necessário conservar o meio ambiente e toda a sua biodiversidade, mas permitir que o homem utilize de seus recursos de forma responsável e consciente.

Os valores da natureza são observados pelos conservadoristas, para que sejam utilizados de forma sustentável onde os recursos naturais sejam usados, mas não aniquilados, tendo capacidade de se renovar continuamente num ambiente saudável.

Um dos nomes mais significativos da definição da conservação ambiental foi Gifford Pinchot, líder do movimento de conservação nos Estados Unidos. Ele se opôs à forma como o país estava expandindo seu progresso, sobretudo nas florestas e na remoção de árvores, sem se preocuparem com o reflorestamento. Para Pinchot, a utilização da madeira era importante para o desenvolvimento humano, mas sem o cuidado adequado ela simplesmente deixaria de existir, o que impactaria o futuro da humanidade.

Com a proposta do reflorestamento e de técnicas mais adequadas para derrubar as árvores, era possível manter a floresta viva e todos os seus recursos sendo gerados saudavelmente. Todas as árvores não poderiam ser removidas ao mesmo tempo, o que dizimaria a floresta ou bosque.

Pinchot organizou a fundação do Serviço Florestal dos EUA e conseguiu que o Governo Federal adotasse métodos de conservação em todo gerenciamento de terras, o que melhorou radicalmente a situação ecológica da região.

Em 1940, o cientista Aldo Leopold foi o precursor da Biologia da Conservação, indicando a necessidade do manejo correto da natureza para sua manutenção. A partir desse foco, estudos e ações foram direcionados a utilização coerente dos recursos, inclusive na pesca.

Como princípio dessa corrente está à utilização em menor escala das matérias-primas, o respeito pela biodiversidade e toda sua variedade e necessidade, o apoio irrestrito a políticas ambientais e de áreas de proteção do ecossistema e, claro, a preservação das espécies em extinção.

A conservação ambiental passou a ser vista com a sua importância devida, a partir da compreensão das consequências das ações indiscriminadas do homem. Espécies da fauna e da flora deixaram de existir, florestas foram desmatadas e foram invadidas pelo progresso, além da contínua e violenta poluição da terra, água e ar. Os rios, principalmente os das grandes cidades, ficaram praticamente sem vida e o ar dos centros urbanos causa inúmeras doenças, principalmente respiratórias.

Esse triste quadro começou a ser alterado com o início do debate mundial sobre a conservação da natureza e o posicionamento de grandes líderes para a criação de políticas públicas efetivas visando evitar mais danos.

Com isso, a questão ambiental passou a ser discutida por todos, inclusive nas escolas, como forma de conscientizar toda a população a fazer a sua parte e a lutar para que a natureza fosse respeitada. E termos como “desenvolvimento sustentável” e “sustentabilidade” passaram a ser utilizados até na indústria.