Protocordados e Peixes: Características, Classificação e Sistemas


Protocordados

Subfilo  Urochordata

Do grego oura, cauda, e chordata, portador de noto­corda, os urocordados caracterizam-se por apresentar notocorda apenas na cauda das larvas. Quando adultos, não apresentam cauda nem notocorda. Também são de­nominados tunicados (do grego tunicatu – túnica) pelo fato de os adultos apresentarem um revestimento exter­no secretado pela epiderme, a túnica, que, curiosamente, tem celulose na sua constituição. Os urocordados são representados pelas ascídeas, animais exclusivamente marinhos, filtradores, que vivem fixos a rochas ou algas de grande porte.

Protocordados e Peixes

Subfilo  Cephalochordata

São animais marinhos, com a notocorda bem-desen-volvida, estendendo-se da cauda até a cabeça, e presente no animal durante toda a vida dele. Respiram por brân­quias e a circulação é aberta. São dióicos, realizam fe­cundação externa e apresentam desenvolvimento indire­to. O representante mais conhecido é o Branchiostoma lanceolatum ou anfioxo. Os anfioxos adultos medem de 4 a 8 cm e são muito parecidos com pequenos peixes.

Subfilo Vertebrata ou Craniata

Agrupa os animais com crânio, encéfalo e vértebras. São divididos em:

Superclasse Pisces – desprovidos de patas, aquá­ticos e ectotérmicos.

Classe Ciclostomata – boca circular, sem man­díbula. Lampreia e feiticeira. Classe Chondrichthyes – mandibulados, esque­leto cartilaginoso. Tubarão, raia, etc. Classe Osteichthyes – mandibulados, esqueleto ósseo. Atum, sardinha, etc.

Superclasse Tetrapoda – providos de patas.

Classe Amphibia – fase larval aquática e adul­tos terrestres. Sapo, salamandra, etc. Classe Reptilia – ovíparos de pele seca. Lagar­to, cobra, jacaré, etc.

Classe Aves – membros anteriores transformados em asas, com penas, endotérmicos com postura de ovos. Galinha, pato, pica-pau, pinguim, etc. Classe Mammalia – corpo coberto de pêlos, en­dotérmicos com glândulas mamarias. Homem, baleia, cão, etc.

Superclasse Pisces

Classe Ciclostomata ou Agnata – são os verte­brados mais primitivos, cujos únicos represen­tantes vivos são as lampreias e as feiticeiras ou peixes-bruxas. Não apresentam mandíbula e, por isso, podem ser chamados agnatos (a, não; gna-íos, mandíbulas) ou ciclóstomos (cyklo, circular; stomatos, boca). O corpo é alongado e cilíndri­co, sem escamas nem nadadeiras pares. Vivem em água doce, salgada ou, ainda, enterrados no lodo. Sendo ectoparasitas, aderem-se aos peixes por meio da boca circular e sugam-lhes o san­gue. A caixa craniana e as vértebras são cartila­ginosas. Conservam a notocorda paralela à colu­na vertebral por toda a vida. Por não apresenta­rem a típica coluna vertebral, não são considera­dos vertebrados evoluídos.

Classe Chondrichthyes – o nome Chondri­chthyes (chondros, cartilagem; ichthyos, peixe) reflete a principal característica desses animais, ou seja, a presença de esqueleto formado por te­cido cartilaginoso. A maioria dos representantes é marinha, embora haja alguns de água doce. Os principais peixes cartilaginosos do Brasil são: tu-barão-branco, cação, peixe-serra, peixe-martelo, raia do mar e raia de água doce. As narinas localizam-se ventralmente. Apresentam uma linha lateral que se estende longitudinalmente pelos dois lados do corpo e que tem funções relacionadas com a orientação (olfato).

Os peixes cartilaginosos também são dotados de sensores elétricos, chamados de ampolas de Lorenzini, que contêm eletrorreceptores capazes de captar um campo elétrico. Os olhos não são recobertos por pálpebras. Existem de cinco a sete pares de brânquias, visíveis externamente. Entre os olhos e as fendas bran­quiais, existe um par de orifícios frontais denominados de espiráculos, que servem tanto para a entrada como para a saída de água no momento da respiração.

Podem ser encontrados alguns depósitos de sais de cálcio no esqueleto cartilaginoso. Têm a boca ventral com dentes pontiagudos e iguais entre si. Apresentam mandíbula e uma língua espessa e imóvel, além de nadadeiras pares e mais desenvolvidas e um esqueleto mais bem-estrutura-do. Não existe bexiga natatória.

Os tubarões macho têm um par de nadadeiras ven-trais, com modificações chamadas clásperes, que são empregadas na cópula. Não apresentam estruturas de flu­tuação, como bexiga natatória. Por serem mais densos que a água, nadam constantemente para não afundar. O intestino dos tubarões é curto e, em seu interior, encontra-se uma prega em forma de hélice, denominada de válvula espiral (tiflossole), que é uma área ampliada e disponível para a absorção de nutrientes. O intestino ter­mina em cloaca, uma bolsa que recebe três sistemas: di-gestório, excretor e reprodutor.

Os peixes cartilaginosos são dióicos, realizam fecundação interna e apresentam desenvolvimento direto. Algumas espécies são ovíparas (eliminam os ovos, que se desenvolvem fora do corpo) e outras, ovovivíparas (os ovos se desen­volvem no interior do corpo da fêmea). Existem tubarões vivíparos, cujos embriões desenvolvem-se no corpo materno e se alimentam de substâncias que retiram do sangue da fêmea. Os embriões têm apenas um anexo embrionário, o saco vitelínico.

Classe Osteichthyes – os peixes ósseos são o grupo mais vasto, compreendendo 95% do total de espécies existentes. Habitam todos os tipos de água – doce, salobra, salgada, quente ou fria (embora a maioria seja limitada a temperaturas en­tre 9°C e 11°C) – e medem até l metro de compri­mento. Existem espécies muito pequenas, como certos gobies, com apenas 10 milímetros. Tam­bém existem espécies gigantescas, como o espa­darte, com 3,70 m, e o esturjão, com 3,80 m. Podem viver em grandes altitudes, zonas polares, fontes hidrotermais, charcos com elevada salinidade ou pobres em oxigénio. Muitas espécies migram periodica­mente, seja de local para local, de águas profundas para a superfície, tanto para desovar como para se alimentar.

Características gerais

Esqueleto

O esqueleto é formado por ossos verdadeiros. Ele apresenta três partes principais: coluna vertebral, crânio e raios das barbatanas. O crânio é articulado com as maxilas e mandíbulas, ambas bem-desenvolvidas. A co­luna vertebral não se prolonga através da nadadeira e a cauda é, geralmente, homocerca.

Pele o escamas

A pele cobre todo o corpo, contém numerosas glân­dulas mucosas e está coberta de escamas no tronco e na cauda. Muitos peixes ósseos apresentam escamas, e a maioria destas é do tipo ciclóide. Por meio dessas esca­mas, observa-se o crescimento do peixe, que se caracte­riza por apresentar anéis concêntricos – cada anel claro (de verão) e cada anel escuro (de inverno) corresponde a um ano de idade do peixe.

Sistema nervoso

Existe um sistema nervoso central e um periférico, pouco desenvolvido, constituído de um encéfalo e uma medula espinhal, além de dez pares de nervos cranianos e um par de nervos espinhais para cada segmento do corpo. Apresentam olhos grandes, laterais e sem pálpe­bras, orelha interna – que funciona como órgão de equi­líbrio – e uma linha lateral, que se estende longitudinal­mente pelos dois lados do corpo e tem a função de per­ceber modificações de pressão da água.

Sistema circulatório

Apresentam coração com duas câmaras (átrio e ven­trículo), por onde circula apenas sangue venoso.

Sistema respiratório

Apresenta quatro pares de brânquias, protegidas pelo opérculo (placa que protege as brânquias). Os peixes dip-nóicos ou pulmonados apresentam diferenciações respi­ratórias em que a bexiga natatória exerce a função dos pulmões. A bexiga natatória é um órgão altamente vas-cularizado, que proporciona uma eficiente renovação dos gases pelo sangue ou pelo ar atmosférico, por meio da boca. Sua principal função é servir como um órgão hi­drostático, permitindo que o animal fique parado em qualquer profundidade. O ajuste faz-se por secreção ou absorção dos gases para o sangue.

Reprodução

Geralmente, apresentam sexos separados (dióicos), sendo ovulíparos (portanto com fecundação externa) com desenvolvimento indireto (larva alevino). Algumas espé­cies marinhas produzem enormes quantidades de ovos, pois a maioria destes não sobrevive.