Reino Protista (Algas): Características de cada Filo, Habitat, Função e Reprodução


Reino Protista

A maioria das algas é unicelular, mas existem diversas espécies multicelulares, algumas das quais possuem suas células dispostas em fileiras, formando filamentos. Outras algas multicelulares são mais complexas (talófitas), e seu corpo, forma uma estrutura chamada talo, sendo que este não se diferenciada em raiz, caule e folha. Por serem bastante diversificadas, as algas costumam ser classificadas em seis diferentes filós, tomando como base características como os tipos de pigmentos presentes nos cloroplastos, substância de reserva e composição da parede celular. As talófitas são formadas por três filós principais: Chlorophyta, Rhodophyta, Phaeophyta.

Reino Protista

•            Filo Chlorophyta (Algas verdes): Plantas uni ou multicelulares, nas quais os cromatóforos contêm clorofila a q b, /3-caroteno e várias xantofilas. A parede celular e constituída de celulose. Vivem as algas verdes nos mais diversos habitats. A grande maioria vive em água doce e no mar, existem também mitos representantes terrestres onde vivem no solo, no tronco de árvores, ou sobre paredes rochosas. Algumas espécies vivem em simbiose com fungos (liquens) ou com outros organismos. Acredita-se que as plantas terrestres tenham sido originadas a partir de ancestrais semelhantes ás algas verdes.

•            Filo Rhodophyta (Algas vermelhas): As algas vermelhas são caracterizadas por possuírem nos cromatóforos, além da clorofila a q d, além de ficocianina e ficoeritrina, sendo está ultima responsável pela coloração vermelha da planta. Sua parede celular é constituída por celulose, ágar e carragenina. A maioria das algas vermelhas habita o mar. São relativamente poucos os representantes que vivem em água doce.

•            Filo Phaeophyta (Algas pardas): Os representantes deste grupo possuem como pigmento em seus cromatóforos clorofila a q b, caroteno e fucoxantina, que lhes da à coloração parda. A parede celular é de celulose e alginina. As algas pardas são quase exclusivamente marinhas (exceto por três gêneros bastante raros que vivem em água doce). Ocorrem nos mares de águas frias especialmente, embora alguns gêneros sejam encontrados exclusivamente em águas tropicais.

•            Filo Bacillariophyceae: Constitui um grupo característico de organismos, predominantemente unicelulares de vida livre, ocorrendo, entretanto indivíduos filamentosos ou reunidos em colônias por uma capa de mucilagem. A membrana celular é de pectina, fortemente impregnada com sílica, dividida em duas porções (epiteca e hipoteca) que se encaixa como se fossem as duas partes de uma placa de Petri. A célula contém de dois a mais cromatóforos de cor marrom-dourado. Ocorrem tanto no mar como em água doce.

Filo Euglenophyta: Incluem neste filo algas verdes geralmente unicelulares de vida livre, natantes. As células contêm plastos onde se localizam os pigmentos fotossintéticos, um grande núcleo, com grãos de paramilo em volta, e frequentemente uma mancha oceolar. Não possuem parede celular. Os pigmentos encontrados são: clorofila a e b, /3-caroteno e uma xantofila só existente neste grupo. A movimentação é dada por flagelos.

• Filo Dinophyta (dinoflagelados): Também chamadas de pirrófitas, (pirro = “fogo”) são na maior parte, unicelulares, biflagelados. Os pigmentos encontrados são carotenóides e xantofilas e a parede celular é constituída de celulose ou não há possuem. Ocorrem tanto em água doce como no mar onde são responsáveis pelo fenômeno das marés vermelhas. São algas simples, unicelulares, na maioria planctônicas, que merecem destaque pela importância ecológica, pois são os organismos produtores, constituindo, portanto, a base das cadeias alimentares do rico ecossistema marinho. São responsáveis ainda pela liberação de grandes quantidades de oxigênio na atmosfera, através da fotossíntese.

Euglenófitas

O gênero representativo é Euglena, de célula alongada e bem flexível, dotada de um longo flagelo, vários cloroplastos e parede celular ou película sem celulose. Essa alga vive em charcos e terrenos lamacentos, ricos em matéria orgânica, onde, na ausência de luz, assume nutrição heterótrofa. Através de uma pequena abertura na base do flagelo, pode captar partículas orgânicas, digerindo-as. Nessa mesma região, possui um corpúsculo pigmentar, chamado mancha ocelar ou estigma, de função fotorreceptora. Assim, ela é capaz de perceber variações de intensidade luminosa e ter reações de fototactismo, ou seja, locomover-se no sentido do estímulo (fototactismo positivo) ou em sentido contrário (fototactismo negativo).

As pirrófitas (pirro = “fogo”) são na grande maioria marinhas, planctônicas, de formas variadas. As células têm paredes rígidas de placas bem definidas, formadas por celulose e outras substâncias, e se movimentam por meio do batimento de dois flagelos. Um deles é livre, distendido, e o outro circunda o corpo celular, encaixado em marcados sulcos de placas, dando um movimento de rotação às células. Por isso, outro nome do grupo é dinoflagelados (d/no – “rotação”). Nos plastos ou cromatóforos, além da clorofila existem outros pigmentos, responsáveis pela cor vermelho vivo.

Em certas épocas, nas águas costeiras, pode ocorrer o fenômeno das marés vermelhas, assim chamadas pela exagerada proliferação de algumas espécies de pirrófitas no plâncton. Elas liberam na água altas taxas de fortes toxinas, responsáveis pela morte de peixes, moluscos e outros animais marinhos. Acumulando-se no corpo desses animais que compõem as cadeias alimentares, as toxinas podem chegar ao homem em altas concentrações, causando intoxicações às vezes mortais. Algumas espécies têm bioluminescência, emitindo uma luz “fria”, bem visível nas cristas das ondas em noites de luar.

As crisófitas (criso = “dourado”), também chamadas diatomáceas, são abundantes no plâncton marinho e nos sedimentos do fundo, em águas doces. É incrível a beleza de suas formas geométricas e a variedade de complexos desenhos, em relevo, existem em suas paredes celulares. Essa paredes espessas, endurecidas por forte impregnação de sílica, são compostas de duas metades bem encaixadas e recebem o nome de frústula. Nas espécies de forma circular, elas são exatamente como as duas metades das placas de Petri. Pelo espaço entre as metades pode ser expelida água, o que promove o lento deslocamento da célula. Não há flagelos. No citoplasma, ficam cromatóforos dourados e gotículas de óleo, que funcionam como material de reserva e facilitam a flutuabilidade.

Em algumas regiões, as frústulas depositadas no fundo dos mares durante milênios deram origem a um tipo especial de rocha sedimentar bem leve e porosa, microgranulada, o diatomito. Ele tem largo emprego como material abrasivo para polimento fino, creme dental, lixas especiais, filtros de piscinas e até como mistura para a fabricação de explosivos.

As algas podem ser encontradas em barrancos úmidos e até em cascas de árvores, sendo comuns espécies cor-de-laranja. São, no entanto, predominantemente aquáticas, na maioria marinhas, e podem viver fixas, sobre rochas submersas, ou livres, no fundo do mar ou ainda flutuando. Nestas últimas, os talos possuem muitas vesículas arredondadas, cheias de ar. É o caso de Fucuse Sargassum. Outras algas pardas, dos géneros MacrosystísQ Laminaria, atingem metros de comprimento. Nereocystis, uma das maiores, alcança 100 metros. Nos costões rochosos, na zona das marés, podem ser vistas extensas camadas de algas com talos de cores variadas. Uma das algas verdes mais comuns é Uiva, de talos largos, conhecida como alface-do-mar.

Merecem ainda destaque as algas vermelhas, muitas das quais apresentam incrustrações de calcário nas paredes celulares, o que lhes confere boa resistência ao embate das ondas. Os dois critérios básicos para classificar as algas são o tipo de reprodução e o tipo de pigmento presente nos plastos. Todas as algas sempre contêm clorofila, mas a predominância dela, das xantofilas, ou de outros pigmentos é que determina a cor dos talos nos três grupos.

Reprodução das algas

Reprodução assexuada: A reprodução assexuada ocorre por divisão binária. Nesse processo, a célula divide-se ao meio, originando dois novos indivíduos. Em muitas algas filamentosas, a reprodução ocorre por simples fragmentação dos talos. Os fragmentos se multiplicam originando novos indivíduos. Algumas espécies de algas multicelulares reproduzem-se por zoosporia, processo pelo qual células flageladas assexuadas, chamadas zoósporos, soltam-se do indivíduo que as produziu e nadam até atingir locais favoráveis ao seu desenvolvimento. Quando atingem locais favoráveis eles se fixam a um suporte qualquer e originam, assexuadamente, novos indivíduos.

Reprodução sexuada: Em quase todos os grupos de algas ocorre reprodução sexuada. Quando ocorre o encontro de dois indivíduos sexualmente maduros e de sexos diferentes, eles se fundem e formam um zigoto diplóide. O zigoto logo passa por meiose e origina quatro células haplóides, cada uma das quais se desenvolve em um novo indivíduo. Quando na maturidade ele poderá se reproduzir tanto assexuadamente como sexuadamente.

A maioria das algas multicelulares apresenta alternância de geração, ou seja, em seu ciclo de vida alternam-se gerações de indivíduos haplóides (células com n cromossomos) e diplóides (células com 2n cromossomos). As células reprodutoras das algas são os esporos, flagelados (zoósporos) ou sem flagelos, produzidos em esporângios. Todo esporo pode formar um novo talo, isoladamente, através de muitas mitoses. A reprodução sexuada é feita pelos gametas, produzidos em gametângios.

Na oogamia, o gameta feminino (oosfera) é grande e imóvel, e o gameta masculino (anterozóide) é pequeno, com flagelos e boa motilidade. No gametângio feminino (oogônio), forma-se apenas uma oosfera, enquanto no gametângio masculino (anterídio) são produzidos muitos anterozóides.