Senescência Celular


É normal que o corpo vá sofrendo algumas alterações com o passar dos anos. Quando o ser humano nasce, a estrutura orgânica do corpo apresenta sistemas, aparelhos e funções inteiramente funcionais e sem nenhuma restrição, caso não haja nenhuma anomalia ou disfunção. No entanto, essas atividades vão ficando cada vez mais fracas e sofrendo uma ação de envelhecimento. Essas alterações deixam as funções menos ágeis e nem tão eficazes como numa época em que o indivíduo era mais novo.

Senescência Celular

A mesma coisa acontece com as células. Elas também passam por um envelhecimento que é reconhecido como senescência celular. É um fato comum e que qualquer pessoa vai enfrentar ao atingir uma idade avançada. Há casos em que algumas doenças influenciam num envelhecimento precoce, porém a situação pode ser passível de tratamento.

O que é a senescência celular?

É o período que as células ficam mais velhas e a ação de divisão celular é interrompida. Em casos mais específicos, ainda é possível que a divisão celular aconteça, mas o ritmo é bem mais demorado e fraco do que numa pessoa mais jovem. Como o envelhecimento também afeta algumas funções celulares, esse processo também impede que as reações metabólicas aconteçam e as substâncias acabam não sendo absorvidas e aproveitadas como deveriam.

Contudo, essa transformação possui um período certo para ocorrer. Ela pode variar para cada pessoa, mas costuma ocorrer certamente em fases avançadas da vida. Se o processo ocorre fora desse momento, as chances de acontecer alguma anomalia grave são grandes, uma vez que grande parte do fortalecimento do organismo vem em função da capacidade metabólica das células.

Como ocorre esse processo?

Um dos geneticistas que estudou o período de senescência celular e que apresentou estudos consideráveis sobre como ocorre essa transformação foi Hermann J. Muller. Muller constatou que o envelhecimento acontece quando as células mais velhas do corpo já não conseguem se dividir em virtude dos telômeros. Os telômeros são estruturas presentes na parte final de um cromossomo e que ajudam a proteger o cromossomo de alguma investida ofensiva, seja de uma bactéria, um vírus, uma reação irregular entre outros perigos

Quando essa parte final é acometida, duas situações acontecem para que as células não consigam mais se dividir:

• Os telômeros ficam mais curtos e não conseguem atingir mais uma dimensão proveitosa para fazer a divisão. O crescimento de uma célula normal fica estagnado e seu tamanho fica igual a de uma célula tumoral. Fato é que essa redução é representada várias vezes e o DNA telomérico não consegue reverter a condição;

• Com o tamanho reduzido, os telômeros não se replicam mais, deixando os cromossomos desprotegidos e desorganizados. As chances de uma anomalia como um câncer acometer essas células ficam ainda maiores.

Quando esse envelhecimento acontece, outra transformação também é acarretada. As enzimas beta-gactosidae ficam mais expressivas e se concentram em uma quantidade acima do considerável. O fato de as células não conseguirem mais se dividir e dos cromossomos ficarem desprotegidos influencia num acúmulo de uma isoforma nova de beta-galactosidae com um pH acima de 6,0, que está relacionado ao avanço proporcional do tempo de vida das células.

A princípio, estudos comprovam que a beta-galactosidae possui maior relevância ao perceber o processo de envelhecimento das células, embora o que se avalia é a incidência de SA-beta-gal encontrado nos lisossomos. Essa situação não é um fator que atinge as células mais antigas, mas é algo importante para notar que a enzima encontrada não consegue ser metabolizada e mantida num nível normal.

Mesmo que a SA-beta-gal seja mais fácil de ser notada porque se concentra em maior quantidade, esse sinal pode ser importante para conferir que as células já não conseguem realizar a função metabólica como deveriam. Em situações normais, essa condição não se torna um problema, ao contrário de alguém que apresenta uma célula cancerígena, algo que já apresenta casos específicos:

• A senescência celular para quem está com câncer é representada com uma concentração alta de telomerase, uma enzima endógena que garante que os telômeros continuem crescendo. O problema é que se uma célula é atingida por uma anomalia cancerígena, a telomerase ainda vai agir com sua capacidade regenerativa na célula a ponto dela se multiplicar e atingir quantidades maiores no corpo;

• Outro problema é que a enzima beta-gal não é encontrada nos lisossomos. Isso quer dizer que a falta dessa substância dificulta a verificação de células senescentes no corpo, deixando o câncer atingir qualquer tipo de célula, seja ela mais nova ou mais velha. Como a multiplicação celular vai estar relacionada ao ambiente em que essas estruturas se encontram, a capacidade do câncer se espalhar vai ser ainda maior.

Em todo caso, é importante se avaliar não só a condição e o espaço em que as células se encontram como também o tempo de vida que elas possuem.