Síndrome de Savant


Existem pessoas que, embora possuam uma capacidade cultural e memória formidáveis, não têm inteligência suficiente para coordenar os pensamentos, as ideias e tomar decisões muito bem fundamentadas. São pessoas com uma performance intelectual incrível, capazes de recitar poemas de cor ou então tocar instrumentos com perfeição, fazer cálculos e ainda lembrar de inúmeras informações importantes.

Síndrome de Savant

Contudo, no momento em que são requisitadas para reunir todo este conteúdo e processá-lo em um determinado projeto, aí sua dificuldade fica evidente.

Parece algo difícil de compreender, mas se trata da “Síndrome do Idiota Prodígio”, “Síndrome de Savant” ou, como é popularmente conhecida, “Síndrome do Sábio”. Você certamente já deve ter ouvido falar de um seriado norte-americano chamado “The Big Bang Theory”, no qual um dos físicos, Sheldon, é o mais culto de todos e, portanto, considerado o mais inteligente.

No entanto, suas habilidades se limitam à Física e conceitos teóricos sobre tudo que se possa imaginar. Na história, o personagem não consegue entender a diferença do que seja um fato irônico ou verdadeiro, não distingue o que seja próprio ou não para sua idade, colecionando bonecos e itens de uso infantil por causa de super-heróis, e ainda possui larga dificuldade para se comunicar e se expressar – tanto que se isola do mundo.

Assim é com muitos pseudo-gênios que vivem com esta síndrome. Vamos sair um pouco da ficção, usada apenas para ilustrar o caso, e partir para uma situação verdadeira, pegando como exemplo o americano Leslie Lemke, que quando tinha 14 anos tocou no piano o Concerto nº 1 de Tchaikovsky. Até aí, normal. O inusitado foi o fato de ele ter tocado o concerto com perfeição, sem jamais ter tido aulas de piano e, ainda por cima, após ter escutado apenas uma única vez o concerto em um filme na televisão.

Como se já não fosse surpreendente, Leslie é incapacitado mentalmente, possui paralisia cerebral e é cego.

E este não é o único caso, não. Tony DeBlois é um norte-americano cego, savantista, que nasceu prematuro e acabou cego em razão da falta de oxigênio durante o parto. Contudo, aprendeu a tocar piano com apenas 2 anos, ganhou uma bolsa aos 15 anos para estudar na Berkley College of Music, de Boston, e nesta idade formou-se música com a mais alta distinção do colégio. Detalhe: Sabe mais de 8 mil peças musicais de cabeça.

ONDE A SÍNDROME DE SAVANT É MAIS COMUM?

Geralmente, a probabilidade da doença é maior nos primogênitos, de casais de primos de primeiro grau. Existe, nestes casais, uma incompatibilidade genética por conta de terem “o mesmo sangue”, e que reflete em problemas de maior gravidade. É o caso, por exemplo, de um em cada 10 portadores de autismo.

QUANDO SURGIU O PRIMEIRO CASO?

Foi ainda no século 18 que o psiquiatra Benjamim Rush conheceu um jovem com uma habilidade notória para cálculos. Era Thomas Fuller, que pouco sabia fazer contas.

Décadas mais tarde, já no século XVIII, o médico britânico John Langdon Down, responsável pela descoberta da “Síndrome de Down”, encontrou dentre seus pacientes mais de 10 pessoas que tinham a “Síndrome do Sábio”, ou seja, eram portadores de down, mas com diversas habilidades específicas.

Graças aos estudos iniciais desta época, hoje se tem um histórico vasto na literatura científica de casos onde estas pessoas, mesmo sendo limitadas mentalmente, conseguem desempenhar funções e atividades que um ser humano em sua perfeita condição humana não teria o menor talento para executar.

Sabe-se hoje que tal “Síndrome do Sábio” nada tem a ver com o Quociente de inteligência da pessoa, podendo ser encontrada tanto em pacientes com QI’s entre 40 e 70 quanto em pessoas com QI de até 114.

Embora a medicina e a ciência tenham dado passos significativos quanto às causas e desenvolvimento da Síndrome de Savant, ainda é desconhecida, por exemplo, a procedência da genialidade e habilidade do portador desta Síndrome. Ainda não se sabe como e por que a pessoa com esta doença, embora seja limitada para determinadas atividades tão comuns, consegue desempenhar aquilo que nem mesmo uma pessoa bastante sadia do grupo consegue fazer.

TUDO PODE COMEÇAR COM UM DANO CEREBRAL

Ninguém sabe ao certo como isso ocorre. O que se sabe é que as experiências e estudos se acumulam e muitos deles, realizados no Instituto de Pesquisa do Autismo na Califórnia – EUA, apontam um dano cerebral no hemisfério esquerdo do órgão (responsável pela fala, linguagem, cognitividade) como a possível origem desta aptidão desenvolvida nestes portadores. Nestes casos, o hemisfério direito (que cuida das aptidões com arte, música, cálculos e da memória) tentará compensar o outro lado com maior desempenho.

O Instituto reúne material coletado de mais de 34 mil portadores de autismo. São informações pertinentes a estudos, análises, coleta de informações e demais experiências testadas e aplicadas com cada indivíduo.