Sindrome do duplo y


Diferentemente da Síndrome de Down e de outras síndromes cromossômicas mais graves, a Síndrome do Duplo Y é mais branda, não produzindo anomalias visíveis. Só ataca homens, e muitos dos portadores não apresentam sintomas. Muitos indivíduos do sexo masculino da população possuem a síndrome, mas nem suspeitam.

Sindrome do duplo y

Para entender suas características, devemos nos lembrar da divisão cromossômica dos seres humanos. Todos nós possuímos 46 cromossomos: 23 deles herdados da mãe e 23 herdamos do pai. Além disso, a mulher tem a característica de possuir cromossomos com estrutura XX, enquanto o homem tem a estrutura XY. Na hora do transporte dos cromossomos, é possível que, ao invés de vir um Y, venham dois Y. É assim que o homem fica com 47 cromossomos: os mesmos 23 da mãe e 23 do pai, mas com um Y extra.

É importante notar que o Y é o menor cromossomo de todo o nosso material genético, por ser uma fita bastante curta. Isso significa, evidentemente, que ele possui uma quantidade menor de material genético. Por isso, mesmo quando o homem ganha o cromossomo a mais, ele não causa mudanças significativas.

Mudanças no comportamento

Em toda história humana, percebemos claramente a diferença de comportamento entre homens e mulheres. Na pré-história, por exemplo, os humanos do sexo masculino caçavam e lutavam enquanto os do sexo feminino ficavam em casa cuidando dos filhos. Essa diferença existe por causa de um hormônio masculino fundamental: a testosterona. Também é por causa dela que os homens possuem uma atitude mais agressiva e se expõe mais a riscos.

Dentro do cromossomo Y há um pedaço pequeno de DNA, que é responsável por fazer o hormônio da testosterona. Portanto, se um indivíduo tem dois Y, ou seja, 47 cromossomos, pode acontecer de ele ser mais agressivo, mais alto, mais violento e apresentar comportamento antissocial.

Os primeiros estudiosos propuseram estudos para avaliar a predisposição ao comportamento violento dos portadores da síndrome. A proposta era estudar homens encarcerados, já que eles foram para a prisão por causa desse tipo de comportamento. Era necessário avaliar o grau dessa relação para interpretar as características da maneira certa. Os resultados demonstraram que a relação existe, embora em pequeno grau.

Os estudos também demonstraram a grande possibilidade de os indivíduos serem completamente normais dentro da sociedade, pois a grande maioria deles (cerca de 97%) está fora da cadeia. Nos casos em que a sintomatologia é prejudicial para o indivíduo ou para as pessoas que convivem com ele, é recomendado acompanhamento psicológico ou psico-fármaco para que ele possa viver melhor. Assim, ele pode desempenhar uma função na sociedade normalmente.

Características

A síndrome do duplo Y é uma aneuploidia dos cromossomos sexuais. Também é chamada de Trissomia XYY, Aneuploidia 47, XYY ou Síndrome do Super-Macho. Foi descoberta nos Estados Unidos em 1961 pelo cientista Sandberg, quando ele examinou um paciente de 44 anos com constituição robusta, inteligência mediana e nenhuma anomalia física.

O cientista se deparou com características cromossômicas até então não conhecidas. A célula do homem continha um Y a mais, tendo então um cariótipo 47, XYY. Durante a meiose II paterna, não houve disjunção, o que ocasionou num transporte de poucos genes pelo cromossomo Y. Nos portadores, não há anomalias físicas relevantes nem fenótipo discernível.

No ano de 1965 a síndrome despertou interesse após a publicação dos dados de um estudo em um manicômio criminal. A responsável pelo estudo, Patrícia Jacobs, descobriu que, de 119 doentes mentais, dois eram portadores. Entre 197 pessoas com QI abaixo da média, 7 possuíam a síndrome.

A descoberta da Trissomia XXY chegou aos tribunais em 1968, quando um jovem francês chamado Daniel Hugon foi condenado por homicídio não premeditado. Sua pena foi reduzida ao descobrirem que ele portava a síndrome. No mesmo ano, o homicida L. E. Hannel foi decretado inocente por também possuir um cariótipo um Y suplementar.

A porcentagem de portadores da síndrome entre doentes mentais e delinquentes é de 2 a 3%. No entanto, esse problema não é motivo de preocupação, uma vez que o portador de XYY tem a capacidade de se comportar socialmente como um indivíduo normal.

Em relação à frequência da anomalia, sabe-se que um bebê a cada mil nascimentos nasce portador. É extremamente complicado realizar um prognóstico nos casos, o que ocasiona a incapacidade de avaliação de identificação de um feto XYY em um exame pré-natal.

Normalmente os recém-nascidos não apresentam anormalidades. Só há um aumento leve na ocorrência de malformações. Embora os homens portadores tenham uma grande altura, a estatura e o peso do bebê ficam dentro da média. O crescimento também não apresenta diferenças nos primeiros anos de vida, mas alguns tendem a crescer de maneira veloz a partir de certa idade.

O menino tem alguma dificuldade para se concentrar na leitura e no estudo, e isso pode lhe prejudicar na escola. Por vezes, os seus sintomas são confundidos com hiperatividade. Mais tarde, o desempenho na sociedade pode não ser conforme se espera. Nesses casos, é preciso um acompanhamento educacional e psicológico. Apesar da sexualidade se desenvolver normalmente, a puberdade normalmente acontece com um atraso médio de 6 meses.