Sistema Circulatório Animal e Humano: Coração, Vasos Sanguíneos, Sangue e Vasos Linfáticos


Sistemas circulatórios

O sistema circulatório é um mecanismo próprio para o transporte de alimentos, excretas, gases, hormônios e outras substâncias a diversas regiões do corpo. Ele é for­mado pelo coração, pelos vasos sanguíneos – veias, ar­térias, vênulas, arteríolas, capilares – e pelo sangue. Nos peixes, o sangue passa apenas uma vez pelo coração num circuito simples – circulação simples. Nos anfíbios, répteis, aves e mamíferos, no entanto, o sangue passa duas vezes pelo coração para completar o circuito – circulação dupla. Mas, nos anfíbios e répteis, ela é imcompleta, pois há mistura de sangue arterial e venoso no coração. Nas aves e mamíferos, a circulação é fechada e completa, por não haver nenhuma mistura.

Sistema Circulatório Animal e Humano

Os movimentos do músculo cardíaco (miocárdio) compõem os batimentos cardíacos, os quais são contro­lados por uma região especial do coração. Essa região, denominada nódulo sinoatrial ou marcapasso, localiza-se próxima à junção entre o átrio direito e a veia cava superior, funcionando independentemente do sistema nervoso. O marcapasso envia impulsos elétricos para o feixe de Bachmann, contraindo os átrios. Esses impulsos atingem um outro grupo de células, o nódulo atrioven-tricular, que se ramifica em feixes (feixes de His ou de Branch), formando as fibras de Purkinje, que promovem a contração dos ventrículos.

Sistema cardiovascular humano

O sistema cardiovascular humano compreende o coração, os vasos sanguíneos, o sangue, os vasos linfáticos e a linfa.

Coração

O coração é um órgão musculoso situado no mediastino (meio da caixa torácica), atrás e à esquerda do es­terno. É composto por quatro câmaras – dois átrios (ou aurículas) e dois ventrículos – os quais se comunicam por meio de válvulas que garantem um único sentido na passagem sanguínea (átrio – ventrículo). A válvula tricúspide separa o átrio direito do ventrículo direito e a válvula bicúspide ou mitral, o átrio esquerdo do ventrículo es­querdo. Na comunicação dos ventrículos com as artérias, são as válvulas semilunares que impedem o refluxo do sangue.

Esquema do coração humano. O sangue venoso percorre o lado di­reito do coração (em azul) em direção aos pulmões. O sangue arterial retorna dos pulmões e circula pelo lado esquerdo do coração (em vermelho), em direção às diversas partes do corpo. A função do coração é bombear o sangue para todo o corpo, o que é feito pela contração (sístole) e pelo rela­xamento (diástole) de sua musculatura.

O controle da frequência cardíaca é autônomo. O nódulo sinoatrial ou marcapasso constitui-se de células musculares que são capazes de originar impulsos elétricos. Durante o sono a frequência cardíaca fica entre 35 e 50 batimentos por minuto. Em um exercício físico, pode ultrapassar 180 batimentos por minuto.

Vasos sanguíneos

As artérias são vasos que partem do coração em direção aos órgãos e tecidos, onde encontram-se alta­mente ramificados e passam a ser denominados arteríolas. Apresentam paredes espessas, constituídas inter­namente pelo endotélio e, externamente, pelo tecido con­juntivo. Sua estrutura é assim reforçada para que possa suportar a grande pressão que o sangue exerce logo que parte do coração. Essa pressão é denominada pres­são arterial, que, no momento de sístole, é chamada de pressão sistólica ou máxima, a qual, em um indivíduo adulto e saudável, é de 120 mmHg (milímetros de mercú­rio). Já no momento de diástole, a pressão diminui, pas­sando a 80 mmHg, sendo denominada pressão diastóli-ca ou mínima.

As veias são vasos que chegam ao coração, vindos dos tecidos e órgãos, onde são ramificados, sendo cha­mados de vênulas. Apresentam a mesma constituição das artérias, porém as camadas muscular e conjuntiva são menos espessas, porque o sangue exerce uma pressão menor que nas artérias, pois passa pelos órgãos antes de atingi-las. Para que o sangue retorne ao coração, são necessárias contrações musculares do esqueleto e da res­piração, comprimindo as veias e impulsionando-o. Com o objetivo de evitar o refluxo do sangue, as vei­as de maior calibre apresentam válvulas, garantindo, as­sim, um único sentido na circulação.

A circulação humana apresenta duas fases:
•    pequena circulação ou circulação pulmonar – o sangue venoso parte do coração, pelo ventrículo direito, passa pelas artérias pulmonares e chega aos pulmões para a realização das trocas gasosas, a hematose; o sangue, agora arterial, retorna ao co­ração, chegando ao átrio esquerdo, pelas veias pul­monares, e completando o circuito pulmonar;
•      grande circulação ou circulação sistêmica – a ou­tra fase inicia-se quando o sangue arterial sai do co­ração, pelo ventrículo esquerdo, passando pela arté­ria aorta, e é enviado a todo o corpo, retornando ao coração, no átrio direito, pelas veias cavas inferior e superior, completando o circuito sistêmico.

Os capilares sanguíneos unem as extremidades das arteríolas e vênulas. São vasos de pequeno calibre, que apresentam somente uma camada de células, o endoté-lio. Sua estrutura é perfeita para a passagem de substân­cias, tendo, então, uma porção da parte líquida do san­gue passando para as células, nutrindo-as e oxigenando-as. Estas, por sua vez, eliminam gás carbônico e outras excreções no líquido extravasado, o líquido tissular, que é parcialmente reincorporado ao sangue.

Sangue

O sangue é composto pelo plasma, porção líquida, e ele­mentos figurados. O plasma contém proteínas, sais, nutri­entes, gás carbônico, excreções e hormônios, protege o orga­nismo contra agentes infecciosos e atua na coagulação san­guínea. Entre os elementos figurados, encontram-se hemácias (células vermelhas especializadas no transporte de oxigênio); leucócitos (células brancas especializadas na defesa do organismo) e plaquetas ou trombócitos (fragmentos de células especiais que atuam na coagulação do sangue).

Circulação linfática

Consiste em um sistema cuja finalidade é recolher o exces­so de líquido intersticial – por causa da diferença de pressão hidrostática e osmótica – que sai dos capilares em quantidade superior àquela que volta. O sistema linfático é constituído de vasos linfáticos, estruturas semelhantes às veias, os quais ra­mificam-se, originando pequenos vasos com as mesmas carac­terísticas dos capilares, porém de fundo cego, ou seja, que apresentam extremidades fechadas, denominados capilares lin­fáticos. Estes situam-se entre as células e recolhem o líquido intersticial, que passa a ser chamado de linfa.

A linfa tem praticamente a mesma constituição do san­gue, entretanto há ausência de hemoglobina e a presença de glóbulos brancos (99% de linfócitos). A linfa é transportada através dos capilares linfáticos, que se juntam, originando vasos de maior calibre, os quais convergem para a região torácica, formando dois dutos linfáticos, que desembocam nas veias subclávias, devolvendo o líquido ao sangue.

Antes da finalização desse processo, em determinados pontos, a linfa passa por nódulos linfáticos a fim de ser filtrada, eliminando, dessa forma, corpos estranhos, como vírus e bactérias que ela possa conter. Se aparecem corpos estranhos na linfa, estes são fagocitados pelos linfócitos e macrófagos. Se a substância fagocitada indica a presença de invasores, ocorre uma grande multiplicação de linfóci­tos, provocando o inchamento dos nódulos, formando as ínguas, sendo possível detectar o processo inflamatório pró­ximo a esse local.