Sistema Rh do grupo sanguíneo


Um pouco de história

Para falar deste assunto vamos voltar alguns anos no tempo, mais precisamente até o início do Século XX. Naquela época Karl Landsteiner – um médico da Áustria – e sua equipe descobriam o chamado sistema ABO de grupos sanguíneos. Já na década de 1940 Landsteiner recebe a ajuda de Alex Wiener, outro médico, o qual o auxilia na descoberta também de grupos sanguíneos, mas desta vez na espécie humana, posteriormente tais grupos passam a ser chamados de sistema Rh do grupo sanguíneo. E é sobre isso que iremos aprender agora.

As primeiras experiências

Os primeiros experimentos do austríaco Karl Landsteiner na empreitada que resultou na descoberta dos grupos sanguíneos foram realizados com macacos pertencentes ao gênero Macaca rhesus.

Sistema Rh

As experiências aconteciam da seguinte forma: quando os especialistas injetavam o sangue do macaco rhesus em cobaias uma ação era desencadeada, tal ação nada mais era do que uma extensa produção de anticorpos, os quais tinham por objetivo combater as hemácias que agora estavam no corpo da cobaia devido ao sangue injetado.

Como uma coisa leva a outra estes anticorpos passaram a ser chamados pela equipe do Dr. Landsteiner de anti – Rh. Além disso, outra observação feita pela equipe é que quando os anticorpos entravam em contato com sangue de humanos causavam um fenômeno denominado “aglutinação” das hemácias, isso acontecia em mais de 80% dos casos.

A conclusão dessa história toda é que se as hemácias do sangue humano sofriam aglutinação quando colocadas juntas com o anti-Rh era sinal de que tanto hemácias quanto sangue possuíam um tipo de aglutina que se correspondia. Mas é bom lembrar, isso nem sempre acontecia com todo tipo de sangue humano e para que isso fosse diferenciado ficou assim determinado: Os humanos em que a aglutinação ocorria ficaram denominados de Rh positivo (Rh+), e, aqueles em que isso não acontecia foram chamados de Rh negativo (Rh-).

Para que você possa entender melhor isso tudo significava que as hemácias dos Rh+ possuíam um tipo de antígeno de veras parecido com aquele encontrado no sangue dos macacos. Já os Rh- tinham falta do fator Rh em suas hemácias.

A genética do sistema Rh

R (MAIÚSCULO) e r (minúsculo) são alelos – ou seja, representam formas diferentes de um mesmo gene. São estes alelos que determinam a produção do antígeno responsável por condicionar o Rh.

O R significa que a produção do antígeno está codificada, portanto, ela existe. Já o r não codifica, o que demonstra que o antígeno não existe. Como você pode imaginar o R (MAIÚSCULO) é predominante, ou, dominante, em relação ao alelo r (minúsculo). neste caso foram geradas três tipos de combinações genotípicas diferentes, sendo elas:

Genótipo RR e Rr irão gerar um fenótipo Rh+. Já genótipo RR geram fenótipo Rh-.

Apenas para refrescar sua mente, é válido lembrar que grosso modo o “genótipo” nada mais é do que a constituição genética de toda e qualquer célula responsável pela formação de indivíduos, ou mesmo, organismos. Já o “fenótipo” pode ser descrito como um conjunto de características, ou tipos, físico, fisiológico e mesmo morfológico de determinado organismo.

Mas então, como vou saber se sou Rh+ ou Rh-?

Atualmente testes laboratoriais são extensamente utilizados para este fim, e, para que tal dado seja confirmado basta misturar um pouco de sangue da pessoa que se deseja descobrir, a uma solução com anti-Rh exatamente como a equipe do Dr. Landsteiner fazia. Assim, se as hemácias aglutinarem-se o resultado é Rh+, por outro lado, se as hemácias não aglutinarem-se o sangue é Rh-.

Eritrobastose fetal

O Rh é um dos grandes responsáveis pela eritrobastose fetal, ou, doença hemolítica do recém-nascido (DHRN).

Esta patologia implica na completa destruição das hemácias de um feto, o que pode levá-lo a óbito. Mas, isso só vai acontecer quando a mãe for Rh- e o sangue dela entrar em contato com o sangue Rh+ do bebê.

Mas, você pode estar se perguntando: Quando é que o sangue da mãe entra em contato com o do bebê?

Em geral, isso ocorre durante o parto na ruptura da placenta. Em casos como esse haverá um tipo de sensibilização, momento em que o sangue da mãe começa a produzir anticorpos Rh, mas ele não apenas produz como também cria um tipo de memória. Portanto este processo não é nocivo na primeira gravidez, contudo, se na próxima gestação a mãe não tomar cuidado seus anticorpos atravessam a placenta acabando com as hemácias do feto, e, isso não ocorre somente na hora do parto, mas também posteriormente.

Contudo, felizmente isso já pode ser evitado, basta que a mãe receba uma injeção intravenosa com um tipo de soro que contém o anti – Rh, mas é bom ficar atento, isso deve acontecer logo após o nascimento do primeiro filho. Tal injeção tem como objetivo evitar a sensibilização do sangue e, portanto, os anticorpos Rh não serão sequer produzidos.