Tecidos Cartilaginoso, Tecido Ósseo e Tecido Hematopoiético


Quando nos oceanos o alimento tornou-se escasso, os animais sentiram a necessidade de ocupar as terras emersas. Para isso, tornou-se necessário desenvolver sis­temas de sustentação adequados ao novo habitat. Estudando Zoologia, pode-se perceber as diferentes possibilidades de sistemas de sustentação. Os crustáceos, com seu exoesqueleto de natureza quitinosa, consegui­ram suportar a pressão atmosférica sobre seu corpo; os equinodermatas desenvolveram um endoesqueleto bem estruturado e de natureza mesodérmica, a mesma origem dos sistemas de sustentação dos vertebrados. No filo Chordata, superclasse Pisces, há duas opções importantes de sistemas de sustentação: o cartilaginoso, encontrado nos tubarões (condricthyes) e o ósseo, pre­sente em uma sardinha, por exemplo (osteichtyes).

Tecidos Cartilaginoso

Na histologia humana, existem também duas possi­bilidades de tecidos de sustentação. Ao nascer, a base do esqueleto humano é cartilaginosa e serve de molde para a construção da maioria dos ossos (origem endocondral). Existem pontos com determinadas características que fazem com que o tecido continue sendo cartilaginoso. É o caso, por exemplo, do pavilhão auditivo, das extremi­dades ósseas com função de proteção e da traqueia.

Tecido conjuntivo cartilaginoso

O tecido cartilaginoso difere da maioria dos tecidos con­juntivos, pois tem como característica marcante a ausência de vascularização, de nervos e de vasos linfáticos e apresenta bai­xa atividade metabólica. Além disso, sua nutrição é feita pelo líquido sinovial, que preenche as cavidades das articulações, ou depende do tecido conjuntivo denso não-modelado, denomina­do de pericôndrio (exceto as articulares e as peças fibrosas).
A matriz é formada por macromoléculas de glicosami-noglicanas com colágeno ou colágeno mais elastina não-mineralizada. Os mucopolissacarídeos (glicosaminoglicanas) ligam-se a proteínas, constituindo as proteoglicanas, que dão rigidez, e o colágeno, que confere elasticidade típica a esse tecido de sustentação. A superfície da cartilagem apresen­ta-se ligeiramente lisa, favorecendo o deslizamento.

A matriz do tecido cartilaginoso é secretada pelas células denominadas de condroblastos, as quais têm in­tensa atividade metabólica e mitótica. Com o passar do tempo, os condroblastos tornam-se condrócitos, que se encontram no interior de cavidades, os condroplastos. Os condroclastos são células ricas em lisossomos que digerem e remodelam a matriz cartilaginosa. Existem três tipos de cartilagens: hialina, elástica e fibrosa.

• Cartilagem hialina – tem uma matriz homogênea, com fibras colágenas muito delgadas, e sua função é promover suporte e proteção. É a cartilagem fle­xível modeladora dos ossos que se encontra no nariz, nas paredes das vias respiratórias, no esque­leto fetal e na superfície dos ossos.

• Cartilagem elástica – a cartilagem elástica apre­senta fibras colágenas e em abundância fibras elásticas e sua função é fornecer suporte e flexi­bilidade. Esse tipo de cartilagem está presente no pavilhão auditivo, em porções da laringe e no meato acústico externo.

• Cartilagem fibrosa – a cartilagem fibrosa é rica em fibras colágenas, tem função de suporte e previne a compressão. Constitui os discos inter-vertebrais, a articulação do joelho e a sínfise pubiana.

Tecido conjuntivo ósseo

O tecido conjuntivo ósseo é o que apresenta maior rigidez graças à mineralização da matriz. Por essa razão, é mais eficiente na realização das funções de sustenta­ção e proteção de partes vitais do corpo. As células do tecido ósseo secretam substâncias orgâ­nicas que correspondem a 35% do osso (90% fibras colá­genas e 10% mucopolissacarídeos) e 65% são substâncias inorgânicas, das quais os cristais de fosfato de cálcio são as mais abundantes. As substâncias orgânicas fornecem flexi­bilidade e a porção mineralizada confere resistência.

Há duas possibilidades de ossificação: a endocondral e a intramembranosa. Na ossificação endocondral, o tecido cartilaginoso utilizado normalmente é o hialino, que é substituído gradativamente pelo tecido ósseo. Note-se que o processo é de substituição e não de transformação. A ossificação intramembranosa ou conjuntiva membranosa do tecido conjuntivo embrionário tem por função for­mar os ossos chatos do corpo (ossos do crânio: frontal, parietais, temporais e occipital).

O tecido ósseo é classificado como esponjoso (reticulado) e compacto (denso). O tecido ósseo esponjoso apresenta espaços medulares amplos, com várias trabéculas que lhe dão aspecto poroso. O tecido ósseo compacto não possui espaços medulares, mas é cortado por vários canalículos e canais onde se encontram nervos e vasos sanguíneos, que lhe conferem alta atividade metabólica, sensibilidade e capacidade de regeneração.

O canal central (canal de Havers) percorre o osso no sentido longitudinal e ao seu redor estão as lamelas ósseas, dispostas concentricamente, formando o sis­tema haversiano (sistema de Havers). O ca­nal de Volkmann, presente no osso compac­to, é perfurante, não apresenta lâminas con­cêntricas e está em posição perpendicular ou oblíqua em relação ao eixo maior do osso.

Como todo tecido conjuntivo, o ósseo apresenta os osteoblastos, células jovens ra­mificadas, com alto metabolismo, responsá­veis pela produção da porção orgânica do osso. Durante o processo de calcificação, os osteoblastos ficam aprisionados no interior de lacunas chamadas osteoplastos. Ocorre, então, gradativamente uma redução metabó­lica e os osteoblastos passam a ser designa­dos como osteócitos (células adultas). Os pe­quenos canais deixados pelas ramificações dos osteoblastos permitem a comunicação entre osteócitos vizinhos e favorecem a nu­trição do tecido ósseo.

Existem ainda os os-teoclastos, células grandes, multinucleadas, que se originam dos monócitos (leucócitos agranulócitos). Quando os monócitos aban­donam os capilares sanguíneos, fusionam-se para formar os osteoclastos, cuja função é a reabsorção da matriz óssea desgastada e sua regeneração em processos de cicatrização de fraturas.

Tecido conjuntivo mononuclear fagocitário  (sistema  retículo-endotelial)

Também conhecido como tecido conjuntivo reticular é formado pelo conjunto de células fagocitárias do corpo humano e as principais são os macrófagos, que têm como função englobar substâncias inertes (carvão ou sílica), bac­térias e restos celulares.

Tecido  conjuntivo hematopoietico

Também denominado de hematocitopoiético, esse tecido tem por função produzir células presen­tes no sangue e na linfa. São tecidos hematopoiéticos, o mielóide e o linfóide. O tecido hematopoiético mielóide está localizado na medula óssea vermelha, encontrada no interior do canal medular dos ossos esponjosos. Sua função é produzir eritrócitos, certas variedades de leucócitos e plaquetas. Nas aves que apresentam ossos pneumáticos, a função hematopoiética é realizada pela bolsa de Fabricius.

O tecido hematopoiético linfóide é encontrado isolado nos linfonodos, no baço, no timo, nas tonsilas palatinas (amídalas) e em diversos órgãos do sistema digestório (mucosa intestinal) e nas vias respiratórias. A função desse tecido é produzir leucócitos agranulócitos: monócitos e linfócitos.