Teoria Evolutiva de Darwin: Características, Conceitos e Comparações com Lamarck


Teoria Evolutiva de Darwin

Qualquer espécie pode transmitir a seus descendentes as características desenvolvidas pelo uso ou atrofiadas pelo desuso. Lamarck acreditava que uma espécie, adquirindo ou perdendo características durante gerações, transformava-se em uma nova espécie. Veja como teria se dado a evolução de algumas espécies, segundo Lamarck:

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-> Os ancestrais das cobras teriam tido pernas e corpos curtos, como os lagartos, havendo uma mudança ambiental, que obrigou esses animais a rastejar e a passar constantemente através de estreitas aberturas. Distendendo os corpos e deixando de usar as pernas, teriam se transformado em organismos apodes e de corpo alongado. O surgimento de membranas entre os dedos de patos e gansos teria sido consequência de seu uso para a natação.

-> Aves pernaltas, como as garças, teriam desenvolvido pernas longas, esticando-as para manter o corpo fora da água.

-> A diminuição da intensidade das chuvas em uma região provocaria, nas plantas, necessidade de economia de água. Para evitar a transpiração, as folhas teriam se reduzido a espinhos, enquanto o caule, para conservar água, teria se tornado suculento e verde, substituindo as folhas na fotossíntese.

-> A girafa vive em locais onde o solo é seco e sem vegetação rasteira. Para comer brotos de árvores, a girafa era obrigada a esticar o pescoço e as pernas anteriores. Esse hábito, mantido por prolongados períodos, teria determinado o alongamento do pescoço e das pernas anteriores, que se tornaram mais longas do que as posteriores.

A primeira lei de Lamarck é válida: o uso e o desuso realmente provocam alterações nos organismos. Por exemplo: através de exercícios, os atletas desenvolvem a musculatura; por outro lado, a paralisia das pernas provoca atrofia muscular. A segunda lei é falha: caráter adquirido nunca é transmitido. A teoria de Lamarck envolve uso e desuso e transmissão dos caracteres adquiridos.

Charles Robert Darwin (12 Fev. 1809 – 19 Abril 1882).

O inglês Charles Darwin (1809-1882) publicou em 1859 o livro A origem das espécies, no qual expunha sua explicação para a evolução. Os argumentos de Darwin podem ser sumarizados em três fatos:
-> Em todas as espécies de animais e vegetais a geração produzida é mais numerosa que a de seus pais.
-> Contudo, a maioria das populações é relativamente estável em tamanho.
-> Existe uma grande quantidade de variações entre os organismos, sendo uma parte hereditária.

As duas primeiras observações mostram a existência de competição, ou seja, a luta pela vida. Devido à variabilidade na população, alguns indivíduos têm maior chance de sobrevivência do que outros, que serão eliminados. Esse processo é conhecido como seleção natural. O principal ponto positivo do darwinismo é a existência de seleção natural como fator orientador da evolução. A falha do darwinismo é não explicar a origem das variações.

Segundo Darwin, a seleção natural atua sobre as variações, conservando as favoráveis e eliminando as desfavoráveis para a sobrevivência.
O que você diria: o urso polar é branco porque vive na neve, ou vive na neve porque é branco? O urso polar não se tornou branco porque vive na neve (lamarquismo). Por ser branco e confundir-se com o meio (neve), ele evita predadores e consegue alimento com mais facilidade. Por isso tem maiores chances de sobrevivência na neve (darwinismo). O meio ambiente é um fator evolutivo.
 
Com o surgimento da genética no início do século XX e seu grande desenvolvimento nas primeiras década de 1900 permitiram a reinterpretação da teoria evolucionista de Darwin à luz das novas descobertas sobre hereditariedade. Pelo fato de incorporar os novos conhecimentos de Genética às ideias darwinianas em uma síntese ecolucionária, a moderna teoria evolucionista ficou conhecida como teoria sintética da evolução.

A teoria sintética da evolução, também conhecida por neodarwinismo, considera que a unidade de evolução é a população, que são um grupo de indivíduos entrecruzados da mesma espécie. A matéria prima da evolução é a variabilidade genética observada entre os indivíduos. Esta variabilidade surge através da mutação ao acaso e é preservada pela reprodução sexual e pela recombinação. As populações evoluem por mudanças nas frequências gênicas, que são trazidas pela deriva genética aleatória, fluxo gênico e, especialmente, seleção natural.

Os três primeiros processos determinam as variações que aparecem nos organismos. A seleção natural e o isolamento reprodutivo orientam as variações dos organismos de acordo com as adaptações necessárias à sobrevivência, e a deriva é um caso especial de mudança na frequência de alelos que ocorre em populações pequenas através do tempo, devido ao acaso e não à seleção natural.