Transporte da Seiva Bruta e da Seiva Elaborada


Transporte da seiva bruta

No transporte da seiva bruta, desde as raízes até as folhas, podem estar envolvidos três mecanismos básicos: capilaridade, pressão positiva da raiz e transpiração.

Capilaridade

Transporte da Seiva Bruta

Se um tubo capilar de vidro, aberto nas extremida­des, for inserido verticalmente em um volume de água, o líquido subirá pelo tubo e se posicionará acima do ní­vel da água que está no recipiente. Esse fenômeno é de­nominado de capilaridade e ocorre por causa da interação de forças como adesão, coesão e tensão superficial da água, com a força da gravidade agindo sobre a coluna de água.

A força de adesão é gerada pela atração entre gru­pos polares ao longo da superfície interna do tubo e as moléculas de água, seja no tubo de vidro ou nos elemen­tos traqueais do xilema. À medida que ocorre o fluxo de água ao longo da parede do tubo, as forças de coesão entre as moléculas de água agem, “puxando” o volume de água que se encontra no interior do tubo. Essa subida da água continua até as forças serem balanceadas pela gravidade.

Quanto mais estreito for o tubo, mais alto a água subirá, por causa das forças atrativas da superfície, que são maiores em comparação com a da gravidade. A subida da seiva bruta por capilaridade no xilema é importante apenas para plantas vasculares de pequeno porte, pois nos elementos traqueais de 50 mm de diâme­tro, por exemplo, a água sobe a uma altura total de ape­nas 0,6 m. Portanto, a capilaridade não explica o meca­nismo geral de ascensão da seiva bruta no xilema.

Pressão positiva da raiz

Como os sais minerais são constantemente bombea­dos para o interior do xilema, no cilindro central, esta­belece-se uma diferença de concentração salina, que for­ça a entrada de água por osmose, gerando uma pressão positiva, que empurra a seiva bruta para cima. Acredita-se que, atualmente, a importância da pres­são positiva da raiz é relativamente pequena, pois sabe-se que ela não é verificada em algumas árvores e não seria suficiente para promover a ascensão da seiva bruta com grande deslocamento.

Teoria da Coesao-Tensao

A Teoria da Coesão-Tensão (ou Teoria de Dixon) é a que melhor explica a ascensão da seiva bruta pelos va­sos do xilema. Segundo essa teoria, a água se dispõe nos vasos xi-lemáticos de tal modo que se forma uma coluna líquida contínua, desde as raízes até às folhas. Ao perder água por transpiração, cria-se uma força de sucção, que des­loca a coluna de seiva bruta para cima, como um todo. A coluna de seiva está tensionada pela sucção das folhas e pela força da gravidade, mas não se rompe por causa da coesão existente entre as moléculas de água. Experiências recentes mostram que a tensão criada pela transpiração é suficiente para elevar uma coluna de água pelos vasos do xilema até aproximadamente 160 metros de altura.

Transpiração estomática e transpiração  cuticular

O vapor de água difunde-se dos espaços intercelulares das folhas para fora, por meio dos estômatos. Essa difusão é conhecida como transpiração estomática e é res­ponsável por 90% a 95% da água perdida pelas folhas. A difusão de vapor de água pode ocorrer também por meio das células da epiderme e da cutícula. Trata-se da transpiração cuticular, que pode variar de espécie para espécie ou conforme a espessura da cutícula.
A taxa da transpiração cuticular é pequena, porém constante, e também pode depender da temperatura, da umidade do ar e da ocorrência de ventos.
A transpiração estomática é também influenciada pelo grau de abertura dos estômatos, que depende, por sua vez, da iluminação e da disponibilidade de água.

Transporte da seiva elaborada

A hipótese mais aceita para o transporte da seiva ela­borada através do floema foi proposta pelo botânico ale­mão Ernst Munch, em 1927. Essa hipótese ficou conheci­da como Hipótese do Fluxo por Pressão ou Hipótese do Fluxo de Massa, ou ainda, Hipótese do Desequilíbrio Osmótico. De acordo com essa hipótese, o deslocamento da sei­va elaborada pelo floema resulta de um desequilíbrio os-mótico entre as regiões exportadoras e as consumidoras, com relação às substâncias orgânicas. Nas regiões ex­portadoras há um bombeamento contínuo de substâncias orgânicas solúveis (sacarose, principalmente) para o in­terior dos tubos e células do floema, que se tornam os-moticamente ativos e passam a absorver água. Essa en­trada de água arrasta as moléculas orgânicas em direção às regiões de consumo.

A absorção de substâncias orgânicas pelas células consumidoras promove a diminuição da pressão osmóti-ca dos vasos do floema próximos dali, o que contribui para a manutenção do fluxo da seiva orgânica.

Modelo de Munch

O transporte da seiva elaborada pelos vasos do floe­ma pode ser compreendido por meio de um modelo físi­co, o osmômetro. Nele, um tubo tem suas extremidades conectadas a duas bolsas constituídas por membranas semipermeáveis. Uma delas (A) contém uma solução de glicídios e a outra (B), água pura.

Quando o conjunto é mergulhado em um recipiente com água pura, a bolsa A recebe água por osmose e o líquido em seu interior é forçado a se deslocar em dire­ção à bolsa B, arrastando as moléculas de glicídios. Este modelo permite fazer a seguinte analogia: a bolsa A representa as regiões exportadoras da planta (fo­lhas) e a bolsa B, as regiões de consumo ou reserva (raiz, caule, etc.). O tubo representa os vasos do floema e o canal que comunica os recipientes (X) representa os va­sos do xilema.

No osmômetro, o fluxo de A para B continua até que as concentrações de glicídios se igualem nas duas bol­sas. Na planta viva, isso não ocorre, pois as regiões de consumo utilizam continuamente os glicídios que che­gam até elas, de modo que a concentração de substâncias orgânicas nessa extremidade do floema sempre será me­nor que na extremidade em contato com as células pro­dutoras.