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Saber o que é a filosofia é entender como funciona grande parte das ideias humanas. O significado das coisas e pensamentos, do tempo clássico à era moderna.

O umbigo de Adão e a origem do homem

O nascimento do homem, segundo a tradição judaica, deu-se com a criação de Adão. De acordo com o livro de Gênesis, o primeiro da Bíblia, o primeiro ser humano foi criado por Deus como a sua imagem e semelhança. Durante muitos séculos essa compreensão foi amplamente aceita, principalmente depois do domínio cultural do catolicismo, que segue a tradição judaica.

Resumo sobre Ideologia

Em um sentido mais figurado e amplo, ideologia significa algo que poderia ser – ou já é – ideal. Para fazer sentido, obviamente este termo precisa se encaixar em determinado contexto histórico ou social. Com base nisso, trouxemos neste artigo um resumo sobre ideologia.

Idealismo

O Idealismo é uma das mais importantes correntes filosóficas da modernidade. Muitos estudiosos afirmam que as origens dessa escola de pensamento estão na Grécia Antiga, sobretudo na filosofia de Platão (428/427 a.C. – 348/347 a.C.). Esse pensador afirmava que o mundo tal qual vemos é apenas uma extensão imperfeita do mundo das ideias, cujo estudo é matéria da metafísica.

Filósofo e Matemático Platão

Platão é um dos mais respeitados filósofos da Antiguidade e suas ideias, ainda hoje, influenciam diversos campos do conhecimento. Discípulo de Sócrates e mestre de Aristóteles, seria praticamente impossível tratar da história da filosofia e do pensamento humano sem tocar no nome de Platão. As reflexões platônicas lançaram ideias que serviriam como base para a concepção moderna do mundo. Como, de forma geral, a obra de um pensador tem relações profundas com suas experiências, em um resumo sobre Platão, é importante contar as passagens de sua vida que influenciaram o seu modo de enxergar o mundo.

Ação civil pública

A ação civil pública é o mecanismo processual, antevisto na Constituição Federal Brasileira e em códigos infraconstitucionais, de que podem se equiparar o Ministério Público e demais organizações legitimadas para a proteção de interesses coletivos, difusos e individuais parecidos. De outra forma, a ação civil pública não pode ser usada para a proteção de interesses e direitos puramente disponíveis e privados.

A entidade, apesar de não ser denominada de ação constitucional, tem, de acordo com a lei, um “posição constitucional”, uma vez que a Constituição coloca a sua proposta como papel institucional do Ministério Público, porém sem conceder-lhe exclusividade, uma vez que sua legitimidade é disjuntiva e concorrente com a dos demais colegiados.

Existencialismo

Existencialismo

Toda a essência do existencialismo, uma corrente filosófica difusa, que abrange de pensadores ateus a religiosos, resume-se ao reconhecimento de que a existência precede a essência.

O existencialismo é, praticamente, o pensamento do século XX, surgindo num contexto em que refletiam os esforços filosóficos e sociológicos para compreender e reordenar a sociedade decorrente da expansão do capitalismo, da formação dos estados republicanos, da revolução tecnológica e industrial.

O positivismo de Comte, o marxismo e outras correntes socialistas do século XIX se preocupavam em propor novas formas de ordenar a sociedade humana. O indivíduo, na visão positivista, deveria ser condicionado por rígidos padrões sociais. O existencialismo, ao contrário, propunha que o indivíduo deveria ser condicionado por suas próprias escolhas.

Na visão existencialista, a essência humana é formada a partir das escolhas e experiências do indivíduo. Não existe uma essência prévia. O homem não é essencialmente bom ou mal, mas fruto de suas escolhas. O sentido da existência é perseguir a razão de existir.

Para os existencialistas, o homem é produto de suas escolhas, não podendo atribuir a quaisquer outros fatores a sua sorte. É responsável pelo que faz, não devendo ser condicionado por normas, mas pela sua própria percepção.

A angústia é a matéria prima do existencialismo, na medida em que o indivíduo, ao ser confrontado com esse pensamento, se vê ante a necessidade de abrir mão de todas as suas crenças, daquilo que é preconcebido, das explicações prévias, que lhe suprimem a responsabilidade.

A maior responsabilidade que o homem carrega sobre os ombros é a liberdade, o livre arbítrio. Seria essa liberdade, da qual não pode se livrar, a mais inflexível corrente que o prende à consciência, que é produto da própria moral individual.

Apesar desse aspecto, Kierkegaard, filósofo dinamarquês que viveu na primeira metade do século XIX, considerado pai do existencialismo, é também reconhecido como expoente do existencialismo cristão, na medida em que inclui a relação com Deus entre os caminhos que levam à identificação da condição humana. No entanto, Kierkegaard não exclui o livre-arbítrio e a irredutibilidade da existência humana, tratando-se, pois, de uma visão não essencialmente antropocêntrica, mas de autonomia.

A partir do século XX, surgem grandes nomes do existencialismo, como Martin Heidegger, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Albert Camus, Karl Jaspers e Merleau-Ponty. Friedrich Nietzsche, que morreu em 1900, é um dos ícones do existencialismo no século XIX, na medida em que busca o homem num estado superior de consciência, livre das muletas morais utilizadas para suportar a existência, inclusive, na sua visão, a religião.

Valores existencialistas

Entre os valores existencialistas estão;

– Livre arbítrio;
– Toda decisão tem consequência e é um processo angustiante;
– Responsabilidade pessoal e disciplina são valores indispensáveis;
– O desejo mundano é fútil e superficial;
– A sociedade não é um elemento natural, mas uma estrutura criada com base em regras que arbitram sobre o indivíduo e sua vontade;
– A natureza humana é produto das escolhas.
– As pessoas não são basicamente boas nem más, tampouco são corrompidas pela sociedade ou por forças externas;
– Prazer, riqueza e honra não fazem da vida boa;
– Não há sentido em aceitar as coisas como elas são.

Divisões do Conhecimento Filosófico

conhecimento Filosófico

Divisões do Conhecimento Filosófico.

A Filosofia por muito tempo foi um dos conhecimentos de maior peso nos ensinos médios e superiores ao longo dos tempos e pelo mundo. No ocidente, segundo historiadores, seu ponto de partida foi a Grécia Antiga, surgindo em Mileto durante o século VII a.C. a V a.C. Ela é uma das primeiras formas organizadas do saber humano. Atualmente podemos dividir o conhecimento filosófico em 6 ramos do saber:

1. Metafísica

Nessa divisão da filosofia, o objetivo é a busca da essência ou da natureza específica de todas as coisas. Como o próprio nome diz, é o conhecimento “além da natureza”. Nos estudos metafísicos, o objetivo é ter uma visão ampliada do mundo, em que a realidade seja estudada e entendida em todos os seus aspectos, extrapolando as limitações do entendimento que deriva do mundo sinestésico (dos sentidos).

2. Epistemologia

A epistemologia tem por objetivo estudar as origens, causas e métodos utilizados na busca do conhecimento. Ele ajuda a estabelecer alguns parâmetros para que o homem possa atingir o conhecimento através de um método racional e científico. É uma divisão muito importante do conhecimento filosófico, pois ela permite estudar o próprio conhecimento científico e racional, nesse ramo a preocupação é estudar o saber, como aprender algo e onde aplicar esse saber.

3. Lógica

A palavra lógica deriva de logos, que significa “estudo ou pensamento”. Seu objetivo é estudar a funcionalidade dos métodos de pensamento e diferenciar um pensamento ou método relativo de outro que é exato e lógico. A lógica visa ao pensamento “certo”, estabelecendo padrões para que não haja equívocos e chegue-se à verdade, pois essa é o ponto principal da busca do conhecimento, a busca da verdade.

4. Ética

A ética visa a estudar os princípios que motivam, disciplinam e orientam o comportamento humano em sociedade. Ela também indica os melhores comportamentos para a vivência e convivência do ser humano e procura resolver os dilemas que surgem das motivações humanas. Pode-se afirmar que a ética estuda as normas morais da sociedade, mas não deve ser confundida com a moral. A moral tem mais ligação à obediência às regras, às condutas consideradas adequadas pela sociedade. Já a ética é mais uma distinção entre aquilo que é certo e aquilo que é errado, é uma limitação do próprio indivíduo em suas ações, objetivando sempre a boa vivência entre homem e sociedade.

5. Filosofia Política

É o campo da filosofia que tem por objetivo o estudo das relações humanas como ser político. Tal como afirmava Aristóteles o ser humano é um animal político. Nesse sentido, esse campo do saber filosófico foca na organização estrutural das sociedades. Ela tenta entender e estruturar as formas de governos, buscando estabelecer qual é a melhor maneira de executar a relação entre governo/estado, sociedade e indivíduo.

6. Estética

É o estudo da natureza do que é belo, ou seja, do entendimento e julgamento individual e coletivo diante de um fenômeno estético – o belo – seja esse natural ou criado pelas mãos do ser humano.

Aristóteles e suas divergências com o seu mestre Platão

Aristóteles

Você já deve ter visto muitas vezes as pessoas confrontarem duas visões distintas de mundo, sendo elas a visão realista e a idealista.

Muitos estudiosos de filosofia atribuem a origem dessa dicotomia ao afastamento gradual do pensamento de Aristóteles dos postulados filosóficos de seu mestre Platão.

Pressupõem-se, todavia, que o idealismo seria a negação da realidade. É uma visão equivocada. O propósito da filosofia é explicar o mundo. O que existe em Platão é um estudo consciente de uma lei metafísica que não só explique a razão das coisas como instrumentalize a sociedade e o indivíduo com valores e princípios que deem sentido, dinâmica e organização à vida.

Assim está Platão na origem do Direito moderno, quando, seguindo a tradição socrática, desafia os valores de sua época, refundando a prática a partir da reformulação dos valores. A justiça, sob tal abordagem, torna-se um valor universal, de certo modo, buscando retratar uma lei maior, que estará fortemente presente, mais à frente, no cristianismo.

A inversão da lógica platônica

Aristóteles, na verdade, não renega o idealismo, pois isso seria, de certo modo, negar à filosofia a possibilidade de transformar a sociedade a partir do pensamento. O que afasta – se é que se pode dizer assim – Aristóteles de Platão é a inversão da lógica platônica, com a adoção do foco na realidade para explicar e transformar a própria realidade.

Marx e Engels, já no século XIX, aprofundam, dentro de uma realidade bem mais complexa, o modelo do estudo das profundezas da sociedade e do indivíduo, da forma como essas forças interagem na construção da realidade, de modo a poder propor novos modelos e valores.

É importante essa abordagem do pensamento de Marx e Engels porque ela radicaliza, em sua visão materialista, o ponto de divergência entre Platão e Aristóteles. Enquanto Platão concebia duas realidades paralelas, uma real e uma ideal, Aristóteles suprimiu a realidade ideal, que, na visão de Platão, é imutável, ao contrário da sociedade humana e do mundo, em si, que está em constante processo de mudança.

Essa ruptura entre o pensamento do mestre e do discípulo cria uma espécie de bifurcação histórica, criando dois caminhos para tentar chegar ao mesmo lugar, que é a estruturação moral da sociedade e do indivíduo.

Sócrates e Platão: Relação Discípulo x Pensador

Sócrates e Platão

O principal legado de Sócrates é colocar o homem como centro da investigação filosófica, no que foi seguido por seu discípulo, Platão, responsável por transmitir suas ideias por meio de manuscritos e em suas aulas na Academia, espaço idealizado por ele próprio para a disseminação do conhecimento filosófico.

Sócrates nasceu em Atenas no ano de 469 a.C. Morreu, obrigado a beber a cicuta, acusado de afrontar as crenças, costumes e mesmo as divindades então aceitas. Teria o filósofo tentado introduzir novas divindades e corromper a juventude com suas ideias.

Sócrates foi o pai do debate sobre ética e virtude, da relação do indivíduo com o Estado, da fisiologia desse último e da construção de modelos políticos capazes de promover o bem-estar. Não obstante, há teses segundo as quais a condenação de Sócrates está relacionada à sua defesa de ideais não democráticos, que pregavam a divisão da sociedade em castas, com predominância de uma classe dominante, que teria total controle sobre todos os cidadãos.

Reconhecido como o precursor dos grandes filósofos, Sócrates sempre enfatizou que a principal verdade a ser reconhecida pelo sábio é a sua própria ignorância. Nos diálogos descritos por Platão, Sócrates desconstrói valores e conceitos por meio de perguntas que seus discípulos não conseguem responder, restando demonstrada a fragilidade de tais crenças.

Platão, o discípulo

Platão viveu entre 428 a.C e 348 a.C. Sua obra manuscrita é dividida entre a reprodução do pensamento do mestre Sócrates e a sua própria produção filosófica.

Os diálogos foram a técnica de transmissão dos ensinamentos platônicos. Platão deu um toque pessoal ao modelo de sociedade defendido por Sócrates. Em Platão, a classe dominante deveria ser formada por filósofos, únicos capazes de promover a justiça e a verdade, dois paradigmas a serem perseguidos pelo homem na visão da moral platônica.

A verdade e a justiça são as verdadeiras virtudes, mas só é possível percebê-las, na visão de Platão, por meio do afastamento do indivíduo dos sentidos e dos próprios preconceitos. O mundo real não é, na visão de Platão, aquele que é percebido pelo senso comum.

Esse raciocínio está descrito na alegoria da caverna, em que os prisioneiros são capazes de perceber apenas as suas impressões do que ocorre lá fora, que é o real. São influenciados, ao contrário, pela luz e pela posição que ocupam, de frente para o fundo da caverna, onde se refletem os movimentos exteriores. O filósofo é aquele que escapa para ver a realidade como é de fato e poder, com isso, orientar os demais.

Mito: o que é, pensamento mítico e mitos atuais

Mito

O mito é um fenômeno típico da sociedade humana, que existe desde seus primórdios. De um modo geral, o mito é produto da necessidade humana de explicar e ordenar o desconhecido e os fenômenos da natureza.

O mito é oposto da ciência, uma vez que se alimenta unicamente da crença, enquanto a ciência só pode ser validada pelo processo que abrange suspeita, evidência e comprovação.

A mitologia está fortemente presente nas primeiras grandes civilizações da humanidade, com destaque para a civilização grega, que desenvolveu uma rica experiência criativa, em que o real e o mitológico se misturavam e homens e deuses viviam as mesmas experiências.

A mitologia é, na verdade, o estudo do mito, a busca de identificar as suas origens e os seus significados dentro do espectro das diversas culturas, como interfere no modo de pensar dessas sociedades e como é influenciado pela visão da mesma.

O pensamento mítico, como já referido, é aquele que se contrapõe ao pensamento científico, pois não requer comprovação. Ainda assim, até mesmo nas sociedades contemporâneas, o mito se impõe como ferramenta de poder, enquanto forma determinada de fora para dentro de interpretar a realidade. Ao mesmo tempo, nas sociedades antigas, o pensamento mítico está presente como elemento de organização da sociedade. Através da crença, as sociedades se organizam, encontram paradigmas a serem seguidos e justificativas para as suas próprias estruturas de ordenamento.

Mitos atuais

O mito é uma crença sem fundamento. A era da informação, por incrível que possa parecer, é também uma era de disseminação dos mitos. Hoje, o mito perdeu força no papel de ordenador do pensamento e da sociedade. Esse fenômeno é decorrente do avanço da ciência como fonte de conhecimento e explicação dos diversos aspectos da vida, da natureza e do ser humano.

Não obstante, os mitos sobrevivem como crendices, como invenções inocentes e mal intencionadas. As redes sociais são o veículo da disseminação dos mitos atuais, porém, muitos mitos antigos seguem povoando a sociedade humana. Há, por exemplo, quem ainda acredite que a Terra é plana e que leite com manga faz mal à saúde.

Filosofia: O que é e períodos filosóficos clássicos

Filosofia

Filosofia significa amizade à sabedoria. A amizade, “philia”, representa, na cultura grega, uma das muitas formas de amor. Simboliza afeição e lealdade.

A sabedoria é, portanto, a essência do pensamento filosófico, a realidade representa a matéria-prima, e o pensamento, o combustível.

O filósofo é aquele que tem apreço à sabedoria e dedica a ela a sua vida. A sabedoria é a capacidade de responder às perguntas, das mais simples àquelas que atormentam a alma humana. O filósofo deve ser, portanto, um guia, aquele capaz de orientar os demais.

Para chegar ao conhecimento e à sabedoria, o filósofo precisa apresentar três características: interesse, curiosidade e reflexão. Entre as várias correntes filosóficas que se sucederam ao longo da história humana, há aquelas que pregam a necessidade de se conhecer e estabelecer a verdade sobre as coisas às que negam a possibilidade desse conhecimento, como é o caso do ceticismo.

Essa característica torna a filosofia um processo dinâmico, que se não estabelece uma única verdade sobre as coisas, estende pontes entre a humanidade e a compreensão das coisas que a cercam.

Períodos filosóficos clássicos

Foram quatro os períodos filosóficos clássicos, tendo como ambiente a Grécia Antiga: cosmológico, socrático, sistemático e helenístico.

O período cosmológico é marcado pela obsessão humana de tentar explicar a origem das coisas e a razão da existência.

O segundo período, que é aquele em que Sócrates e Platão surgem como expoentes, é voltado para a o homem e para a sociedade humana. Sócrates tenta explicar as razões da condição humana e estabelecer padrões morais para o indivíduo e para a sociedade.

O período sistemático, datado dos séculos IV e III a.C tem em Aristóteles seu maior representante. Aristóteles tentou sistematizar o conhecimento até então acumulado no âmbito da filosófica, conferindo-lhe um caráter científico.

O período helenístico, ou grego-romano, se estendeu do século III a.C. ao século VI d.C. Foi marcada pela busca da harmonia interior do ser e de uma formação moral que se enquadrasse na visão de bem. Entre os grupos filosóficos daquele período destacam-se os epicuristas, os estoicos e os neoplatônicos.

Indústria Cultural

Indústria

O termo “indústria cultural” tem sua origem na primeira metade do século XX, pelas mãos de Max Horkheimer e Theodor Adorno, intelectuais da Escola de Frankfurt, na Alemanha. O principal documento acerca desse fenômeno do século XX é o livro “Dialética do Esclarecimento: Fragmenots Filosóficos”, de 1947, publicado por Adorno.

A indústria cultural é a apropriação da cultura pela dinâmica capitalista. No início do século XX, o mundo vivia intensamente a expansão das formas de produção e o avanço da tecnologia. Nesse contexto, a cultura passa a ser vista como um produto, um bem de consumo.

Como tal, os bens culturais passam a ser vistos como comercializáveis. Logo, desenvolve-se a perspectiva do lucro e a visão de indústria cultural. As manifestações culturais (música, teatro, literatura, etc.) não perdem a sua originalidade, mas conquistam novos canais para chegar ao grande público. É o caso do cinema.

O cinema se desenvolve desde o início do século XX e é o símbolo dessa nova visão de cultura. Os filmes são idealizados para grandes plateias. As produções demandam altos investimento, tendo a perspectiva de grandes lucros como contrapartida.

Rádio, televisão e internet

O curso do século XX foi marcado pela expansão dos meios de comunicação. O rádio dominou a cena durante muitas décadas, tendo que dividir espaço com a televisão, que se popularizou nas décadas finais do século XX.

A indústria cultural soube aliar a força dos meios de comunicação e a produção de bens culturais, com destaque para a música. Já no século XXI, a internet ganha força e cada vez mais ocupa espaço como fonte de disseminação dos produtos culturais. A partir da internet, inclusive, muitos artistas e disseminadores da cultura se tornam verdadeiros produtores, mesmo com baixíssimo investimento, o que não era possível com os meios de comunicação tradicionais.

Dilema

Se, de um lado, a indústria cultural dissemina os produtos culturais para uma parcela cada vez maior da população, de forma cada vez mais globalizada e integrada, de outro, é recorrente a crítica à perda de qualidade da produção cultural, cada vez mais voltada para atender a grandes massas.

Na visão dos críticos, tal massificação faz com que a arte, principalmente, se distancie de sua essência, metamorfoseando-se em produtos simplificados, de fácil digestão, que tenham valor para essas massas menos refinadas.

Por outro lado, há teóricos que veem um lado positivo da industrialização da cultura, na medida em que tal fenômeno cria canais de apropriação dos valores culturais e artísticos pela massa consumidora, que poderá, com o tempo, se tornar mais exigente e buscar produtos mais refinados.

Questão Filosófica da Arte, Movimentos Artísticos e Vanguardas Brasileiras

Questão Filosófica da Arte

Não seria nenhuma excentricidade dizer que a arte é o elemento que mais se aproxima da filosofia enquanto abordagem generalista das diversas realidades humanas.

Quando falamos em “diversas realidades humanas”, nos referimos à realidade social, à realidade aceita, ao mito, ao indivíduo e todas as conexões do homem consigo mesmo, com Deus e com o meio.

Esse conjunto de realidades é a matéria da filosofia, que busca interpretar e ordenar as coisas, entregando à sociedade humana sistemas de pensamento e orientação para a realização de ajustes em suas próprias estruturas.

A arte não tem, necessariamente, o compromisso de transformar a sociedade, tampouco precisa explicar as diversas realidades humanas. Tem, ao contrário, o propósito de retratar, reproduzir, criticar e, claro, em alguns casos, transformar, algumas vezes ordenando, outras desordenando.

O olhar da arte é sempre crítico, o que o aproxima da filosofia. Não há filosofia sem o pensamento crítico, sem a dúvida. Os movimentos artísticos, por sua vez, estão profundamente ligados aos movimentos filosóficos, como comprova a relação do iluminismo com o neoclassicismo, do positivismo com o naturalismo.

Ao mesmo tempo, a arte se oferece à filosofia como objeto de análise e compreensão das diversas realidades, enquanto a filosofia se oferece à arte como fonte de inspiração.

Modernismo e herança filosófica

Ao contrário da associação natural entre o neoclassicismo e o iluminismo, bem como entre o naturalismo nas artes e o positivismo, não é possível encontrar uma ligação entre o modernismo brasileiro, principal movimento de vanguarda artística da história do país, e um marco filosófico.

Não obstante, pode-se considerar que os movimentos filosóficos do século XVIII e XIX, incluindo o marxismo, são pontos de construção de uma realidade favorável aos movimentos vanguardistas mais radicais, como foi o Movimento Modernista Brasileiro, que pregou a ruptura com os rigores formais então aceitos. O verdadeiro caráter vanguardista está, todavia, na criação de uma identidade estética e artística brasileira, a partir da exploração do tema nacional e da criação de uma linguagem própria.

Conceitos Filosóficos de Arthur Schopenhauer e Friedrich Nietzsche

Arthur Schopenhauer e Friedrich Nietzsche

Arthur Schopenhauer e Friedrich Nietzsche foram importantes filósofos do século XIX. O primeiro ficou conhecido pela forte crítica que teceu contra os pensamentos de Hegel, outro importante estudioso. Ele acreditava que as ideias de Hegel tinham se tornados oficiais, mas que, em seu ponto de vista, apenas refletiam os interesses pessoais deste autor. O segundo se notabilizou, sobretudo, pela criação de uma filosofia que se colocava contra os preceitos da religião. Defendia importantes conceitos, que são, até hoje, objetos de estudos para muitos pensadores. A seguir, conheça melhor os principais conceitos desses autores!

Friedrich Nietzsche

A moral

A moral é vista por Nietzsche como uma valoração de algo, daquilo que constitui o homem e o faz viver segundo determinados padrões ou modelos. É o ponto para o qual as ações do homem se direcionam, afirma o pensador.

O niilismo

O niilismo talvez seja um dos conceitos mais importantes de Nietzsche. Para este, o niilismo é um processo pelo qual um homem passa ao se relacionar com a moral, sobretudo. Para o pensador, o homem nega a sua vida para crer em um além-vida, que passa a regrar a sua existência a partir de seus primeiros anos de vida.

A genealogia

Para Nietzsche, a genealogia é a filosófica histórica. Na verdade, o autor a criou como uma fuga das correntes de pensamento que existiam na época. Essa concepção de filosofia histórica não pretendia se tornar oficial, mas apenas definir as leis de desenvolvimento a partir da vontade de potênciaforça que conduz os desejos dos homens.

A morte de Deus

Em poucas palavras, Friedrich Nietzsche acreditava que a morte de Deus se dava não de modo fático, tal como Jesus foi crucificado na cruz, conforme a bíblia, mas de modo simbólico: a morte de Deus se dava de um jeito específico, a de se pensar dessa maneira.

Arthur Schopenhauer

Vontade e representação

Arthur Schopenhauer observa a vontade como a força que move as nossas ações, fazendo com que possamos criar representações. A representação pode ser entendida como a visualização mental da coisa em si, ação que é mobilizada pela vontade — pelo desejo de ver a coisa.

Ética da compaixão

Apesar de beber grande quantidade das ideias de Kant, importante filósofo prussiano, Arthur Schopenhauer ao definir a sua ética de compaixão se aproxima da doutrina cristã, a qual defende que somos seres que possuímos amor e compaixão, no sentido geral.

Polêmica moral na modernidade

Polêmica moral

O Bushidô é o código de honra dos samurais. Para quem tem dúvidas, os samurais eram guerreiros do Japão feudal, que tinham como principais características a força, a disciplina e a lealdade ao Bushidô, que era composto de 7 princípios.

Os 7 princípios do Bushidô eram:

– justiça;
– coragem;
– compaixão;
– respeito;
– honestidade;
– honra;
– lealdade.

Cada um desses princípios pode ser explicado, assimilado e aplicado com simplicidade. É um exemplo de que o código moral deve ser simples. Um outro aspecto do Bushidô é que todos os princípios são claros, não há dúvidas sobre como proceder para se enquadrar neles.

A clareza e simplicidade dos códigos morais é um ponto. O outro é a complexidade do meio. Os samurais viviam em aldeias, num tipo de configuração social não dotada de complexidade. Estamos falando, afinal, do Japão medieval, terreno onde há pouca ou nenhuma mobilidade cultural, histórica e tecnológica. Totalmente diferente do mundo experimentado na modernidade.

Iluminismo, Revolução Industrial e Moral na Modernidade

A sociedade europeia do século XVIII já era dotada de complexidade. Os rígidos padrões da Igreja Católica, que deram origem aos não menos rígidos princípios do protestantismo, eram confrontados pelos ares do renascimento, impondo uma revisão desses padrões.

Ao se impor aos dogmas, a razão provoca a necessidade de readequação dos padrões morais aceitos culturalmente. Ao mesmo tempo, a forma como se estruturava a sociedade dos privilégios e a lógica mercantilista do poder absolutista eram passíveis de questionamento.

Os movimentos que se seguiram na sociedade europeia, transpondo suas fronteiras e chegando ao continente americano, são produtos da combinação de duas poderosas variáveis históricas: o Iluminismo e a Revolução Industrial.

O Iluminismo rompe com tudo que acreditava até então no âmbito dos parâmetros de constituição da sociedade humana. A Revolução Industrial, por sua vez, muda toda a geografia econômica da sociedade, criando novas classes e formas de relação. Esses dois aspectos não são a origem da moral difusa. Os questionamentos morais datam da antiguidade e estão presentes no embate teórico entre socráticos e sofistas na Grécia antiga. Nada que se pudesse comparar com a diversidade que se ampliou vertiginosamente, sobretudo a partir do século XX.

Em dias de globalização, as diversas sociedades trocam visões e ensinamentos. Durante a Copa do Mundo do Brasil causou espanto o comportamento dos torcedores japoneses limpando a sujeira dos estádios após as partidas, por exemplo. Trata-se de um traço cultural de um povo, mas a gênese desse comportamento é moral.

O debate dos valores morais causa polêmica e não poderia ser diferente, sobretudo porque os valores na modernidade são voláteis, influenciados pela massificação de ideias e princípios diversos e antagônicos. Num condomínio de 100 pessoas, é possível que para a mesma situação haja dez visões diferentes do que é certo.

O que é imoral para uns, é plenamente aceitável para outros. Tais antagonismos são geradores de conflitos das mais variadas proporções. Nesse aspecto, parece ser a única saída a representação política da coletividade, no sentido de garantir a convivência, apesar dos conflitos.

Rumos da estética e novo conceito de Mímese

Mímese

No sentido filosófico, a Estética é o estudo da relação entre a arte, o belo e a sensibilidade humana. Quando estão presentes esses fatores, temos o que chamamos de experiência. Logo, trazendo essa lógica para uma abordagem artística, devemos concluir que a arte produz uma experiência e o que condiciona essa experiência é a estética, que inclui o tema apresentado e a forma como ele se apresenta.

Há um outro aspecto que deve ser considerado nessa experiência, que é o conjunto de valores consolidados na mente do indivíduo. Esse conjunto de valores influenciará na percepção da arte, gerando múltiplas percepções da mesma manifestação artística, que podem levar da indiferença ao êxtase.

A Estética como ciência é um fenômeno bem mais recente, datado de meados do século XVIII, quando Baumgarten escreveu “Aesthetica”, que ampliou o conceito, incluindo a análise da formação da percepção e da experiência artística.

Tendências

Na visão de Aristóteles, a mimese presente na arte tinha papel preponderante na formação do indivíduo e construção da sociedade. Enquanto representação da vida, a arte permitia ao indivíduo olhar a realidade e a si próprio de modo crítico, o que contribuiria para uma formação moral autodeterminada, com base na experiência da arte.

A visão aristotélica do papel da mimese se encontra com o conceito de “Filosofia da arte”, de Baumgarten, na arte contemporânea, que tem suas raízes no Renascimento, quando o pensamento clássico é resgatado.

Ao mesmo tempo em que é sensato reconhecer o papel revelador e transformador da arte, é preciso aceitar que essa relação de percepção é dinâmica e difusa, orientada pela diversidade de indivíduos, dotados de valores e, consequentemente, percepções diferentes.

Nos tempos atuais, é preciso considerar os avanços da ciência no estudo do funcionamento do cérebro humano, da psicologia e da neurociência, como parte da investigação das formas como a mimese pode ser percebida e quais fatores constituintes da integralidade funcionam como condicionadores dessa percepção.

Conceito de Belo para Kant e Hegel

Belo para Kant e Hegel

A filosofia traz discussões acerca de diversos assuntos que permeiam a nossa vida em sociedade. Os conceitos aliados ao estético, ou beleza, das coisas está inserido nesse conhecimento. Com bases em diferentes padrões em épocas diversificadas, os filósofos desenvolveram conceitos próprios aliados ao que é belo e na experiência de contemplação dessas coisas ou mesmo pessoas.

De acordo com Immanuel Kant, ainda no século XVIII, o belo está associado àquilo que agrada de forma universal. Kant denominou como juízos de gosto a opinião das pessoas sobre a beleza das coisas e colocou isso como o mais relevante. Para que algo seja belo, basta que haja uma opinião favorável a isso, de forma sensível e subjetiva.

A lógica, segundo os pensamentos desse filósofo, serve apenas para descrição e o belo não depende de normas estabelecidas previamente. A exemplo da descrição de uma obra de arte, o ouvinte apenas saberá de característica do objeto, apenas a partir da contemplação dele encontrará a beleza existente de forma subjetiva.

Já no século XIX, o também filósofo Georg W. F. Hegel entra nesse tipo de discussão concordando com o conceito de belo como além do que é agradável, de Kant. Porém, discordava com a definição de universalidade. Para Hegel o atingir o belo é um ideal, a beleza é encontrada quando o indivíduo tem seu espírito evoluído.

Em relação às obras de arte elaboradas pelo próprio ser humano, Hegel acreditava serem reflexo do potencial do espírito humano. Por isso, colocou o belo natural inferior ao belo artístico, tomando com superioridade a imaginação e inspiração do artista. O resultado da contemplação desse tipo de beleza está ligado diretamente ao que o espírito do observador vivenciou e evoluiu enquanto ser humano e ser social. Em razão disso, também é associado aos que acontece historicamente, são fases que são influenciadas por acontecimentos políticos e sociais.

Domínios da Sensibilidade: Conceito de Belo

Conceito de Belo

O conceito de sensibilidade está vinculado ou ato de sentir e perceber de forma sensorial a realidade em torno da nossa vivência. As sensações podem ser desde física até emocionais e sentimentais. Com isso, gostamos ou desgostamos de algo gerando sensações de agrado ou desagrado diante da percepção de temos dela. Cada pessoa terá uma sensação diferente nas coisas mais simples da vida. O céu azul é agradável para quem gosta de sol e desagradável para os que não gostam.

Com isso, perceber uma cor, por exemplo, é algo universal – já gostar dela ou não é particular. Estes juízos de valor nem sempre são facilmente justificáveis, podemos encontrar obstáculos ao argumentar em gostar ou não de algo.

Conceito de Belo

Neste mesmo âmbito, temos o conceito do belo que também é amplamente discutível. Este conceito está em nosso cotidiano e fica claro na busca que as pessoas tem por uma aparência dita melhor. Por outro lado, nem sempre este conceito de beleza está vinculado a qualquer valor, mas sim com fatores:

• Comerciais
• Aceitação em sociedade
• Fazer parte de um grupo

Como definir o belo?

Desde a antiguidade grega, o filósofo Platão definia o conceito de belo como a ideia perfeita que formaria todas as coisas bonitas. Com isso, ele compreendia que o belo era uma manifestação da alma e não física – era vinculado ao bom e ao verdadeiro. Platão não fazia nenhum relação com as representações artísticas. Por outro lado, Aristóteles fazia uma relação da beleza com simetria, harmonia e proporção.

Dado o peso do conceito feito por estes filósofos, houve grande influência na cultura ocidental. Agostinho e Tomás de Aquino tinham uma visão mais ampla do belo, como a existente na natureza e nas obras de arte, consideradas por eles reflexos imperfeitos da beleza divina.

Tomás de Aquino defendia no belo três conceitos: proporção, claridade e integridade, vendo a relação do belo com aquilo que é bom e verdadeiro.

O Criticismo e a Fenomenologia

Fenomenologia

O criticismo corresponde na filosofia ao método próprio do pensador prussiano Immanuel Kant (1724-1804). Essa posição é marcada pela defesa de que o conhecimento só é alcançado com base de duas fontes: o entendimento e a sensibilidade.

Já para os adeptos da fenomenologia, a experiência era essencial, porém sempre sujeita a perspectivas distintas. Segundo eles, a consciência humana era um elemento intencional e que assim se direcionava aos objetos a partir de uma série de atos. Entre as variáveis ressaltadas por tais estudiosos estavam:

• contextos;
• interesses;
• desejos;
• emoções.

Existem semelhanças e distinções entre a fenomenologia e a criticismo que merecem ser destacadas.

Fenomenologia

O pensador responsável por fundar a fenomenologia chamava-se Edmund Husserl (1859-1938). Portanto, foi ele quem primeiro definiu as concepções e metodologias utilizadas por intelectuais da tradição mencionada. Nesse caso, tanto Kant quanto Husserl questionam o conhecimento científico dos fatos. Porém, a fenomenologia busca sobretudo o conhecido científico das essenciais presentes objetos de estudo. Cabe ressaltar que ela se popularizou em um momento de crise do conhecimento científico. Isso porque descobertas do final do século XIX e século XX abalaram certas teorias das ciências naturais.

Os paralelos entre o criticismo e a fenomenologia

Conclui-se então que as correntes filosóficas abordadas no presente artigo focam na condição de verdade relativa ao conhecimento. Enquanto Husserl acredita que a verdade encontra-se no entendimento da essência, Kant sustenta que ela está restrita às áreas do que podemos conhecer. Para o criticismo, nós não somos capazes de conhecer as coisas por inteiro, pois nossa mente não consegue aceitar todos os sinais que recebemos. Sendo assim, não conseguimos compreender por completo o real. Aquilo que podemos assimilar, Kant nomeou de fenômeno; ao que segue inacessível, ele chamou de noúmeno. Na sequência, Kant aproveitou a lista desenvolvida por Aristóteles do que podemos dizer das coisas para criar categorias do que podemos saber das coisas. Conforme o criticismo, os dados empíricos são válidos, mas sua validade não é absoluta ou evidente (apodítica).