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Escola e Diferenciação Social

Diferenciação Social

Tendo-se em conta uma sociedade homogênea, em que não haja grandes desigualdades econômicas e de acesso a bens culturais, a atuação da escola como instrumento de diferenciação social estaria limitada ao seu aspecto meritocrático.

O modelo de educação vigente na maior parte dos países retrata o caráter competitivo da sociedade, principalmente em seu aspecto capitalista. O mérito é relacionado ao desempenho, que diferencia os alunos entre si. Aquele dotado de maiores habilidades de aprendizado e maior capacidade de dedicação são, naturalmente, aqueles que ocuparão o topo da pirâmide escolar.

Em tempos recentes, era muito comum que as empresas investigassem o desempenho escolar daqueles que se candidatavam a vagas em sua estrutura, associando a maior possibilidade de melhor desempenho à performance escolar. Supõem-se que aqueles capazes de um melhor desempenho escolar seriam os mais capacitados para vencer no mercado de trabalho e ocupar as funções mais nobres e bem remuneradas na sociedade.

Esse conceito se reforça no ambiente em que o serviço público remunera melhor que o setor privado, além de conferir estabilidade no emprego e outros benefícios exclusivos ao servidor. A admissão por meio de concurso público é uma forma de absorver o que seria, em tese, a mão de obra mais qualificada.

Contradição entre meritocracia escolar e papel fundamental da educação

Essa visão da escola como promotora de diferenciação, estímulo à competição e, mais recentemente, como produtora de mão de obra esbarra em sérias críticas, uma vez que o papel fundamental da educação e do ensino é formar cidadãos, pessoas dotadas de capacidade de se articular e se inserir no contexto social de uma forma positiva.

O incentivo à diferenciação por desempenho só faz sentido enquanto preparação para uma sociedade competitiva. Mesmo a sociedade competitiva, não obstante, precisa de cidadãos, de pessoas capazes de refletir e transformar o meio.

Contradição do pensamento meritocrático

A outra contradição está presente na forma como o ensino é distribuído pelas diversas camadas da sociedade. Num país como o Brasil, marcado pela desigualdade entre classes sociais, a ideia meritocracia carece de substância que lhe dê viabilidade e coerência.

Nesse sentido, a escola como fator de diferenciação social não se sustenta na meritocracia, mas na distribuição das oportunidades. A qualidade do ensino é proporcional à categoria social. Para obter uma boa educação para seus filhos, os pais procuram o ensino particular, onde poderão ter uma melhor educação que nas escolas públicas. Em outras palavras, tal forma de distribuição do ensino tende a estabelecer um modelo com baixo índice de mobilidade social.

A privatização do ensino, inclusive superior, em voga no final do século passado, ampliou esse abismo social. Além dos aspectos econômicos, que afastam as camadas mais necessitadas prematuramente da escola, e da própria diferenciação da qualidade do ensino, há um terceiro aspecto, que faria toda a diferença mesmo em condições em que todos tivessem oportunidades iguais, que é o meio ambiente.

Estudos mostram que crianças que convivem com pais melhor educados, com acesso a bens culturais, possuem maior capacidade de rendimento escolar que aquelas que convivem em ambientes precários. Dessa forma, pode-se deduzir que a escola diferencia, sim, não pelo mérito, mas pela exclusão.

Desafios e Debates da Escolarização no Brasil em Perspectiva Comparada

Escolarização no Brasil em Perspectiva Comparada

A educação no Brasil é questão delicada e que levanta muitos debates complexos. Um fruto natural de nossa realidade com longo histórico de desigualdades. Até os anos 50 ainda não havia um sistema de ensino que pretendesse universalizar a instrução. É neste sentido que os Desafios e Debates da Escolarização no Brasil em Perspectiva Comparada são tão importantes.

Eles marcam a reunião de pensadores brasileiros que acreditavam em uma sociedade que deveria investir na educação. Fator indispensável para qualquer país que pretenda usufruir dos benefícios do desenvolvimento econômico, urbanização e progressiva secularização. Não é acaso que o período em que se começam a vislumbrar estas possibilidades fosse chamado de “desenvolvimentista”.

• A elaboração de propostas

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) é o projeto que concentra propostas para organizar um sistema escolar brasileiro. O principal objetivo que determinava era a implantação do Ensino Fundamental Gratuito. Ou seja, aquele voltado para os 8 primeiros anos que compõem a formação escolar.

Ainda que a LDB tenha sido fruto de debates e propostas desenvolvidos em 1940, foram necessários 20 anos para aprová-las. A resposta positiva do Congresso Nacional viria apenas em 1961. Contudo, o período compreendido entre concepção e aprovação foi tomado por muitos debates. Tínhamos de um lado o grupo de Anísio Teixeira (diretor do INEP) e do outro Carlos Lacerda (ligado à UDN).

• Duas perspectivas

As diferenças entre os dois grupos estavam ligadas ao tipo de ensino defendido. Para Teixeira escolas gratuitas e laicas eram o que importava. Lacerda, por outro lado, defendia interesses ligados às escolas católicas. Preferia então o domínio do ensino privado, mas com incentivo estatal. Por conta disso a primeira LDB acabou apresentando graves omissões com relação ao ensino público.

A nova Lei de Diretrizes e Bases, de 1971, mudaria este cenário. Foi estabelecido o currículo comum e o ensino gratuito para crianças entre 7 e 14 anos. Com o tempo a lei sofreu novas alterações. Sobretudo entre 1996 e 2009, período em que o Ensino Médio gratuito também se tornou obrigatoriedade. O que entendemos então sobre os Desafios e Debates da Escolarização no Brasil em Perspectiva Comparada? Basicamente, que eles são importantes para entendimento e avaliação do nosso complexo cenário educacional.

Educação, Escola e Sociedade

Escola e Sociedade

A tradição de levar conhecimento às gerações futuras é algo pertencente às diversas culturas do mundo. Hoje, a escola é o primeiro ambiente externo de socialização dos indivíduos, após a convivência com familiares e parentes. A partir desse contato social, as pessoas aprendem além de conhecimentos, valores e convenções culturais de sua região.

A escola enquanto instituição fica responsável por levar uma série de saberes necessários ao indivíduo não apenas para conviver no meio social, como também para entender sobre si mesmo e tudo que o cerca. O conceito de escola que conhecemos hoje surge após a Idade Média, apenas nos grandes centros. No século XVIII, com a afirmação do capitalismo, as escolas passaram a ser uma necessidade, principalmente para propagação de saberes que influenciassem na ciência e na indústria.

O resultado atual é a valorização de áreas de atuação mais tecnicista, em detrimento de campos do conhecimento ligados às artes, por exemplo. Anteriormente, os primeiros espaços de ensino eram ocupados apenas por membros de classes nobres e homens. Diversas transformações sociais permitiram o ingresso de mulheres e a obrigatoriedade da educação básica como direito de todos os cidadãos. Passou então a ser responsabilidade do Estado fornecer espaços gratuitos para ensino.

Como resultado de eventos em todo o mundo, mudanças no corpo social, houve implementação de cursos superiores, combate a evasão nas escolas e bolsas de estudos como componentes de um futuro melhor. A Educação para a ser instrumento para uma vida melhor econômica e socialmente. Ideias como a educação integral têm estado cada vez mais presentes, a fim de aumentar o tempo dos estudantes nas instituições.

Na sociedade contemporânea, há reflexos de todas as transformações históricas vividas pela sociedade e cada vez mais surgem novas discussões acerca da aprendizagem. O acesso a todas as pessoas, não importam as suas necessidades, os métodos de avaliação realmente relevantes, entre muitos outros.

Aprendizado em um Contexto de Mudança

Aprendizado
Aprendizado é um processo que leva à apropriação de ativos cognitivos. Esses ativos se dividem em duas variáveis: conhecimento e habilidades.

Para entender e qualificar o aprendizado do ponto de vista individual é fundamental a separação dessas duas variáveis. As habilidades podem ser adquiridas e desenvolvidas. Estão ligadas à forma como o indivíduo se insere na complexidade social. São as habilidades, cognitivas e motoras, que lhe asseguram a sobrevivência, uma integração positiva e exitosa ao meio.

Essas habilidades tendem a se renovar, se recriar e serem substituídas num contexto de mudança permanente, produto da escalada tecnológica. Isso pode ser exemplificado a partir do conjunto de novas profissões trazidas pelas novas conjunturas, assim como a extinção, por obsolescência, de outras.

Nesse sentido, o aprendizado se impõe como uma iniciativa individual, como forma de apropriação de novas habilidades, o que chamamos de atualização. Adquirir novas habilidades é a condição, em pleno século XXI, não só para que o indivíduo se mantenha útil no ambiente do mercado de trabalho, como para se apropriar de novas e mais sofisticadas formas de fazer as coisas.

O conhecimento no contexto de mudança

O conhecimento é, antes de tudo, atemporal. Ele é, também, mutável, na medida em que a sociedade humana avança na investigação e na apropriação das diversas realidades.

No âmbito do conhecimento, o próprio corpo humano ainda é um mistério para a ciência. A cada dia são feitas novas descobertas que amanhã poderão se mostrar crenças frágeis diante de novas evidências. A relação entre a verdade e o conhecimento é, por si só, frágil. Durante muito tempo, Plutão foi considerado um planeta do Sistema Solar, descoberto, em 1930, pelo astrônomo Clyde Tombaugh. Recentemente, no entanto, perdeu a classificação de “planeta”.

Tudo isso aconteceu em menos de cem anos, mostrando que a propriedade do conhecimento acelera a aquisição de novos conhecimentos e a substituição de outros, uma vez que estão relacionados à aceleração da apropriação de novas e mais sofisticadas técnicas de investigação pela ciência.

Resumindo, o conhecimento, como produto do processo de aprendizado, é mutável na medida em que se aprofunda e se apropria de novas variáveis e evidências. É, portanto, o conhecimento das possibilidades, não necessariamente da verdade enquanto faixa de chegada do processo investigativo.

O conhecimento, enquanto processo de aprendizado, está condicionado pela investigação, sendo um processo mais lento que aquele imposto a quem precisa dominar novas habilidades, processo impulsionado e acelerado pelo avanço tecnológico, razão pela qual é preciso estabelecer uma separação entre essas duas variáveis do conhecimento, de modo a identificar o que é volátil e o que é perene, bem como a importância de cada uma dessas duas variáveis.

Educação e Socialização Secundária

Socialização Secundária
A socialização é o processo pelo qual passam todos os seres humanos, de diferentes formas e em variados ambientes. É algo que permanece durante toda a vida do indivíduo, pois cada ambiente trará novas experiências sociais por meio da aprendizagem e da imitação. A partir dessas assimilações de conhecimento social, desde as fases iniciais, é possível que o ser humano passe a ser um ser social, não apenas biológico.

Há uma divisão desse processo em duas perspectivas: socialização primária e socialização secundária. O critério para isso é em relação aos ambientes frequentados por esse indivíduo. Na socialização primária, cabe à família, e quaisquer pessoas que convivam com a criança, ensinar os fatores fundamentais de comportamento, cultural e a firmar o seu papel naquele contexto, seja de filho, irmão, neto, enfim. A identificação da criança com as pessoas ao seu redor permitirá a formação de sua identidade.

Na socialização secundária, cabe aos outros contextos e pessoas, exteriores ao ambiente familiar, auxiliarem na socialização desse indivíduo em formação. Normalmente esses local é a escola, quando ingressam em alguma instituição escolar os sujeitos assumem novos papeis sociais, não mais desempenham funções de filhos ali, ou irmãos, passam a ser estudantes. A escola passa a ser o ambiente de socialização secundária.

A escola é uma dos principais agentes no processo de socialização secundária, pois naquele local o sujeito aprenderá conhecimentos acerca da vida em sociedade e também dos saberes do conhecimento humano. Entretanto, há diversos locais que também possuem sua parcela nessa fase, tais como junto aos amigos, igreja, trabalho, experiências como uma viagem, entre outros a depender do próprio sujeito em questão.

A Educação é o instrumento de maior influência para o ser humano em construção, aspectos como disciplina, obediência às regras e respeito às autoridades diferentes, que não mais constituem seu ambiente familiar, são de extrema importância para inserção no corpo social.

Educação e Socialização Primária

Socialização Primária

As normas e padrões sociais, culturais e comportamentais são essenciais na vida das pessoas desde a sua infância. Diante disso, a família possui papel importante na educação e socialização das crianças. Isso irá permitir os seus filhos aprenderem como devem proceder já nos primeiros anos na escola. Logo, os valores familiares vão estar implícitos em suas atitudes e no seu desenvolvimento social.

Com isso, normalmente as pessoas tornam-se consequência do grupo em que se encontram e compartilham hábitos na sociedade.
Dessa forma, a escola assume uma responsabilidade ampla na vida das crianças. Isso acontece porque ela se torna, devido à ausência dos pais, o principal meio socioeducativo para aquele indivíduo desde cedo. Assim, ela obtém papel fundamental na educação primária, bem como no processo de socialização de meninos e meninas.

A criança começa a compreender as regras, princípios éticos e morais para o convívio social. Assim também, desenvolve a capacidade intelectual, de leitura e escrita, bem como aprende os conceitos escolares básicos. Com isso, a sua comunicação se torna mais desenvolvida e ampla. Do mesmo modo, sua personalidade é moldada de acordo com princípios, valores e costumes que o cercam todos os dias.

Por outro lado, os professores precisam investir em sua capacitação profissional, por meio de cursos preparatórios e especializações. Com isso, ele irá aperfeiçoar suas atividades com os estudantes. Assim como poderá passar conhecimentos que eles irão levar durante os anos seguintes. Isso envolve tanto a vida profissional, como na maneira de lidar diante de situações cotidianas que surgirem.

Contudo, esses conhecimentos precisam estar alicerçados em princípios familiares e morais, para não criar conflitos de identidade. Logo, a última palavra deve ser a dos pais da criança. Pois eles são os principais responsáveis pela educação e socialização primária que o indivíduo recebe nos primeiros anos de vida. Por fim, a educação escolar será um complemento que vai provocar a adaptação social com outros meios de relacionamento cultural.

Gilberto Freyre e as raízes ibéricas da cultura brasileira

Gilberto Freyre

Gilberto Freyre é considerado um dos grandes pensadores da literatura brasileira e é considerado o autor que melhor interpretou o país em amplos aspectos. Escritor, jornalista, poeta e pintor, foi como sociólogo que o polímata se firmou no cenário do século XX e até hoje foi o intelectual mais premiado da história.

Nascido em 1900 e morto em 1987, o pernambucano escreveu “Casa Grande e Senzala”, que se tornou um marco do pensamento social e até hoje é utilizado como base para reflexão sobre o patriarcado e das etnias que compõem o Brasil. Em sua obra estão importantes componentes das nossas raízes ibéricas, das quais sempre valorizou.

Casa Grande e Senzala

Complexo, difícil e até contraditório, Gilberto Freyre foi um dos maiores pensadores brasileiros. Sua diversidade de conhecimento e a forma abrangente de pensar sobre a sociedade brasileira faz de sua obra ainda um grande desafio ao pensamento. Embora seja clássico, sua abordagem moderna e contemporânea sobre o país são profundamente atuais.

Gilberto Freyre tinha uma forma bastante peculiar de interpretar a questão racial brasileira. Enquanto ela era explicitada de forma negativa pelos grandes autores na época, Freyre mostrava a vida de forma positiva na construção do país e da cultura como um todo. Para ele, a mistura de raças só valorizava ainda mais os padrões culturais brasileiros, com a influência dos indígenas, europeus e negros.

Seu foco era observar a dimensão cultura e a gigantesca relevância sobre a herança étnica brasileira, em oposição a outros intelectuais, como Sergio Buarque de Holanda, que em seu livro “Raízes do Brasil” apresentou o que essa mistura trouxe de negativo para o país. Nesta obra, Sergio Buarque de Holanda pontuava a influencia da colonização dos portugueses, dando como exemplo o conceito do homem cordial, que se influenciava mais pela emoção do que a razão, impedindo o desenvolvimento da sociedade como um todo em prol de benefícios diretos a aliados.

Enquanto Gilberto Freyre apresentava a adaptação rápida sofrida pelos portugueses, baseada na falta de orgulho da própria raça, dando espaço para o sincretismo religioso e cultura que aflorou no país. Segundo sua interpretação em “Casa Grande e Senzala”, a entrada de escravos negros dentro da casa grande, especialmente as mulheres, já era uma seleção natural dos indivíduos mais preparados para funções mais superiores de trabalho braçal.

Dessa forma, negros e brancos não se distanciaram com o patriarcado, diferente de outras civilizações. Esse atalho entre a senzala e a casa grande tornou a mistura étnica mais profunda e estimulou ainda mais os traços culturais de ambos, presentes até os dias de hoje. Freyre atribuiu a abolição da escravatura e o progresso do país como uma das causas do desequilíbrio social que está presente até os dias de hoje.

Contribuições de Oliveira Viana e Sérgio Buarque de Holanda na Sociologia

Contribuições de Oliveira Viana e Sérgio Buarque de Holanda

A sociologia é responsável por estudar os fenômenos que marcam uma sociedade, o comportamento dos indivíduos inseridos em um grupo social, manifestações culturais, a dinâmica das classes sociais e outros elementos que constituem o processo de viver em sociedade. Existem dois autores brasileiros que estudaram e se posicionaram sobre a sociedade brasileira no século XX: Oliveira Viana e Sérgio Buarque de Holanda. Saiba quais ideias eles defendiam.

Quem foi Oliveira Viana?

O auge das reflexões do sociólogo carioca foi Oliveira Viana foi entre 1910 e 1950 e ele defendia que as leis e e instituições políticas não refletiam o Brasil real e toda a fragilidade da sociedade que vivia o período de transição entre Império e República (1922). Outro ponto de destaque nas teorias de Viana era a negação do universalismo, ou seja, de acordo com ele, cada raça teria o seu próprio histórico evolutivo e, por isso, uma não poderia se apropriar das instituições de outra.

Esse sociólogo defendia que a estrutura brasileira era eminentemente rural e centrada nos latifúndios, sem nunca ter passado por nenhuma grande revolução ou transgressão. Por isso, segundo ele, seria inútil querer incorporar na sociedade conceitos de outras nações e que não funcionariam aqui, como a democracia ou o liberalismo, por exemplo.

Sérgio Buarque de Holanda

Outro sociólogo que também refletiu sobre esse momento de transição do Brasil em direção à modernidade foi Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil é uma de suas principais obras, na qual o autor faz um resgate da identidade nacional a partir do período colonial e cria a figura do “homem cordial”. Holanda caracteriza o brasileiro como um indivíduo que age movido pelas emoções e dando prioridade a relacionamentos interpessoais ao invés de leis objetivas.

Nesse livro, o sociólogo também se aprofunda no patriarcalismo e como ele foi um dos pilares para a formação de uma sociedade rural. Assim, centrado nos valores patriarcais em detrimento dos princípios burgueses, seria natural que o Brasil encontrasse dificuldades para se modernizar.

Socialismo segundo Weber e Durkheim

Socialismo segundo Weber e Durkheim

Max Weber e Émile Durkheim são considerados pensadores clássicos da sociologia, mas o socialismo segundo a visão de cada autor é diferente. Um dos pilares da escola francesa de sociologia, Durkheim propunha a compreensão da sociedade como uma espécie de organismo. Ou seja, cada parte seria responsável por executar uma determinada função.

Pensamento positivista de Durkheim

Para que tudo estivesse em ação, uma parte era interdependente da outra. Nesse sentido, a visão do pensador é a de que o indivíduo tem que se sentir parte desse organismo, desse todo. Se isso não acontecesse, o tecido social poderia se deteriorar. Desse modo, a sociologia do autor é compreendida como positivista.

Para Durkheim, o socialismo seria uma espécie de resposta para essa deterioração social e, até mesmo, para os conflitos que atingiam patrões e empregados. Na visão do pensador, a ideia do socialismo era:

• Algo relativo a uma doutrina moral: ou seja, a ideologia é uma reforma moral, para que os trabalhadores conseguissem melhoria das suas condições de vida.

Socialismo compreensivo de Max Weber

Por outro lado, o socialismo segundo Weber estava relacionado à economia e ao controle que os operários poderiam exercer sobre os meios de produção. Para o autor, o Estado no socialismo deveria ser um sistema burocrático, preocupado também com a rentabilidade.

No entanto, a sociedade não seria tão harmônica e não funcionaria como um organismo, como queria Durkheim. Ao mesmo tempo, o autor também não apregoa uma revolução. Logo, o socialismo de Weber estaria ligado à:

• Uma espécie de análise sobre a sociedade. Nesse quesito, sua sociologia é classificada como compreensiva.

Para Weber, os indivíduos agem conforme o comportamento alheio. É o que classifica como ação social. Segundo esse posicionamento, as pessoas se relacionam de maneira subjetiva, conforme o outro. Para se tornar ação social, o indivíduo precisa atribuir um sentido próprio ao que faz.

Socialismo, Valores e Sistema Social

Socialismo

Com base no princípio da igualdade, o socialismo surgiu logo no início da Revolução Industrial, no século XVIII e foi se desenvolvendo sob as inúmeras teorias que tinham como tema a organização e administração públicas dos meios de produção e distribuição de riquezas.

Seus principais valores são a igualdade de oportunidades, justiça social, solidariedade e empatia, compartilhamento coletivo do que é público prevalecendo sobre o privado. Já na teoria marxista, o socialismo é intermediário entre o capitalismo e o comunismo, que culmina com o desaparecimento total do Estado e dando plenos poderes para toda a sociedade.

Os princípios do socialismo

O conceito do socialismo rompe com a dominação de classes, ou seja, a população não é mais separada por grupos de padrões sociais, políticos e especialmente financeiros semelhantes. As classes sociais são bastante evidenciadas no sistema Capitalista, já que a classe dominante é composta por pessoas detentoras das maiores riquezas e do poder político, comandando a classe dominada onde estão os trabalhadores.

O Estado intervém plenamente na composição social e econômica da sociedade, tornando a propriedade e sua administração coletivas, o que inclui os meios de produção. Dessa forma, o Estado oferece à sua população a mesma qualidade educacional e de saúde, tornando todos capazes a obter seus meios de trabalho.

O movimento começou a surgir logo no início da Revolução Industrial, através de intelectuais e de líderes da classe operária. Eles apresentavam críticas severas sobre a forma como a industrialização agia sobre a sociedade, subordinando o trabalhador a baixos salários e uma jornada de trabalho extrema. Diante desse quadro a população criava sua dependência direta e indiretamente sobre a indústria, empobrecendo – e com pouca ou nenhuma assistência do Estado.

Logo, o socialismo foi se definindo com o um rompimento da propriedade privada que mantinha os meios de produção, fazendo com que o proletariado tomasse o poder e controlasse a política e economia em divisões igualitárias.

Socialismo Utópico, Socialismo científico e Karl Marx

O Socialismo foi dividido em duas correntes iniciais, sendo o utópico a primeira a surgir e a se estabelecer. Estabelecido por Robert Owen, Charles Fourier e Saint-Simon, o Socialismo Utópico propunha uma sociedade ideal, conquistada de forma pacífica e de comum acordo entre empresários e proletários. Para seus defensores esse sistema é inserido de forma mais lenta e pode demorar até séculos para ser totalmente implantado.

Já o Socialismo Científico surgiu como crítica ao Utópico, sem a sua visão romanceada e ilusória de redenção pacífica, mas sim por meio de revoluções do proletariado contra o que se chamada de burguesia. O que incluía a luta armada, indo muito além do debate de ideias e convencimento.

Criado por Karl Marx, que se transformou em símbolo e referência máxima desse sistema, o Socialismo Científico (também chamado de Marxismo) está bastante definido em obras como O Capital, Manifesto Comunista e Crítica de Economia Política. O filósofo alemão teve ajuda de Friedrich Engels para criar a teoria socialista que revolucionou o mundo.

Segundo eles, toda sociedade humana cresce e se sustenta pela luta de classes. O que indica um conflito constante entre os que controlam os meios de produção e os proletários. Karl Marx criou o conceito de “mais-valia”, onde afirmava que todo trabalho geraria riqueza, cujo valor era acima do gasto na produção, capaz de gerar um valor que deveria ser dividido entre os operários que trabalharam naquele produto.

O homem e a sua sociedade se desenvolvem a partir de suas condições socioeconômicas, determinando o seu foco de atuação naquilo que lhe dará melhores condições de vida e trabalho.

Karl Marx é considerado uma das figuras mais influentes do mundo e um dos pilares do que hoje é considerada a ciência social moderna. Seus conceitos influenciaram políticas, que propuseram revoluções em nações, como a Rússia, a China e Cuba, mas também revoluções intelectuais que continuam utilizando de seus fundamentos para os estudos contemporâneos.

Estados Modernos e Cidadania

Estados Modernos

O Estado Moderno é tema de diversos autores importantes do século XIX e do século XX, dentre os quais se destacam Marx, Weber e Durkheim, cada qual sustentando sua própria tese, com pontos de convergência e divergência.

O estudo da posição desses autores, com auxílio da experiência política ao longo de todo o século XX e no início do século XXI, leva à conclusão de que há duas visões bastante aceitáveis do que seja Estado Moderno.

De um lado, o Estado é o centro de articulação de poder. Sobressai-se a visão de Marx, que enxerga o Estado como instituição a serviço de um determinado grupo, que impõe sua vontade ao conjunto da sociedade. Logo, toda forma de luta política só teria sentido se destinada a capturar o Estado para sua causa, submetendo os demais grupos sociais à sua vontade.

De outro lado, Durkheim relega ao segundo plano a questão do poder para buscar definir qual a função do Estado. Nesse aspecto, vislumbra-se um papel social. Durkheim defendeu o papel do Estado na universalização do ensino. É o Estado de bem-estar social, que ganhou força em diversos regimes ao longo do século XX, mesmo aqueles em que a orientação fosse liberal e capitalista.

Experiência histórica e dias atuais

Os Estados Modernos surgem da Revolução Francesa, com forte influência da Revolução Industrial, da urbanização dela decorrente, das novas relações de trabalho e produção, bem como do surgimento de novas classes sociais. O próprio Estado colabora para essa diversificação, na medida em que se constitucionaliza a partir da queda das monarquias absolutistas.

No Liberalismo, ganha a função de garantidor da ordem, do direito e da propriedade. Não obstante, é nítido, embora esse processo não se tenha dado de forma linear, que as promessas da Revolução Francesa não foram cumpridas no século XIX. Ao contrário, o que tem é a burguesia, proprietária dos meios de produção, tomando para si o poder e o controle do Estado, o que corrobora com a visão marxista.

A visão do Estado como posse e plataforma para a dominação da sociedade convive com a visão mais moderna, em que o Estado adquire papel de garantidor do desenvolvimento humano, estabelecendo garantias básicas da população a serem providas, basicamente: saúde, educação, saneamento básico e moradia.

Nos dias atuais, o grande embate se dá exatamente em torno dessas duas questões. O Neoliberalismo busca restabelecer um pacto com a política do século XIX, em que o Estado é capturado pelo poder econômico, abrindo mão não só de seu papel social e estrutural, como também de indutor estratégico.

Do outro lado está o movimento desenvolvimentista, que busca o Estado forte, como garantidor do equilíbrio. Enquanto o Neoliberalismo busca mecanismos de dominação sobre a sociedade, de modo a fazer com que as relações desiguais sejam aceitas, os desenvolvimentistas, que vão do campo liberal a amplos setores da esquerda, buscam a conscientização e o amadurecimento da sociedade no sentido de reivindicar a participação democrática e efetiva, respaldadas no respeito às instituições do Estado e na ampla participação política.

Estratificação Social e Trabalho para Weber e Durkheim

Estratificação Social e Trabalho

O século XIX surge num contexto de grandes transformações sociais e políticas. A forma de pensar a sociedade adquire novas características. Em razão da complexidade social e econômica que se estabelece a partir da Revolução Industrial e da urbanização, a sociedade passa a ser objeto de estudo e investigação científica, sendo ela própria, a sociedade, a matéria científica.

Para que se compreenda a importância do papel de Weber e Durkheim no estudo da sociedade do século XIX, que adquiria novos contornos e maior complexidade no século XX, é preciso estabelecer contato com a visão marxista da sociedade. Marx vislumbrava o antagonismo de classes como fator de disputas e mudanças na sociedade. Em sua visão, as classes se desdobravam a partir da oposição entre aqueles que compravam e vendiam o trabalho em troca de salários. Haveria, então, de um lado, a força de trabalho e, do outro, os donos dos meios de produção e distribuição, numa relação de exploração, que estaria estabelecida a partir da apropriação do Estado pela classe burguesa.

Max Weber (1864-1920)

Max Weber ampliou a perspectiva de estratificação social, considerando o papel que cada grupo ocupava na cadeia produtiva, mas atribuindo a outros fatores políticos, econômicos, sociais e culturais a construção da posição dos indivíduos e grupos na sociedade.
Para Weber, a luta de classes seria apenas uma das possíveis causas de mudanças na sociedade.

Émile Durkheim (1858-1917)

Na visão de Durkheim, a divisão do trabalho no século XIX é dotada de complexidade e a mobilidade social é possível a partir da liberdade do indivíduo de traçar seu próprio caminho.

Para Durkheim, a estratificação social traria uma configuração mais complexa, na medida em que incluiria o funcionalismo público e o trabalho especializado.

A visão de Durkheim se aproxima da sociedade atual, na medida em que prevê a possibilidade de uma harmonia social a partir do estabelecimento de regras, que condicionassem as formas de relação de trabalho. Com regras claras, os diversos extratos sociais poderiam se integrar a partir de uma dinâmica de relação solidária, remodelando o próprio conceito de sociedade, propondo uma travessia entre o modelo feudal e o modelo multifacetado que caracteriza a sociedade atual.

Trabalho livre e Estratificação Social para Marx e Engels

Trabalho livre e Estratificação Social

Karl Marx e Friedrich Engels foram dois dos pensadores mais importantes de todos os tempos. Entre postulados filosóficos, econômicos e sociais, a dupla conceituou questões sobre o trabalho livre e estratificação social.

O conceito de trabalho livre
O estudo de Marx e Engels sobre o trabalho remete, anteriormente, ao feudalismo. O modelo de organização social, político e econômico teve início na Idade Média e terminou por volta do século XV.

No período feudal os camponeses eram a parte mais frágil da sociedade. Eles eram explorados por seus senhores. A vinculação era essa porque os mais pobres se vendiam em troca de proteção.

E além do duro trabalho braçal nas lavouras, ainda existia uma relação de vassalagem. Os pequenos camponeses até mesmo pagavam impostos para viverem no mesmo feudo.

Porém, a partir da segunda metade do século XVIII, quando teve início a revolução industrial, as mudanças na sociedade foram profundas. Começava no mundo ocidental um grande movimento que levou hordas de pessoas para as cidades.

Essa mudança possibilitou que as novas gerações pudessem oferecer livremente sua força de trabalho. Nesse período as pessoas já podiam trabalhar em troca de um salário em uma relação menos desigual do que antes.

Sociedade divida em classes
Segundo Marx e Engels, toda sociedade que já existiu sofreu com estratificação social. Com o nome de sociedade de classes, eles diziam que em todos os tempos as pessoas ocupariam diferentes posições econômicas e sociais, sendo que a luta entre uma e outra, principalmente no capitalismo, seria eterna.

No feudalismo a divisão social era marcada, por ordem de importância, por reis, nobres e clérigos e depois os servos. Enquanto isso, na sociedade capitalista a principal estratificação é entre duas classes:

– Proletário: classe mais pobre que vende a sua força de trabalho.

– Burguesia: classe com mais dinheiro que detém o monopólio dos meios de produção, sem os quais os pobres não têm acesso ao trabalho.

Transição para a Modernidade nas grandes interpretações do Brasil

grandes interpretações do Brasil

O conceito de modernidade é, antes de tudo, dotado de caráter controverso. Refere-se, na visão de alguns, às conquistas intelectuais, filosóficas e científicas, de outros, das conquistas materiais e do que hoje se convencionou chamar de índice de desenvolvimento humano.

Dentro da temporalidade histórica, entretanto, é possível perceber dois fenômenos. O primeiro é que a transição para a modernidade não ocorre de forma linear, como um processo contínuo e irreversível. O segundo, é que não existe uma linearidade geográfica e social.

Em outras palavras, ao mesmo tempo em que a Idade Média marca um retrocesso em diversas conquistar humanas, o próprio século XXI revela uma contradição inequívoca entre as mais diversas realidades sociais, o que mostra que o conceito de modernidade é, ao mesmo tempo dinâmico e independente da temporalidade. Em outras palavras, a modernidade pode ser percebida como o conjunto de conquistas apropriadas e naturalizadas pela sociedade humana.

Isso quer dizer que, enquanto parcelas da população vivem em um estágio avançado da modernidade, dominando as últimas conquistas sociais, econômicas, tecnológicas, religiosas e políticas, outras parcelas usufruem, quando muito, de parte dessas conquistas.

Interpretações da modernidade no Brasil

Desse modo, o conceito de modernidade deve ser trazido para um contexto específico, que só pode ser compreendido a partir de uma imersão no contexto histórico e na abordagem da formação das estruturas que sustentam o ritmo da evolução e dos retrocessos históricos de uma sociedade.

No Brasil, sem dúvida alguma, a grande referência é o sociólogo Gilberto Freire, em “Casa Grande e Senzala”, que tenta explicar a realidade brasileira a partir da interpretação da formação da sociedade. No terreno da ficção, João Ubaldo Ribeiro, em “Viva o Povo Brasileiro”, faz um interessante recorte sociológico, entre o realismo fantástico de Gabriel Garcia Marquez, em “Cem Anos de Solidão”, marcado pelo vertiginoso ir e vir no universo temporal, e a tentativa de radiografar os diversos aspectos da formação da identidade nacional com base em episódios históricos reais.

Transição para a modernidade no Brasil

A sociologia, como ciência, só surgiu no Brasil no século XX. A tentativa de compreender e modificar a sociedade está presente, no entanto, no século XIX, a partir do esforço em capturar para o terreno da análise e da crítica, a situação social vigente no período imperial, marcado pela profunda desigualdade social, agravada pela escravidão.

A estrutura fundiária, a escravidão, a sociedade patriarcal, tão enfatizada por Freire, o atraso no processo de industrialização e a sucessão de períodos autoritários influem de forma definitiva na apropriação da modernidade pelo Brasil em suas diversas manifestações.

Mesmo a miscigenação, tão decantada e romantizada, não dotou a estrutura social brasileira de uma visão inclusiva e igualitária. Ao contrário, há no presente fortes traços da sociedade brasileira do século XIX, tanto no âmbito das estruturas sociais, das divisões com forte conteúdo racial, como no âmbito das conquistas materiais.

A transição do Brasil para a modernidade, em que pese o caráter volúvel desse conceito, é um processo em curso, com avanços e retrocessos, pelo menos no caminho da modernidade presente, seja no âmbito da apropriação das conquistas científicas e tecnológicas, seja na visão do contexto da sustentabilidade ambiental, das conquistas materiais, estruturais e, principalmente, do pensamento e da aceitação das diferenças como fenômeno natural e plenamente aceitável.

O Rio de Janeiro na passagem do século XIX

O Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro, na passagem do século XIX, era um ambiente de expressivos contrastes sociais. De um lado, a capital do II Império e, posteriormente, da República, com o maior índice de alavancagem social, uma classe média urbana incorporada à paisagem, ocupando os cargos públicos e o pequeno comércio; de outro, um grande contingente populacional sem ocupação profissional e vivendo em condições precárias.

O Rio de Janeiro do final do século XIX não tinha infraestrutura para suportar o seu próprio crescimento, embalado pela atividade econômica, a incorporação à paisagem dos escravos recém-libertos e a chegada de imigrantes. Apesar de estar entre os três maiores portos em volume de negócios do continente americano, o Rio de Janeiro conservava traços coloniais, com ruas estreitas e a impossibilidade de um sistema de transporte urbano mais moderno.

A capital das elites intelectuais, que vislumbravam um horizonte grandioso para o Rio de Janeiro, pavimentado pelos recursos públicos para o desenvolvimento da atividade econômica, pela efervescência cultural, abrigava um outro lado que em nada concorria para tais ideais.

População em condições precárias

O centro da cidade era povoado de cortiços, o tipo de moradia que se tornou comum. Os cortiços eram aglomerados de casas, que compartilhavam recursos. As moradias eram simplórias e o modo de vida decadente e pouco inspirador, como retrata a obra de Aluísio de Azevedo, “O Cortiço”, em que as ações se passam em 1870.

Ao mesmo tempo, a maior parte da população vivia de subemprego ou era desempregada. As condições de saneamento e abastecimento de água eram precárias, de modo que se sucediam as epidemias que afligiam, sobretudo, as camadas populares. Epidemias de febre amarela, varíola, febre tifoide e malária eram um traço daquele Rio de Janeiro de contrastes.

Não que não houvesse iniciativas da sociedade para tentar contornar o problema. Acreditava-se, realmente, que o Rio de Janeiro poderia se tornar um modelo de civilização a ser irradiado para o resto do país. Médicos, sanitaristas e o poder público se alinhavam em iniciativas, mas não eram parte de um processo orgânico e organização econômica, política e social, que deveria incluir, antes, um projeto educacional, que seria capaz de impulsionar a iniciativa privada, a intensificação e diversificação da atividade econômica.

Modernização na Transição do Império para a República

A proclamação da República no Brasil aconteceu em 15 de novembro de 1889, como produto do isolamento da monarquia, processo que se revelou na segunda metade do século XIX.

O Partido Republicano foi criado em 1970, ainda na vigência do Segundo Império, tendo como governante Dom Pedro II. Os republicanos criticavam a centralização do poder, o caráter hereditário da monarquia e o sistema político como um todo.

No final do período monárquico, Dom Pedro II perdeu o apoio dos militares, o que deu vida ao caráter intervencionista do exército na política nacional, tendo sido um militar responsável pela proclamação da República.

Impunha-se uma nova ordem, agora apoiada pelos fazendeiros, que, no ano anterior, por ocasião da promulgação da abolição da escravatura, se viram sem mão de obra escrava, com o setor em crise.

A modernização no Segundo Império

Ao contrário do que possa parecer, a modernização do Brasil tomou impulso durante o Segundo Império. Foi naquele período que o país viu surgir bancos, indústrias e empresas de navegação a vapor, entre outras atividades fora do contexto colonial, em que o Brasil se posicionava como mero produtor de ativos agrícolas, destinados ao abastecimento do mercado interno.

Foi durante o Segundo Império que o Brasil, ainda que de forma incipiente, começou a ganhar investimentos em infraestrutura, particularmente no que diz respeito ao sistema de transportes. Dom Pedro incentivou no Brasil as exposições e feiras industriais e construiu inúmeras escolas públicas.

Construiu as primeiras ferrovias, servindo-se da visão do Barão de Mauá, construiu a Santa Casa de Misericórdia, o Canal do Mangue, fez o lançamento dos primeiros cabos submarinos para ligar as diversas regiões do Brasil via comunicação telegráfica, entre outras benfeitorias.

Transição do Império para a República

A abolição da escravatura, um ano antes da proclamação da República, foi o último grande passo do Brasil para estabelecer uma ponte para a modernidade.

Não obstante, a abolição da escravatura não veio acompanhada de um projeto de desenvolvimento humano e inclusão social. Por outro lado, uma reivindicação do movimento abolicionista, que era o fim dos latifúndios rurais, conferindo modernidade à estrutura agrícola, também não obteve êxito, mantendo o país com uma estrutura rural arcaica.

A Proclamação da República, por sua vez, esteve mais atrelada a questões de caráter agrário, alavancadas pelas mesmas elites fundiárias, predominantemente as do eixo São Paulo-Minas, que se desenvolveram por um projeto de investimento na diversificação e modernização da matriz econômica.

Por outro lado, o fim da escravidão no país foi responsável por um processo migratório, que trouxe mão de obra da Europa para o Brasil, agregando conhecimentos e compondo o conjunto de fatores que ajudou no desenvolvimento econômico das regiões Sul e Sudeste.

O salto para a modernidade provocado pela proclamação da República deu-se, num primeiro momento, quase que exclusivamente no âmbito do ordenamento político, ficando o desenvolvimento econômico e social em segundo plano, mas tendo servido para reacomodar as forças políticas da sociedade.

Sociologia da Modernização

Modernização

A sociologia é a aplicação do método científico ao estudo da sociedade. A base da sociologia são as relações históricas, estruturais, políticas, econômicas e culturais que dão vida ao tecido social.

Para falar em sociologia da modernização, o primeiro desafio é estabelecer o que é modernização. Numa abordagem puramente material, a modernização é o conjunto de conquistas tecnológicas e científicas. Sob esse ponto de vista, podemos concluir que uma sociedade modernizada é aquela que dispõe dessas conquistas científicas e tecnológicas.

Tais conquistas, por si só, não representam valor algum se não forem capazes de transformar a vida das pessoas. A cura para uma determinada doença só é conquistada se houver a doença, que só se torna alvo de investigação e tratamento porque ocorre em pessoas. São elas as beneficiadas com o tratamento e a cura.

Por outro lado, o que se questiona é em que medida as conquistas científicas e tecnológicas beneficiam o conjunto da sociedade, o que aponta para uma outra questão, que é a distribuição dos benefícios decorrentes dessas conquistas.

Modernização e Sociologia da Modernização

Levando em consideração que a sociologia tem como seu objeto de estudo a sociedade, a modernização, no âmbito da sociologia, só pode ser tratada a partir do princípio da distribuição dos benefícios dos ganhos tecnológicos e científicos.

Os avanços científicos e tecnológicos são patrimônio da raça humana, como um todo, ainda que os benefícios deles decorrentes não sejam distribuídos de forma a favorecer ao conjunto das populações. Já no âmbito da sociologia, o grau de modernização de uma sociedade só pode ser aferido com base na distribuição dos avanços.

Tal questão está profundamente ligada ao modo como uma sociedade se estrutura econômica e politicamente. Sendo assim, para falar em sociologia da modernização será preciso transcender a mera abordagem material, incluindo fatores humanos importantes, como a economia e a política.

Não obstante, a economia e a política, dentro de uma sociedade, são influenciadas pelo aspecto cultural, pela herança histórica, pelo avanço e distribuição do conhecimento.

Pensar em sociologia da modernização é, portanto, estudar os diversos aspectos que contribuíram para a presente distribuição dos benefícios entregues pelos avanços tecnológicos e científicos, que está fortemente atrelada à forma como a sociedade se organiza, suas crenças e influências externas.

Representações da Modernidade no Brasil

Modernidade no Brasil

Do ponto de vista sociológico, a modernização no Brasil foi um fenômeno bastante intenso e que rendeu reflexões bastante complexas sobre a sociedade brasileira. Do ponto de vista histórico, esse processo pode ser explicado pelo processo de independência do Brasil e sua consolidação como um estado-nação propriamente dito.

Diferente do que ocorreu com a maioria esmagadora dos países europeus, cujas nações foram se constituindo no decorrer de vários séculos, no Brasil esse mesmo processo se deu de maneira abrupta, e rapidamente foi necessária a constituição de uma nação legitimada e soberana.
A forma como essa modernização ocorreu tem impactos até os dias atuais, como será visto abaixo.

Principais marcos modernos no Brasil
É possível afirmar que nosso país foi tardio em quase todos os aspectos em relação a outros países, que inclusive eram colônias, como é o caso dos Estados Unidos.
O primeiro grande marco da modernização foi sem nenhuma dúvida as cidades. Aos poucos, a população foi migrando do campo, segmento que se concentram as principais atividades econômicas do Brasil na época da independência e ainda hoje, para as cidades.
Com isso, além da urbanização, houve a formação do proletariado e com ele a consolidação de um mercado consumidor interno.
Mais tarde, houve grandes investimentos na industrialização do país, fazendo com que universidades surgissem para a formação de mão de obra qualificada.
Isso significa que foi um período de intensas transformações sociais, econômicas e culturais.

Consequências da modernidade
Apesar de fato ter havido modernização no Brasil, ela ocorreu por meio de episódios esparsos e sem planejamento.
Como resultado desse processo, existem diversas consequências:
-Falta de investimento no sistema de ensino público básico, grande diferencial dos países desenvolvidos;
-Mentalidade pré-capitalista de empresários nacionais;
-Altos índices de desigualdade social, especialmente nas cidades;
-Grande déficit público orçamentário;
-Poder decisório concentrado na mão de uma pequena, mas poderosa elite.
Se o Brasil não superar essas representações da modernidade dificilmente se tornará um país próspero para todas as pessoas.

O Socialismo segundo Weber e Durkheim

Weber e Durkheim

A teoria de socialismo de Max Weber era contrária à teoria apresentada por Marx e Engels, que via o sistema socialista como uma consequência do sistema capitalista. No entanto, apesar de discordar em grande parte de Marx, Weber defendeu também que os ideais e os partidos políticos da época eram influenciados pelas relações entre patrões e empregados, com destaque ao modelo do Partido Social-Democrata Alemão.

Weber apresentou a sua versão do sistema socialista em seu livro “Economia e Sociedade”, mas toda a sua defesa sobre esse sistema foi de fato resumida e explicada em uma conferência realizada no ano de 1918. Nesta conferência, o sistema socialista foi apresentado por Weber a partir do ponto de vista da economia e do controle de produção. A sua contrapartida era a anarquia da produção, em face do controle de produção, onde o Estado tinha a sua participação não só nas decisões, mas também no lucro.

O Socialismo do ponto de vista de Durkheim

Para Durkheim, o socialismo se tratava de uma doutrina moral, e não um sistema social. Isso porque, para ele, o sistema socialista era nada mais do que uma resposta na tentativa de resolver os problemas sociais advindos das relações conflituosas entre patrões e empregados. Dessa forma, Durkheim tratava o socialismo como uma questão de reforma moral.

Assim como Weber, Durkheim também ia contra a maioria dos pensamentos defendidos tanto por Marx quanto por Engels sobre o socialismo. Para ele, o sistema socialista retratava o grito de dor dos homens que experimentavam o mal-estar coletivo da época. Apesar de discordar em vários pontos, Durkheim concordava com os pensamentos de Marx em dois aspectos: o primeiro, que as condições de trabalho estabelecidas eram extremamente ruins e, em segundo, que o socialismo surgia então como uma nova possível solução para melhoria dessas condições.

Socialismo, Valores e Sistema Social para Marx e Engels

Marx e Engels

Durante o século XIX, muitos países desenvolveram algumas correntes que defendiam o socialismo como uma resposta direta aos conflitos que foram muito comuns na Europa neste período, especialmente entre patrões e empregados.

Estas ideologias socialistas serviram como uma espécie de guia para tais tentativas de revolução socialistas, pois, como foram definidas por Marx e Engels, eram, na verdade, ideais socialistas utópicos.

Os próprios Marx e Engels trabalharam para que fosse cunhado o socialismo científico, ideal que marcou as ciências sociais, influenciando-as a partir de então, tendo como base as obras destes autores.

O socialismo para Marx e Engels

Para Marx e Engels, o socialismo aconteceria de forma inevitável, como a primeira fase depois da derrocada e do desmoronamento do capitalismo, uma vez que o capitalismo enfrentaria suas contradições, como a queda da taxa de lucros, extrema pobreza dos trabalhadores, mecanização da produção, entre outros.

Assim, nesta fase após a queda do capitalismo, para Marx e Engels, haveria então um enfraquecimento do poder do estado e uma consequente socialização dos meios de produção, antes concentradas apenas nas mãos das classes dominantes, e não dos trabalhadores. Estes meios de produção, que segundo Engels e Marx seriam socializados eram, especialmente, os maquinários e as terras.

Porém, para que se chegasse ao socialismo, tanto Marx quanto Engels defendiam que não haveria outro caminho senão a revolução dos trabalhadores contra seus patrões, de maneira que fossem, assim, retirados do poder destes os meios de produção e o controle sobre eles.

Isto fez com que Marx e Engels se envolvessem de maneira direta com os trabalhadores, organizando associações e liderando ações que tinham como objetivo organizar os atos revolucionários dos trabalhadores.

Desta maneira, a definição de socialismo e de seus valores para Marx e Engels é muito mais do que um sistema social comum, sendo uma forma de libertação dos trabalhadores de sua exploração.