Popper e Kuhn: como reconhecer um conhecimento científico?


Karl Raimund Popper (1902 – 1994) foi um filósofo que está entre os nomes mais importantes do século XX em relação à tematização da ciência. Mais conhecido por defender o que foi chamado de “falsificacionismo”, Popper é uma das referências mais importantes quando o assunto é reconhecer um conhecimento cientifico, haja vista que o filósofo da ciência criou o critério que estabelece o que separa a ciência da não-ciência. De origem austríaca, o pensador naturalizou-se como britânico na década de 1940.

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Thomas Kuhn (1922 – 1996) foi outro filósofo da ciência, além de ter sido físico, e desenvolveu teorias importantes acerca do processo que leva ao desenvolvimento científico. Nascido nos Estados Unidos, Kuhn formou-se em Física pela Universidade de Harvard em 1943, instituição na qual também se tornou mestre, em 1946, e doutor em 1949. Em suma, trata-se de um dos maiores nomes quando o assunto é filosofia da ciência e referência absoluta acerca do que é ou não é ciência.

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Veja abaixo:

Popper e Kuhn: como reconhecer um conhecimento científico?

Para reconhecer o que é um conhecimento científico, segundo as referências teóricas de Popper, é preciso levar em consideração a teoria do falsificacionismo, que consiste na ideia sobre a capacidade de estar equivocado e na máxima de que a ciência é sempre passível de comprovação, isto é, pode ser testada, enquanto o conhecimento que não é científico não pode ser testado e, portanto, não pode ser considerado como ciência. Isto é, a ciência é algo que sempre pode ser refutado.

De acordo com a filosofia de Kuhn, por sua vez, uma ciência normal é aquela regida por um único paradigma. Isto é, para que um conhecimento seja considerado científico é preciso que exista um único paradigma com capacidade para apoiar as tradições na ciência normal. Para o físico e filósofo da ciência norte-americano, esse tal paradigma precisa estar sempre relacionado a embasamentos de experimentação. A visão de Kuhn era influenciada, principalmente, pela perspectiva historicista.

Isto é, para reconhecer um conhecimento científico apoiado nas teorias e reflexões deixadas pelos filósofos da ciência Popper e Kuhn é preciso colocar esse conhecimento à prova e submetê-lo a experimentações. Em suma, é ciência aquilo que pode ser comprovado e não é ciência o conhecimento que não pode ser submetido a testes de comprovação. De acordo com Kuhn, ainda, é preciso que haja a existência de uma corrente de hipóteses para que seja denominado de ciência.

Nesse sentido, vale ressaltar que houve um tempo em que a ciência era tida como uma verdade absoluta, principalmente pela própria comunidade científica da época, e é daí que vem a importância da teoria do falsificacionismo de Popper, de que o valor de um conhecimento científico não vem da observação das experimentações, mas, sim, da possibilidade desse conhecimento ser contrariado. Para Popper o conhecimento científico é sempre algo hipotético e nunca uma verdade absoluta, como acreditavam os indutivistas.

O que é e o que não é um conhecimento científico para Popper e Kuhn?

Para Popper, quanto mais um conhecimento pode ser falseado, melhor seria ele. Já para Kuhn, o critério mais importante é o de paradigma. Isso significa que para reconhecer um conhecimento científico em Popper é preciso testá-lo e comprová-lo, a fim de verificar se ele pode ser contestado, enquanto para reconhecer um conhecimento científico em Kuhn é preciso que haja a existência de um único paradigma, haja vista que o filósofo procurou levar em consideração o fator humano na criação da ciência.

Dessa forma, para Popper e a teoria do falsificacionismo, é conhecimento científico o tipo de conhecimento que pode ser submetido a testes de confiança; ou seja, o conhecimento que pode ser comprovado de fato. Enquanto que para o norte-americano Kuhn é preciso a existência de um paradigma para que seja considerado um conhecimento científico, isto é, de uma rede de hipóteses e crenças entrelaçadas, sendo que apenas os conhecimentos que tendem a fortalecer o tal paradigma podem ser considerados como ciência.
Ou seja, a conclusão em Popper e Kuhn sobre o que é e o que não é ciência, é a de que um conhecimento, para ser científico, precisa ser questionado em relação a diversos fatores, além de dar abertura a hipóteses. Disso tudo, o mais importante para compreender esses conceitos é entender que a ciência não é absoluta, mas sim fruto das experimentações dos homens, o que faz com que cada conhecimento científico possa ser questionado e até superado conforme o tempo passa e são realizados outros testes.

“O mundo de Ptolomeu não é o mesmo mundo de Copérnico” é uma das máximas de Kuhn, que vale para entender como as soluções promovidas pela ciência podem ser alteradas conforme o período histórico e avanço dos conhecimentos.