Sócrates e Platão: Relação Discípulo x Pensador


Sócrates e Platão

O principal legado de Sócrates é colocar o homem como centro da investigação filosófica, no que foi seguido por seu discípulo, Platão, responsável por transmitir suas ideias por meio de manuscritos e em suas aulas na Academia, espaço idealizado por ele próprio para a disseminação do conhecimento filosófico.

Sócrates nasceu em Atenas no ano de 469 a.C. Morreu, obrigado a beber a cicuta, acusado de afrontar as crenças, costumes e mesmo as divindades então aceitas. Teria o filósofo tentado introduzir novas divindades e corromper a juventude com suas ideias.

Sócrates foi o pai do debate sobre ética e virtude, da relação do indivíduo com o Estado, da fisiologia desse último e da construção de modelos políticos capazes de promover o bem-estar. Não obstante, há teses segundo as quais a condenação de Sócrates está relacionada à sua defesa de ideais não democráticos, que pregavam a divisão da sociedade em castas, com predominância de uma classe dominante, que teria total controle sobre todos os cidadãos.

Reconhecido como o precursor dos grandes filósofos, Sócrates sempre enfatizou que a principal verdade a ser reconhecida pelo sábio é a sua própria ignorância. Nos diálogos descritos por Platão, Sócrates desconstrói valores e conceitos por meio de perguntas que seus discípulos não conseguem responder, restando demonstrada a fragilidade de tais crenças.

Platão, o discípulo

Platão viveu entre 428 a.C e 348 a.C. Sua obra manuscrita é dividida entre a reprodução do pensamento do mestre Sócrates e a sua própria produção filosófica.

Os diálogos foram a técnica de transmissão dos ensinamentos platônicos. Platão deu um toque pessoal ao modelo de sociedade defendido por Sócrates. Em Platão, a classe dominante deveria ser formada por filósofos, únicos capazes de promover a justiça e a verdade, dois paradigmas a serem perseguidos pelo homem na visão da moral platônica.

A verdade e a justiça são as verdadeiras virtudes, mas só é possível percebê-las, na visão de Platão, por meio do afastamento do indivíduo dos sentidos e dos próprios preconceitos. O mundo real não é, na visão de Platão, aquele que é percebido pelo senso comum.

Esse raciocínio está descrito na alegoria da caverna, em que os prisioneiros são capazes de perceber apenas as suas impressões do que ocorre lá fora, que é o real. São influenciados, ao contrário, pela luz e pela posição que ocupam, de frente para o fundo da caverna, onde se refletem os movimentos exteriores. O filósofo é aquele que escapa para ver a realidade como é de fato e poder, com isso, orientar os demais.