Características, Solos e Vegetação da Mata Atlântica, Araucárias e Pradarias


Mata Atlântica em 1500, época do descobrimento e hoje

A área denominada como terras altas do Sudeste atua como divisor de águas de várias bacias hidrográficas: bacia do São Francisco, bacia do Paraná, Secundárias do Leste (Paraíba do Sul, Doce) e Sul. A maior parte dos rios apresenta cheia de verão e vazante de inverno, correm sobre planaltos, apresentando cachoeiras, quedas ou saltos e corredeiras, o que lhes atribui um elevado potencial hidráulico.

Características, Solos e Vegetação

O clima tropical litorâneo úmido, superúmido e de altitude, influenciado pela corrente marítima quente do Brasil e pela massa Tropical Atlântica apresenta-se bastante afetado por chuvas frontais e orográficas de maior ocorrência no verão. Na Zona da Mata Nordestina, as chuvas concentram-se no outono e inverno.

A cobertura vegetal por excelência desse domínio é a Floresta Tropical de Encosta, a Mata Atlântica de característica latifoliada, perenifólia, higrófita e bastante heterogénea. No passado recobria toda a área de norte a sul e exibia árvores l imponentes como perobas, figueiras, jacarandás, jatobás, jequitibás, pau-d’alho etc. Atualmente encontra-se reduzida a cerca de 5% do total original (veja os mapas).

Com a ocupação veio a devastação, que nesse caso, primeiro se deu com a extração do pau-brasil e posteriormente com a agricultura comercial da cana-de-açúcar no Nordeste e o café no Sudeste. Nas terras altas do Sudeste, o clima é o tropical de altitude, cujas médias térmicas anuais ficam entre 14 °C e 22 °C. No inverno, as médias térmicas são mais baixas, devido a ação combinada da altitude e da massa de ar Polar Atlântica (mPa). No litoral do Sudeste, por influência da Serra do Mar a pluviosidade é elevada (chuvas orográficas). Itapanhaú, cidade do litoral paulista registra os maiores índices pluviométricos do Brasil, superando os 4. 500 milímetros anuais.
Geografia

O DOMÍNIO DAS ARAUCÁRIAS

Esse domínio corresponde a área de ocorrência da Mata das Araucárias ou do Pinheiro-do-Paraná assentado sobre os Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná, cuja estrutura geológica alterna camadas de arenito e basalto que contribui para a existência da terra-roxa, solo de grande fertilidade natural, decorrência de sua constituição argilosa e do alto teor de ferro.

Também conhecido como Planalto Meridional, : compreende terras da porção meridional do Centro-Oeste brasileiro, pequeno trecho de Minas Gerais, parte ocidental de São Paulo até o Rio Grande do Sul. Sua borda oriental mais elevada impulsiona os rios dessa região para o sentido oeste, como os que formam a bacia do Rio Paraná e do Rio Uruguai. Corresponde a bacia sedimentar Paranaica, cujos terrenos são recobertos, em parte, por lavas vulcânicas da era Mesozoica.

Do ponto de vista das médias térmicas, o Sul do Brasil caracteriza-se por apresentar valores anuais quase sempre inferiores a 18°C, com variações determinadas pela altitude e distância do mar. A amplitude térmica anual é mais acentuada que no restante do país, aproximando-a, nesse particular, das médias latitudes.

As precipitações são superiores a 1.250 mm e distribui-se com relativa uniformidade ao longo do ano. Apesar de não se definir uma estação seca, as máximas tendem a se situar em dezembro/janeiro no norte da região, passando para junho/julho no extremo sul.

•            Planalto Arenito-basáltico – abrange a parte mais ocidental do Planalto Meridional, é de formação sedimentar e foi recoberto por lavas vulcânicas (Derrame de Trapp) que originou o basalto e consequentemente o solo de terra roxa de grande fertilidade no Brasil.
•            Depressão Periférica – é a área que separa o Planalto Meridional do Planalto Atlântico, sua sedimentação ocorreu de forma assimétrica,
inclinando-se na direção oeste, o que originou a forma típica de cuestas que neste trecho recebe erroneamente o nome de serras de Botucatu (São
Paulo) ou Geral (no Paraná). Esse domínio está associado à presença do clima subtropical úmido com chuvas bem distribuídas no decorrer do ano e elevadas amplitudes térmicas influenciada pela massa Polar Atlântica.

A hidrografia desse domínio é composta pelas bacias dos rios Paraná e Uruguai. Os rios, em geral, são de planaltos com elevado potencial hidráulico, além de raras belezas naturais como as Cataratas do Iguaçu (foto). O rio Paraná e alguns de seus afluentes apresentam regime tropical, com cheias de verão. Todavia, demais afluentes dessa bacia, localizados nas médias latitudes e a bacia do Uruguai são de regime subtropical com duas cheias e duas vazantes anuais, consequência do regime de chuvas que é bem distribuída durante o ano e resulta, portanto, em pequena amplitude em sua vazão.

O Brasil subtropical começa numa faixa de latitude correspondente à posição dos estados de São Paulo e Paraná, a partir da qual o domínio da massa Polar Atlântica e dos sistemas atmosféricos extratropicais passa a ser preponderantes. A massa Tropical Atlântica atua com vigor ao longo da costa, intensificando a precipitação nas encostas voltadas para o oceano. O anticiclone migratório polar (frente polar) afeta com regularidade a região, principalmente durante o outono e o inverno quando é comum a ocorrência de geadas em todo o Sul e mesmo de neve, sobretudo, na região serrana
Importante ressaltar que os afluentes da margem esquerda do rio Paraná originam-se nos Planaltos e Serras Atlântico Leste-Sudeste em áreas de boa pluviosidade. Por essas características físicas associadas à localização geográfica próxima aos grandes centros consumidores essa bacia é a que tem o maior potencial hidrelétrico instalado no País.

A cobertura vegetal desse domínio fica a cargo da floresta subtropical brasileira. Formação vegetal relativamente homogênea com o predomínio da Araucária Angustifólia, espécie aciculifoliada e única representante brasileira de conífera que aparece associada a outras espécies como a erva-mate, cedro, imbuía, canela e é o habitat da Gralha Azul, ave conhecida como responsável pela dispersão das sementes da araucária.

A Mata de Araucária sofreu uma grande devastação e dela restam apenas alguns pequenos núcleos de floresta que corresponde a menos de 4% do total original. O seu desaparecimento deve-se à extração da madeira e a expansão da agricultura, que primeiramente era formado pela pequena produção familiar comercial desenvolvida pelas famílias dos descendentes de imigrantes que ocuparam o sul do país e mais tarde pela introdução do capital na agropecuária com a mecanização da atividade.

DOMÍNIO DAS PRADARIAS

O domínio morfoclimático das Pradarias corresponde à paisagem também conhecida como Campanha Gaúcha, Coxilhas ou Pampa Gaúcho e tem sua localização no extremo sul do Brasil, sendo, na prática, um prolongamento do Pampa argentino e uruguaio.

Trata-se de um domínio típico de clima subtropical com reduzida umidade, localizado sobre uma extensa área planáltica de altitudes modestas onde se destacam colinas onduladas denominadas coxilhas e possui solos de boa fertilidade. Sobre esse relevo desenvolve-se uma vegetação herbácea (campestre) formada por gramíneas com pouca ou nenhuma vegetação arbustiva, a não ser ao longo dos cursos d’água caracterizando as matas galerias ou ciliares. A drenagem existente é perene com rios de grande vazão, como o rio Uruguai, o Ibicuíe o Santa Maria. Da vegetação original restam apenas cerca de 2% e seu desaparecimento esteve relacionado com a prática da pecuária extensiva de corte de bovinos e ovinos e a expansão da agricultura comercial, principalmente os cultivos de trigo e da soja.

Como resultado de uma utilização sem controle do solo, surgiu um grave problema erosivo formado por ravinas e posteriormente voçorocas, que com sua rápida ampliação associado ao um contínuo processo de arenização estão formando um deserto no pampa gaúcho.