Pantanal Mato-Grossense


O Pantanal Mato-Grossense é uma das regiões mais importantes do mundo pela diversidade de sua flora e fauna típicas e suas paisagens espetaculares. Sua planície é inundável e possui leves ondulações, que são complementadas por depressões rasas e alguns morros, os quais permitem definir limites de chapadas, serras e rios.

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O local tem duas paisagens diferentes durante o ano, com a fase seca e a chuvosa. No período de seca as águas se reservam apenas ao leito dos rios e suas lagoas, permitindo que uma vegetação gramínea de cerrado seja exposta. Nesse período também é possível ver melhor a fauna, que inclui onças e jacarés. Já no período de chuvas, as depressões são inundadas e formam novas lagoas que apresentam cores distintas em tons de verde, amarelo, azul, vermelho e até preto. Em ambos os períodos, o Pantanal é um dos mais belos espetáculos do planeta.

Pantanal Mato-Grossense, uma beleza mundial

A alta temporada do Pantanal Mato-Grossense vai de julho a outubro, onde o período de seca permite ao visitante observar melhor a magnífica flora e fauna presentes e que tornam o lugar único no mundo. Afinal, são 150 mil quilômetros quadrados de bioma, que estimulam o turismo ecológico e levam a experiências bucólicas e aventureiras.

A região é Patrimônio Natural Mundial e Reserva da Biosfera pela UNESCO, constituída por uma savana estépica com um terreno plano, que é alagado a maior parte do ano. Fica no sul do Mato Grosso e noroeste do Mato Grosso do Sul, também se estendendo ao norte do Paraguai e leste da Bolívia.

O local representa 2% de todo o território nacional e é considerada transição entre vegetação e clima da Amazônia com o Cerrado e o Chaco. O local é alagado pela lentidão da drenagem das águas obtidas pelas chuvas. Como chove muito no período de novembro a junho, ele está sempre alagado.

Não é possível identificar com precisão o tamanho real de toda a região do Pantanal, que muda conforme as enchentes e as secas acontecem, sempre com uma nova paisagem que vão ganhando ou perdendo espaço. Mas a região é subdividida pela microrregião do Alto Pantanal, no Mato Grosso, e as microrregiões do Baixo Pantanal e Aquidauana, no Mato Grosso do Sul.

O Alto Pantanal tem população estimada em 136 mil habitantes, distribuídas nas cidades de Barão de Melgaço, Cárceres, Poconé e Curvelândia. No Baixo Pantanal são cerca de 146 mil habitantes nos municípios de Corumbá, Ladário e Porto Murtinho. Já em Aquidauana são 110 mil habitantes nas cidades de Anastácio, Miranda, Dois Irmãos do Buriti e Aquidauana.

Um bioma único

Mesmo se estendendo a outros países e recebendo outro nome, a maior parte do Pantanal se concentra mesmo no Brasil, com média de 125 milhões de metros quadrados. Como as águas são o principal elemento do Pantanal, ele está sempre a mercê de sua influencia, principalmente sobre as chuvas e os rios. São 180 rios em toda sua extensão, de vários portes, e o principal é o Rio Paraguai.

Com tantos rios e uma geografia diferenciada, a região se divide entre as áreas alagadas onde predominam as gramíneas; as predominantemente alagadas com vegetação rasteira, arbustos e palmeiras; e as que não sofrem inundações que ficam na área do cerrado. Elas compõem as mais de 3500 espécies de plantas, sendo higrófilas ou xerófilas.

O bioma do Pantanal é constituído por uma fauna com mais de 650 espécies diferentes, sendo 262 de peixes, 110 de borboletas, 80 de mamíferos e 50 répteis. Também é formando pelas províncias biogeográficas do Cerrado, Amazônia, Mata Atlântica e Chaco, com florestas pluviais atlânticas, xerófila decídua, scrub espinhoso, scrub suculento, savana central, consorciações de copernícia, mauritia, gramineanse entre outras e comunidades hidrófilas.

O Pantanal é bastante úmido mesmo no inverno, devido à evapotranspiração que surge pela água acumulada no solo. Como uma grande parte da região é arenosa, as pastagens nativas acabam surgindo em abundância e sendo propicia para a criação de gado, que começou com colonizadores da região e hoje há várias fazendas de bovinos.

Muitos animais vivem no Pantanal com uma razoável quantidade como o cervo-do-pantanal, a capivara e o tuiuiú. Mas mesmo com toda a proteção dada pela Unesco e pelo Governo Federal, há ainda muitos caçadores e tráfico de animais que são os principais perigos de espécies como a belíssima Arara Azul, que possui tonalidades de azul em suas penas e é a maior do planeta e o Tucano Toco, de bico longo alaranjado e grande predador de ovos e filhotes de outras aves.

Símbolo do Pantanal, a onça pintada é outro animal em extinção que escolheu a região para morar e tem papel fundamental para a preservação do seu ecossistema. Também muito conhecido, o jacaré do Pantanal fica mais visível em períodos de chuva, na beira dos lados. No período de estiagem ele costuma se enterrar em lamaçais para se proteger do sol e da caça.

Um paraíso no interior

Por possuir alguns animais marítimos em sua região e ser conhecido como um “mar interior”, por muito tempo se pensou que o Pantanal fazia parte do Oceano, sendo separado dele há milhões de anos. A área se abateu por falhamentos de blocos no período terciário, o que provocou as suas depressões e outros.

O ouro, as pedras e metais preciosos encontrados ali acabaram atraindo o português Aleixo Garcia, ainda em 1524, dando início a várias outras expedições de portugueses e espanhóis. Só entre os períodos de 1878 a 1930 a cidade de Corumbá, uma das mais importantes do Pantanal, ganhou importância por servir de elo comercial, perdendo espaço para as futuras capitais Cuiabá e Campo Grande.

Com o incentivo para expansão em 1960, criada pelo governo, a região começou a aumentar sua população e projetos agropecuários, que também trouxe o risco de ameaça a biodiversidade. Dessa forma, a Embrapa criou um centro de pesquisa na região para ativar tecnologia sustentável ao Pantanal.

Sua cultura é bastante representada pela culinária, com alimentos típicos da região e influencias do Sul e do Norte do Brasil. Comidas como o sarrabulho e o caldo de piranha pantaneiro são muito conhecidas.

Propício ao turismo ecológico, a região tem mais de 63 hotéis e pousadas que oferecem passeios de barco e outros para contemplação da natureza.