Tendências atuais das migrações no Brasil


Quando se fala em migrações é necessário avaliar não apenas o contexto social, e no nosso caso nacional, mas também fazer um esforço no sentido de entender as diversas transformações que tiveram origem a partir da “nova ordem internacional na divisão social do trabalho”.

É importante ressaltar que não se pode mais explicar as migrações no Brasil apenas tendo como base a dinâmica da economia brasileira, mas é claro que não podemos nos esquecer do capitalismo, que com todos os seus rearranjos trouxe uma nova dinâmica a esse fenômeno.

Tendências atuais das migrações

O caso do Brasil: comparando o Século XX e o XXI

Há diversos estudos que contemplam as migrações internas no Brasil, principalmente, entre a década de 1970 e o ano 2000, mas, o período de maior explosão, certamente, foi em 1990. É claro que de lá para cá muita coisa mudou, mas mesmo assim, tais estudos podem nos auxiliar a compreender o cenário que tem se desenhado no Século XXI.

No que tange as migrações internas, diversos são os motivos para que o Século XX tenha sido completamente diferente do atual, um deles, inclusive, relaciona as migrações com a dinâmica da economia global e local, porém, não caracteriza a mesma como a única responsável por tudo.

Perfil do migrante brasileiro

Em 2013 o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) realizou um levantamento sobre o fluxo migratório no país, e o resultado apontado pelos números revelou uma queda no movimento entre estados.

Ainda de acordo com essa mesma projeção o Nordeste lidera o ranking entre as regiões de onde mais saem migrantes, sendo a Bahia o estado com maior movimentação nesse sentido

O perfil do migrante também mudou, e o que antes era caracterizado por pessoas de baixa renda que saiam em busca de melhores condições de vida, hoje tem como representante um profissional qualificado que vai em direção dos grandes centros procurando melhores oportunidades de carreira, é o que revela um estudo do Instituto Econômico de Pesquisa Aplicada (IPEA).

Os estados de onde mais saem migrantes são Bahia e Maranhão, em contrapartida os destinos mais procurados são Brasília, São Paulo, Curitiba e Florianópolis.

Já se pode ressaltar essa mudança no perfil dos migrantes brasileiros como uma das tendências do movimento no Século XXI.

Outra importante mudança ocasionada foi o desenvolvimento das cidades localizadas no entorno das capitais destino, o que levou tais regiões a um rápido desenvolvimento e crescimento econômico.

Mas não pense você que o cenário tende a continuar assim nos próximos anos. De acordo com prospecções do IBGE tão logo as condições de infraestrutura, distribuição de renda, acesso a educação, trabalho e saúde melhorem os movimentos migratórios tendem a diminuir, até tornarem-se cada vez mais raros.

Mudanças no Século XXI

Como já pudemos observar, o movimento migratório no Brasil sofreu transformações, principalmente, nas últimas décadas. Não apenas o perfil do migrante, mas também o motivo pelo qual as pessoas se locomovem vem mudando.

Para diversos especialistas, assistimos a um tipo de migração reversível. Lembra quando, no tópico anterior, falamos sobre sair em direção a determinada região para buscar mais chances na carreira? Pois bem, é exatamente isso. Para os especialistas, tão logo as pessoas tenham acesso a melhores condições – de saúde, educação e trabalho, por exemplo – a tendência é que os migrantes voltem a suas terras natais, ou mesmo, nem sequer saiam delas.

Mas é bom deixar bem claro, as prospecções indicam uma diminuição no número de migrantes, mas isso não quer dizer que vamos chegar a zero, ou seja, o movimento não tende a se estagnar.

Uma das próximas tendências é que os grandes centros deixem de ser os destinos principais. Obviamente, que São Paulo sempre receberá muitos migrantes, mas, ao mesmo passo que outras pequenas cidades do Sudoeste também devem receber. A esse comportamento podemos denominar de “interiorização migratória”, ou ainda, “dispersão migratória metropolitana”.

Concluindo

Como é de se esperar o cenário mudou muito em um século, o que fez com que novas tendências surgissem e que antigos paradigmas fossem sendo deixados de lado. Já não temos mais migrantes sem estudo, ou qualificação profissional, pelo contrário, enquanto os profissionais dos grandes centros vão embora para o exterior, os das pequenas cidades tentam o seu “lugar ao sol” nessas capitais.

Além disso, cidades nos arredores, e mesmo no interior desses grandes centros, também tem recebido migrantes em busca de uma vida melhor.

O terceiro ponto se refere ainda a tendência reversível que tal movimento tem adotado, portanto, tão logo a situação melhore os migrantes voltam a sua terra natal.

Pode até ser que o número de migrantes entre estados brasileiros diminua, mas, certamente jamais esse fenômeno terá fim, afinal, ainda há muito que ser melhorado para que milhares de brasileiros e brasileiras não deixem o conforto de seus lares em busca de uma vida melhor.