A questão da Irlanda


Irlanda

A Irlanda (chamada também de República da Irlanda) é um país europeu sendo um dos mais desenvolvidos do mundo todo. Inclusive, a Irlanda ocupa a décima primeira posição no ranking mundial do IDH, ou seja, índice de Desenvolvimento Humano. É um país democrático que segue o parlamentarismo como forma de governo, ou seja, além da figura do presidente, que atua como chefe de estado, há também a presença fundamental do primeiro ministro e um parlamento, que funciona como se fosse um congresso, comparando com o Brasil.

 

Irlanda

Atualmente, a Irlanda é um membro importante da União Europeia e também do Conselho da Europa. Além disso, o país tem representatividade na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na Organização Mundial do Comércio (OMC) e na Organização das Nações Unidas (ONU). Dublin é a capital da Irlanda e a população estimada do país é algo em torno dos 5 milhões de habitantes.

A questão da Irlanda

Agora que você já conhece um pouco mais sobre esse país e tem informações gerais a respeito dele, é hora de explorarmos um pouco a chamada “Questão da Irlanda”, um conflito contemporâneo que se faz presente entre os irlandeses. Embora essa seja uma questão recente, para compreender como ela surgiu, é necessário olhar para o passado desse país. No século XII, o território que hoje corresponde à Irlanda, um país soberano, sofreu a dominação britânica com o rei Henrique II. Foi um período em que as monarquias nacionais estavam em voga, portanto, as potências da época dominavam países menores e menos poderosos.

A dominação da Irlanda pelo império britânico foi oficializada por meio da assinatura de um documento chamado “Tratado de Windsor”. Esse tratado determinava que, entre outras coisas, a Inglaterra teria pleno direito de estabelecer as suas próprias leis dentro da Irlanda. O objetivo disso, naquele momento, era o aumento do poder do rei, em uma época em que o feudalismo já começava a dar sinais de seu declínio.

Pois bem, continuando com a história, alguns séculos mais tarde, já no século XVI, os movimentos protestantes começam a aflorar pela Inglaterra e a consequência disso foi o estabelecimento do Anglicanismo como a religião oficial daquele país (o rei criou uma nova religião para que pudesse submeter a Igreja ao Estado e dissolver o casamento com a esposa, já que o catolicismo nunca permitiu isso). Porém, na Irlanda, a maioria da população pertencia à Igreja Católica Apostólica Romana, e simplesmente resistiu a essa mudança e a obrigação de seguir o anglicanismo.

Impor o anglicanismo na Irlanda seria mais uma forma de reafirmar o poderio inglês sobre aquele país e talvez eles não contassem que fossem se deparar com tamanha resistência. No século XVII, essa tensão entre britânicos e irlandeses aumentou ainda mais, quando o rei Jaime I começou o propósito de colonização da região de Ulster, ignorando totalmente a Irlanda. Entre 1640 e 1650, os irlandeses se rebelaram várias vezes, sendo sempre duramente reprimidos pelos ingleses, que inclusive passaram uma parte do território da Irlanda para os produtores rurais britânicos.

A situação se agravava a cada ano que passava, pois a própria economia irlandesa acabou sendo muito prejudicada com essa realidade. E é por isso que durante o século XIX, os movimentos continuaram pelo país. A população continuou lutando por melhores condições econômicas e menos intervenções do estado britânico. Em 1829, um movimento de caráter nacionalista já conseguia garantir alguns direitos para os irlandeses, como por exemplo, a ocupação de cargos públicos. Em meados do século XIX, a fome e a disseminação de algumas doenças foram fatores que mataram quase um milhão de irlandeses em um período curtíssimo na ilha irlandesa.

O tempo continuou passando e já no começo do século XX mais um movimento nacionalista conseguiu promover a eleição de vários irlandeses para o parlamento, garantindo que eles tivessem muito mais representatividade própria, enfraquecendo a dominação britânica intensa que vigorara até então. O chamado Sinn Fein foi esse novo partido que fez tanta diferença, inclusive, proclamando a independência da Irlanda de forma unilateral, mas já bastante tarde em comparação com outras colônias, pois o ano já era 1919!

Com muito confronto e luta, os britânicos reconheceram a Irlanda como um país independente no ano de 1921. Já 1937 foi outro ano bem marcante, pois a primeira constituição reafirmou a Irlanda como um Estado soberano. Mais alguns fatos foram grandiosos depois disso, como a independência de Ulster com a criação da Irlanda do Norte já em 1949. Os confrontos provocados pelo IRA (uma organização terrorista que exigia o completo fim de qualquer intervenção inglesa na Irlanda) continuaram sendo motivos de preocupação, até o final dos anos 90, quando a integração entre as economias europeias conseguiram “acalmar” esse tipo de movimento.

Mas se a Irlanda já se tornou um país independente da Inglaterra e se os movimentos terroristas foram contidos, porque a Questão da Irlanda continua sendo considerada algo atual? A resposta não é tão complexa. Por mais que os grandes movimentos radicais tenham se enfraquecido ao longo do tempo, a Irlanda ainda convive com grupos menores, mas igualmente radicais e intolerantes, que usam do discurso da violência para pregar a total autonomia. Muitas vezes, o objetivo original acaba se perdendo em meio a atos de puro vandalismo e violência, que continuam sendo um desafio para o estado irlandês.

No entanto, mesmo esses movimentos menores que ainda se fazem presentes, estão com a sua manifestação cada vez mais reduzida o que indica que a chamada Questão da Irlanda provavelmente chegue ao fim nos próximos anos. A análise interessantíssima que cabe nesse assunto é como um conflito que começou há tanto tempo, no século XII, ainda se faz presente até hoje. Como a questão ideológica e o desejo de autonomia são fatores capazes de mobilizar lutas nos mais diferentes países do mundo, que têm em comum o fato de exigirem e lutarem pela sua soberania.

Mesmo um país considerado tão bem sucedido no cenário mundial, não está livre dos seus problemas e de ter que buscar melhorias, como em qualquer outro!