A questão da Palestina


Com a efetivação do estado de Israel, os palestinos haviam se transformado em uma nação sem pátria. Eles ficaram espalhados pelas áreas ocupadas por Israel e pelos países vizinhos, principalmente no sul do Líbano, na Jordânia, no Egito e na Síria. Não foram totalmente incorporados à população destes países e acabaram entregues aos campos de refugiados, sofrendo com más condições de vida e a discriminação social.

A história da Guerra na Palestina

Na década de 50 foram se constituindo organizações para lutar pela formação do estado palestino no Oriente Médio. Em 1959 formava-se a Fatah, organização militar que tinha como objetivo eliminar o estado de Israel e criar em seu lugar o palestino. Em 1964, os países árabes apoiaram a formação da Organização para Libertação da Palestina, a qual passou a envolver as organizações menores, como a Al Fatah.

Palestina

A partir da Guerra dos Seis Dias e, principalmente com a Guerra do Yom Kippur, os palestinos se viram sozinhos em sua luta direta contra Israel e passaram a optar por uma linha mais diplomática. O líder da OLP, Yasser Arafat, foi quem conseguiu transformar a organização que havia surgido com o objetivo de eliminar Israel através da luta armada, em um estado Palestino sem território. A partir de 1874, a OLP passou a ser reconhecida pela Organização das Nações Unidas e pela maioria dos países do mundo como representante legitima dos interesses do povo palestino. Desde então ocupa um lugar na Assembleia Geral da ONU como observadora.

Por outro lado, Israel, mantendo sua postura de não negociar com os palestinos, não reconheceu até a década de 90 a legitimidade da OLP. Ao invés disso, continuou tratando seus integrantes como terroristas inimigos, mesmo depois de os líderes da organização proibirem esse tipo de ação. Em 1982, Israel invadiu o sul do Líbano, onde estava sediada a OLP e expulso de lá seus integrantes. A sede da organização passou a ser na Tunísia e a imagem de Israel perante a opinião pública internacional foi ainda mais prejudicada.

Com o reconhecimento de sua causa por causa da ONU e a intransigência de Israel, a população palestina residente nos territórios ocupados de Gaza e da Cisjordânia, iniciou uma série de revoltas em fins da década de 80. Com o nome de Guerra das Pedras este conjunto de revoltas populares que durou mais de dois anos, foi composto de greves, passeatas e outros protestos de rua. O exército israelense reagiu violentamente aos protestos, causando centenas de mortes.

No início da década de 90, vários foram os fatores que levaram à assinatura de acordos entre Israel e a OLP. A pressão externa sobre os judeus foi ficando cada vez maior, posto que a política dos Estados Unidos passou a ser a pressão pela paz, uma vez que a cada conflito na região os preços do petróleo sobrem. Dentro do país, o Likud (partido de direito israelense contrário aos acordos com a OLP) foi perdendo apoio da população que estava cada vez mais cansada do permanente clima de guerra.

Entre 1992 e 1995, foram assinados dois acordos entre o líder palestino, Yasser Arafat, e o primeiro-ministro israelense, Yutzhak Rabin. Por causa das negociações terem se dado na capital norueguesa, eles ficaram conhecidos como Acordos de Oslo. O primeiro deles dava autonomia aos palestinos da Faixa de Gaza e da região de Jericó. Já no acordo de 1995, que deveria definir a devolução do restante da Cisjordânia aos palestinos, os judeus não se mostraram dispostos a fazê-lo por completo.
Fatores recentes

Nos últimos anos as negociações entre os palestinos e os israelenses têm como objetivo resolver dois grandes problemas: a situação dos colonos israelenses instalados na Cisjordânia e a de Jerusalém, cidade sagrada para os dois povos.

Quanto aos colonos da Cisjordânia, as últimas propostas feitas por Israel procuram manter algumas áreas nesta região, o que dá a Israel a possibilidade de continuar a utilizar as águas da bacia do rio Jordão. Em troca, Israel se propõe a ceder áreas não habitadas de seu próprio território.

Já em relação a Jerusalém o problema é mais complexo. A cidade é repleta de símbolos sagrados para ambas as religiões. Locais como o Muro das Lamentações, o Santo Sepulcro, as mesquitas muçulmanas e as sinagogas judaicas, atraem milhares de fies o ano todo, sendo assim um ponto delicado das negociações. Para os judeus, a cidade é indivisível e não há o que negociar. A proposta dos palestinos é que se divida a cidade de acordo com as fronteiras existentes até 1967, quando Israel invadiu o lado leste de Jerusalém, até então sob o domínio da Cisjordânia.

No segundo semestre de 2000, quando as negociações pareciam caminhar para um acordo de paz definitivo, estouraram nas regiões da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, novos protestos por parte da população palestina.