Agentes externos do relevo e Ação do Homem (Antrópica)


Agentes externos do relevo

Os agentes externos modificam o relevo terrestre. A modificação é, normalmente, lenta, constante e tende a aplainar o relevo. Embora a atuação dos agentes exógenos ocorra em conjunto, é fundamental entender o trabalho específico de cada um deles. Os agentes externos são o intemperismo, a ação das águas (rios, chuvas, oceanos), os ventos, as geleiras e os seres vivos.

Agentes externos do relevo

Erosão  pluvial

O impacto das gotas de água da chuva num solo sem cobertura vegetal quebra a estrutura física desse solo, causando um fenômeno conhecido como erosão laminar. As águas das chuvas atuam ainda no relevo por meio das enxurradas ou torrentes, que desgastam o solo e as rochas nas partes altas (erosão) e depositam os sedimen­tos nas partes baixas (sedimentação). Esse trabalho pode acarretar a formação de voçorocas e causar deslizamen­tos, entre outras coisas.

Existem, ainda, diversos outros tipos de costas resul­tantes das variações ou oscilações do nível do mar. Nas costas de submersão (ou transgressão), em que o nível do mar subiu em relação ao continente, podem-se formar fiordes, rias e dálmatas. Nas costas de emersão (ou re­gressão), quando o mar recua e baixa seu nível, podem-se formar os recifes (de arenito ou de corais). Paisagem das Ilhas Lofoten, no norte da Noruega. As antigas geleiras formaram os fiordes, hoje invadidos pelo mar, e os círculos profundos ao sopé das montanhas. As cidades de pescadores instalam-se, geralmente, nas pequenas ilhas que se encontram na desembocadura dos fiordes.

Abrasão ou  erosão marinha

As águas oceânicas realizam um trabalho de erosão nas costas altas ou de abrasão (falésias, no Rio Grande do Sul, e barreiras, no Rio Grande do Norte) e um traba­lho de sedimentação nas costas baixas, formando praias, restingas e tômbolos.

Erosão glacial

A erosão causada pelo gelo se dá por compressão, isto é, solidificação do gelo entre as fendas, gerando a fragmentação das rochas; ou por desgaste mecânico, quando há o deslocamento de massas de gelo sobre as rochas. Se forem geleiras continentais (ou inlandsis} pró­ximas ao litoral, parte delas se rompe, formando os ice-bergs (grandes blocos de gelo de água doce que desli­zam para o mar). Se forem geleiras de regiões montanho­sas (alpinas ou de vale), ao descerem, transportam gran­de quantidade de rochas e fragmentos que originam as morainas (ou morenas). Os vales originados pela erosão glacial têm formato de U.

Falésias na Califórnia, EUA. As falésias são costas altas e abruptas resultantes do trabalho de erosão marinha. No Brasil, podem ser formadas por rochas sedimentares (as barreiras sedimentares do lito­ral nordestinho), magmáticas (os costões ou falésias cristalinas do litoral sudeste-sul) e vulcânicas (as falésias basálticas do litoral sul do país).

Duas geleiras encontram-se nas montanhas suíças, e suas morenas laterais convergem, formando uma faixa escura no meio, a morena média. Nos locais onde se encontram várias geleiras, ocorrem muitas faixas como essa.

Erosão eólica

A erosão eólica inicia-se quando o vento varre parte da superfície (deflação) transportando os detritos que se chocam com outras rochas, desgastando-as (corrasão). Um bom exemplo dessa formação é “A Taça” em Vila Ve­lha (PR). A ação erosiva do vento sobre o relevo pode originar formas bastante pitorescas como essa.

No trabalho de depósito das partículas transportadas pela erosão eólica, em decorrência do surgimento de obs­táculos em sua trajetória, originam-se novos relevos, como as dunas ou os loêss (solo muito fértil, comum nas planí­cies chinesas). A erosão eólica é mais intensa em regiões desérticas ou com pouca cobertura vegetal.

Ação do homem e dos demais seres vivos

A intervenção do homem, ou ação antrópica, sobre o relevo é a mais intensa: destrói morros e florestas, cons­trói aterros e estradas, cria paisagens artificiais, etc. Como ação dos demais seres vivos, pode-se citar o trabalho de construção realizado pelos corais. No Brasil, o Atol das Rocas é uma ilha formada por recifes de corais. A vegetação tem uma função fundamental na conser­vação das formas de relevo. Nas margens dos rios ou nas barrancas, ela protege o solo da erosão; nas encostas de planaltos, de serras e de montanhas, impede os desliza­mentos da terra.