Agricultura: Fatores que Influenciam, Classificação da Atividade Agrícola e Sistemas Agrícolas


A agricultura mundial apresenta um desenvolvimen­to desigual nas diversas regiões da Terra, fruto da ação humana sobre a natureza ao longo da história. Aspectos físicos e ambientais, condições socioeconômicas, capitalização, disponibilidade de recursos na­turais, nível de desenvolvimento tecnológico, política agrícola, estrutura fundiária e relações de trabalho, são os principais fatores responsáveis pela produtividade agrícola diferenciada nas diversas regiões do globo.

Agricultura

Fatores naturais que influenciam na agricultura

Clima
As plantas agrícolas, assim como as silvestres, adap­tam-se a determinadas condições climáticas. Atualmen-te, a engenharia genética já consegue adaptar certas plan­tas a climas considerados pouco propícios ao cultivo. Existem produtos agrícolas típicos de climas quen­tes e úmidos, como cana-de-açúcar, seringueira, cacau, arroz e juta; outros preferem climas quentes e mais se­cos, como é o caso do algodão. Há, também, plantas ca­racterísticas de climas temperados, como o trigo, a be­terraba e a batata.

Solo

A fertilidade natural, a textura e a profundidade, entre outras características, fazem com que certas plantas se adaptem melhor a um ou a outro tipo de solo. O café, por exem­plo, adaptou-se muito bem à terra roxa do sudeste brasilei­ro. Com o uso de colagem e adubação adequadas, solos anteriormente considerados pobres, passaram a produzir grandes colheitas. É o caso dos solos dos cerrados, consi­derados atualmente grandes celeiros agrícolas do Brasil. O trigo, utilizado hoje para fazer o pão, desenvol­veu-se a partir do inter cruzamento acidental de varieda­des silvestres.

Fatores técnicos

No mundo atual, o desenvolvimento de novas tecnologias aplicadas à agricultura, como equipamentos so­fisticados, rotação de culturas, plantio direto, uso ade­quado de fertilizantes e máquinas agrícolas, irrigação, plantio em estufas, hidroponia, condições adequadas de armazenamento e transporte, financiamentos, etc. têm possibilitado a obtenção de grandes colheitas.

Deve-se salientar que o ser humano detém tecnolo­gia para alimentar, de forma adequada, toda a humani­dade. A fome que hoje atinge milhões de pessoas no mun­do é muito mais decorrente de fatores políticos e econômicos que propriamente da falta de alimentos. O que falta aos famintos hoje é dinheiro para comprar comida, uma vez que capacidade técnica para suprir o mundo de ali­mentos já existe. É importante destacar, também, que é possível produzir plantas típicas de climas mais quentes em climas tempera­dos, pois o ciclo vegetativo dessas plantas é curto, o que possibilita seu desenvolvimento nos períodos de primavera e verão, como é o caso da soja e do milho, entre outros.

Classificação da atividade agrícola

Entre os diversos critérios por meio dos quais é pos­sível classificar a atividade agrícola, estão o rendimen­to e a finalidade.

Agricultura de subsistência: A agricultura de subsistência é praticada essencial­mente para alimentar o agricultor e sua família. Por meio dessa prática, são cultivados vários produtos (policultu­ra) e o excedente é vendido ou trocado por outros pro­dutos. Esse tipo de agricultura ainda é muito praticado em países pobres.

Agricultura  comercial: Agricultura comercial é aquela voltada para o merca­do (comércio ou indústria). Trata-se de uma atividade empresarial e normalmente dedica-se à monocultura. Um exemplo típico é o cultivo de soja no Brasil. A agricultura comercial é mais praticada nos países desenvolvidos.

Rendimento – De acordo com o rendimento, a agricultura pode ser intensiva e extensiva.

Agricultura  intensiva: A agricultura intensiva utiliza tecnologia adequada e possibilita a obtenção de altos rendimentos. É praticada principalmente nos países desenvolvidos e em áreas de altas densidades demográficas. Na Ásia, os vales e deltas dos rios, além dos terra­ços, são cultivados intensamente. Este tipo de agricultu­ra, comum no sul e no sudeste da Ásia é denominada agricultura de jardinagem e emprega a técnica de terraceamento, que permite o aplainamento do terreno em degraus, feitos em curvas de nível.

Agricultura  extensiva: A agricultura extensiva emprega pouca tecnologia, aproveita principalmente o potencial natural. Esse tipo de agricultura é uma atividade agrícola praticada em áreas de baixa densidade demográfica.

Finalidade: De acordo com a finalidade, a agricultura pode ser classificada como agricultura de subsistência e agricul­tura comercial.

Sistemas  agrícolas

Roça tropical

É praticada especialmente nos países de clima tropi­cal e equatorial, emprega a técnica da coivara (queima­da da mata e posterior cultivo). Esse tipo de agricultura é conhecido como agricultura itinerante, pois quando o solo se torna enfraquecido em razão da não-utilização de tecnologias, faz-se necessária a derrubada de uma nova área de mata para o plantio.

Agricultura  irrigada

Típica dos vales de leitos fluviais ou dos terraços, característicos da Ásia, para o cultivo de arroz, essa for­ma de agricultura também é praticada em regiões áridas ou semi-áridas, como na Califórnia, em Israel ou no Vale do Rio São Francisco, no Brasil.

Plantation

Sistema introduzido pelos colonizadores europeus em suas colónias, o plantation ainda é praticado em grandes áreas da África, da Ásia e da América tropical. O siste­ma caracteriza-se pela monocultura de produtos tropi­cais (café, cacau, algodão, banana, cana-de-açúcar), des­tinados ao mercado externo, e pela exploração da mão-de-obra. Os exemplos mais conhecidos no Brasil são o cultivo da cana-de-açúcar, na Zona da Mata nordestina, e o cultivo de cacau, no sul da Bahia.

Agricultura   moderna

A agricultura atual é praticada com finalidade co­mercial, envolvendo grandes investimentos tecnológicos, a partir dos quais são obtidos altos rendimentos. As téc­nicas de armazenamento e a rapidez nos transportes oca­sionaram uma verdadeira revolução na agricultura. A revolução verde que começou a ser implantada na década de 1960 pode ser definida como o conjunto de esforços realizados para incrementar a produção agríco­la nos países em desenvolvimento, por meio de novas variedades vegetais, utilização de técnicas modernas, de fertilizantes, agrotóxicos e irrigação. Embora implemen­tada pela FAO (Organização de Alimentação e Agricul­tura da ONU), essa revolução beneficiou em primeiro lugar os setores favorecidos da agricultura, principalmen­te os grandes proprietários, as empresas agrícolas e as fornecedoras de insumos.

Infelizmente, o mundo subde­senvolvido, mais uma vez, serviu como ‘cobaia’ dos gran­des grupos internacionais que faturam alto, enquanto a fome continua a matar milhares de pessoas nos países em que a revolução verde foi implantada. O aumento da produtividade e da produção agropecuária é consequência da informatização dos maquinários, do controle mais eficiente de pragas e doenças e do desenvolvimento de plantas e animais mais resistentes, graças à biotecnologia e à engenharia genética.

Transgênicos

Tema muito polêmico, os transgênicos são plantas que têm sua estrutura geneticamente modificada para resistir a pragas, doenças e intempéries, podendo, ainda, ter seu po­der nutritivo potencializado. A falta de conhecimento dos efeitos a longo prazo so­bre o meio ambiente e sobre a saúde fez com que o Brasil e diversos países do mundo, principalmente os europeus, retardassem o plantio de transgênicos em escala comercial, exigindo mais pesquisas. Estados Unidos, Argentina e Ca­nadá figuram entre os países em que o plantio de transgê­nicos não sofre restrições, a não ser de grupos ambientalistas e de parte da comunidade científica.

Podem-se destacar como aspectos positivos das plan­tas transgênicas a elevação da produtividade, a redução do uso de agrotóxicos e, consequentemente, a redução dos custos de produção e das agressões ao meio ambiente. Um aspecto negativo, largamente divulgado pelos meios de comunicação, é o monopólio no controle das sementes. No Brasil, o detentor desse monopólio é a em­presa Monsanto, no caso da soja ready.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgou um estudo em 2001, por meio do qual concluiu que os ali­mentos transgênicos aprovados para a comercialização não fazem mal à saúde e, como reduzem o uso de agrotóxi­cos, contribuem para melhorar as condições ambientais. A partir de 2004, a ONU passou a apoiar o plantio e a comercialização de transgênicos que tenham sido pesqui­sados adequadamente.

Em março de 2005, a presidência da República san­cionou a Lei da Biossegurança, liberando plantio e co­mercialização da soja ready da Monsanto. Também auto­rizou a Comissão Técnica de Biossegurança a conceder novas autorizações, desde que devidamente estudadas. A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) está capacitada a atender às necessidades brasileiras com variedades transgênicas de diversas plantas. Por outro lado, vem aumentando significativamente o número de consu-midores adeptos da agricultura orgânica, sistema de pro­dução que não utiliza agrotóxico, emprega adubação or­gânica e faz o controle biológico de pragas e doenças.

Agricultura  e  protecionismo

Estudos desenvolvidos pela Organização para a Co­operação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) mos­tram que os países desenvolvidos gastam 360 bilhões de dólares por ano com o protecionismo agropecuário, na forma de subsídios aos seus agricultores. A União Euro­peia aplica 125 bilhões na área, ou seja, aproximadamente 40% das receitas dos agricultores europeus são oriundas do apoio governamental. Estados Unidos e Japão tam­bém aplicam grandes quantias em forma de subsídios.

O Brasil lidera um grupo de países que buscam, junto à OMC (Organização Mundial do Comércio), a redução global dos subsídios agrícolas e a remoção das barreiras protecionistas ao comércio de produtos alimentícios.