Características e Classificação do Relevo e da Hidrografia Brasileira


Relevo brasileiro: O relevo brasileiro apresenta altitudes modestas, em função da ausência de dobramentos modernos e do intenso processo de desgaste.

Classificação do relevo brasileiro: Para entender a moderna classificação do relevo bra­sileiro, é importante fazer um rápido retrospecto. Em 1949, o geógrafo Aroldo de Azevedo fez uma classificação didática, dividindo o Brasil em grandes unidades de relevo: planaltos (das Guianas, Central, (Atlântico e Meridional) e planícies (Amazônica, Costeira, do Pantanal e do Pampa). Em 1995, o discípulo de Aziz N. Ab’Saber, Jurandyr L. S. Ross, coordenou uma equipe que trabalhou sobre os resultados do Projeto Radambrasil e elaborou um novo mapa do relevo brasileiro.

Classificação do Relevo e da Hidrografia Brasileira

As classificações anteriores eram feitas com base em dados obtidos após longas viagens. O novo mapa resultou de um meticuloso levantamento do relevo do país, basea­do em fotos aéreas. Portanto, a nova classificação do relevo identifica com clareza os diferentes tipos e as verdadeiras dimensões das unidades do relevo existentes no país.

Dentre as principais modificações, podem ser citadas: a Planície Amazônica, que abrangia uma área de aproxi­madamente 2 milhões de quilómetros e ficou reduzida a apenas 5% da referida área; o Planalto Central foi dividi­do em doze unidades morfológicas distintas; o Planalto das Guianas e o Planalto Meridional deixaram de existir.

Na classificação de Jurandyr L. S. Ross, foi introdu­zida uma nova conceituação de relevo.

Depressão: Em 1962, o discípulo de Aroldo de Azevedo, Aziz N. Ab’Saber, modificou o mapa do seu mestre, dividin­do o Planalto Atlântico em duas unidades: Planalto Nor­destino e Serras e Planaltos do Leste e Sudeste. Acres­centou, ainda, os planaltos do Maranhão-Piauí e Uru-guaio-Sul-Rio-Grandense.

Planalto

Tabuleiro: Superfície com 20 a 50 metros de altitude, em con-tato com o oceano. Ocupa trechos do litoral nordestino, apresentando geralmente o topo muito plano. No lado do mar, apresenta declives abruptos que formam as cha­madas falésias ou barreiras.

Planície: Superfície muito plana, com no máximo 100 metros de altitude. Formada pelo acúmulo recente de sedimentos mo­vimentados pelas águas do mar, de rios ou de lagos, ocupa uma porção modesta no conjunto do relevo brasileiro.

Escarpa

Serra

Hidrografia do Brasil

O Brasil apresenta uma das mais extensas e diversificadas redes fluviais do planeta. Além de contar com a maior reserva de água de rios do mundo, o país apresenta, ainda, um dos maiores potenciais hídricos da Terra. Em 2002, o governo brasileiro criou a ANA (Agencia Nacional de Águas), com o objetivo de colocar em prática uma política nacional de recursos hídricos e regular o uso da água no Brasil. É preciso garantir às atuais e futuras gerações a disponibilidade desse recurso essencial à vida.

Características  da hidrografia brasileira

•         Grande riqueza fluvial – são muitos os rios bra­sileiros, bastante extensos e com grande volume de água.
•         Pobreza em lagos – o Brasil apresenta pequena quantidade de lagos, a maioria formada por se­dimentação marinha.
•         Predomínio de rios planálticos – o predomínio de rios planálticos determina a presença de mui­tas cachoeiras e permite um extraordinário apro­veitamento hidrelétrico.
•         Rios de regime pluvial – em decorrência do cli­ma tropical, há cheias de verão e vazantes de in­verno na maior parte dos rios.
•         Rios perenes – a quase totalidade dos rios bra­sileiros é permanente, com exceção apenas de al­guns rios nordestinos, que são temporários.
•         Drenagem exorréica – os rios correm em direção ao mar, ou seja, em direção ao Oceano Atlân­tico.
•         Foz em estuário – a maioria absoluta dos rios brasileiros desemboca por meio de um canal úni­co, com predomínio da erosão.

Dois rios brasileiros, o Amazonas e o Parnaíba, po­dem ser considerados rios de foz mista, ou seja, estuário-deltaico e delta, respectivamente (presença de várias ilhas na foz, com predomínio do trabalho de sedimentação). Bacia fluvial é uma área constituída por um conjunto de terras drenadas por um rio principal e todos os seus afluentes e subafluentes. Ao conjunto desses rios dá-se o nome de rede hi­drográfica. Todos os rios do Brasil pertencem a seis bacias prin­cipais – Amazônica, Tocantins-Araguaia, São Francisco, Paraná, Paraguai e Uruguai – e a quatro bacias secundá­rias – Amapá ou do Norte, do Nordeste, do Leste e Su-deste-Sul. As bacias do Paraná, Paraguai e Uruguai formam a Bacia Platina.

Aquífero  Guarani

Maior reserva de água subterrânea do mundo, que, além de atravessar oito estados brasileiros – Mato Gros­so, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Pau­lo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul -, abran­ge parte dos territórios da Argentina, do Uruguai e do Paraguai. Há grande preocupação em relação à contaminação desse aquífero, pois, em alguns lugares, ele está próxi­mo à superfície. Existe um projeto comum entre os países que con­têm a reserva com o objetivo de prevenir a contamina­ção e controlar a extração de água.

Lagos  brasileiros

Os lagos existentes em nosso país são de três tipos: costeiros, fluviais e de erosão. Os lagos costeiros, também denominados lagos de sedimentação, os maiores e os mais numerosos do país, foram formados pelo fechamento de uma restinga (cor­dão arenoso), como Lagoa dos Patos, Mirim e Manguei­ra, no Rio Grande do Sul, as maiores do Brasil, além das lagoas Araruama, Feia e Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, e Mundaú e Manguaba, em Alagoas.
Os lagos fluviais, ou de transbordamento, foram formados pelo acúmulo das águas dos rios em depres­sões às suas margens, como os lagos Manacapuru e Codajás, no Amazonas, e Mandioré e Cáceres, em Mato Grosso. Os lagos de erosão são muito raros em nosso país, destacando-se apenas a Lagoa Santa, em Minas Gerais, e o Lago Juparanã, no Espírito Santo.