Conflitos, Divisão Política e Aspectos Econômicos da África


Conflitos étnicos

Para se entender a África atual, é preciso relembrar o seu processo de colonização. A ocupação se deu de duas formas distintas: uma de caráter mercantilista e a outra, imperialista. Do século XV ao XIX, a ocupação africana caracteri­zou-se pela exploração mercantilista e pela ocupação de algumas áreas litorâneas que eram entrepostos de comercialização de mercadorias e escravos. Na segunda metade do século XIX, deu-se a ocupação imperialista, ocorrendo uma ocupação efetiva do território africano pelos europeus.

Conflitos, Divisão Política

A ambição das diversas potências provocou confli­tos de interesses, razão pela qual, em 1884-1885, foi rea­lizada a Conferência de Berlim, por meio da qual foi feita a partilha do continente africano entre as potências, cau­sando a destruição das estruturas sociais e econômicas das antigas comunidades africanas. As potências euro­peias transformaram a África em fonte de matérias primas, dividindo seu território conforme os interesses dos colonizadores. Assim, delimitaram novas fronteiras, agru­param ou deslocaram tribos e tiraram os povos de suas atividades tradicionais, transferindo-os para as que mais interessavam às metrópoles, isto é, para a agricultura ex­portadora, representada pela plantation, ou para o traba­lho nas minas.

A grande fragilidade das instituições, as fronteiras artificiais e o neocolonialismo levaram a maior parte dos novos países a uma sucessão de golpes de Estado e inú­meros conflitos tribais. Os novos países foram formados nas bases territoriais instituídas pelos colonizadores, qua­se sempre sem nenhuma unidade nacional ou étnica.

Até o início da Segunda Guerra Mundial, só existiam quatro países independentes na África: Egito, África do Sul, Etiópia e Libéria. Após a guerra, a Europa, destruída, não conseguiu manter suas colônias e teve início o processo de descolonização, dando origem a dezenas de novas na­ções. Em alguns casos, a metrópole cedia a independên­cia política, mas mantinha os vínculos económicos de dependência e exploração. Em outros, a independência se fez por meio de lutas sangrentas, com rupturas violentas. Quem liderou os movimentos de independência fo­ram os membros da elite intelectual e financeira, que che­garam à consciência de autodeterminação por meio do contato com a cultura ocidental europeia.

A Guerra Fria agravou ainda mais os problemas afri­canos, pois os Estados Unidos e a União Soviética usa­ram a África como palco de demonstração de força políti­ca. As tradicionais rivalidades entre as tribos foram ex­ploradas pelas superpotências. Onde havia divergências entre grupos, lá estavam as duas partes, fornecendo ar­mamentos modernos e apoio para levar seu protegido ao poder. No poder, recebiam ajuda, inclusive financeira, da
potência que fornecera o apoio.

Com o fim da Guerra Fria, a África deixou de receber ajuda das grandes potências. Isso fragilizou o poder e os  ‘ tradicionais inimigos tribais transformaram o continente num caos político e econômico. Como exemplos das lutas tribais, podem ser citadas a Guerra de Biafra (1968-1970), cuja causa foi a pretensão do povo ibo de criar a República de Biafra; a Guerra do Chifre da África, na Somália e na Etiópia, com milhares de mortes; a guerra civil em Ruanda e Burundi, em que tutsis e hutus promoveram massacres desumanos e intensa mi­gração para o exílio. Países como Angola, Moçambique, República Democrática do Congo (ex-Zaire), Serra Leoa e Sudão também vêm sofrendo com guerras civis de origem étnica, em que foram e continuam sendo cometidas barbáries inacreditáveis.

Divisão política e aspectos econômicos

O continente africano é caracterizado por grandes contrastes, principalmente no que diz respeito à pobreza de seus povos. Em todos os países, há crônicos problemas sociais como falta de moradias, educação deficiente, alimentação l precária, etc. A distribuição de renda mostra uma disparidade gritante. Na África do Sul, por exemplo, embora seja um dos países mais industrializados do continente, os 70% da população negra são donos de menos de 30% das riquezas.

A economia africana é predominantemente agroextrativa, com uma indústria incipiente na maioria dos países, apresentando um melhor desenvolvimento na Áfri­ca do Sul, no Egito e na Nigéria. Na agricultura, predominam dois sistemas: a agricul­tura de subsistência – com técnicas primitivas de pro­dução, dependente dos fatores naturais (clima, fertilida­de do solo), com baixíssima produtividade, ocasionando problemas crônicos de fome, especialmente no Sahel, sul do Saara; e o sistema de plantation, nos solos mais férteis, com exploração de mão-de-obra e produção vol­tada à exportação.

Na agricultura de subsistência, cultivam-se principal­mente mandioca, milhete, sorgo e inhame. Naplanfafion, os destaques são para o café, o cacau, o algodão, o amen­doim e a cana-de-açúcar. Na África Branca, duas regiões merecem destaque: o Vale do Nilo, destacando-se a produção irrigada de ce­reais e algodão, e o Magreb (poente, em árabe), formado por Marrocos, Argélia e Tunísia, países em que predomi­na o clima subtropical mediterrâneo, com cultivo de vi­nhas, oliveiras, cítricos e tâmaras.

O subsolo africano é rico em recursos minerais. Vale ressaltar, contudo, que quem lucra com a exploração mi­neral são as grandes empresas multinacionais, enquan­to a maioria da população africana não tem acesso às riquezas. Os maiores destaques são: a exploração do petróleo, principalmente no Gabão, Argélia, Líbia, Nigéria e Ango­la; diamante, na República Democrática do Congo (ex-Zaire), África do Sul, Botsuana e Namíbia; o ouro, no Zimbábue, África do Sul, Congo e Gana; e o fosfato, no Marrocos e na Argélia.

Uma das causas de conflitos na África é a disputa pelas riquezas naturais. Um fator agravante na situação conflituosa é a ofen­siva comercial, diplomática e até militar que os Estados Unidos vêm desenvolvendo para aumentar sua influên­cia na África. Os norte-americanos querem diversificar seus fornecedores de petróleo e a produção de petró­leo na África subsaariana vem aumentando sensivel­mente, explicando o interesse dos Estados Unidos por essa região.

O continente africano não participa do processo de globalização, não por opção própria, mas porque não tem muito a oferecer. Sua mão-de-obra precária e o poder aquisiti­vo da população, de modo geral, muito baixo não atraem gran­des investimentos externos. Sem ajuda externa, a economia não tem como evoluir, pois não há dinheiro para investir. A pobreza e as epidemias na África só serão alivia­das com a ajuda humanitária dos países desenvolvidos, que têm grande parcela de responsabilidade pela situa­ção africana atual.

Os países do continente criaram, em julho de 2002, a União Africana, inspirados na União Europeia, que tem como objetivos unificar políticas econômicas e sociais. A Nepad – Nova Parceria para o Desenvolvimento da África -quer atrair investimentos para o crescimento econômico, em troca da adoção de políticas fiscais mais rigorosas. O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial apoiam essa iniciativa.