Conflitos no Oriente Médio: Curdos, Afeganistão e Guerra contra o Iraque


Ásia Ocidental, região de interesses e conflitos

Por ser o grande fornecedor mundial de petróleo e o berço das três grandes religiões monoteístas do mundo, o Oriente Médio ocupa um lugar de destaque no quadro geopolítico atual. Alguns de seus acidentes geográficos têm grande valor estratégico, sendo responsáveis pela produção de milhares de barris/dia de petróleo, que são vendidos para o mundo inteiro.

Conflitos no Oriente Médio

Questão Curda

Uma questão ainda não resolvida no Oriente Médio é a dos povos curdos, um povo sem pátria, que luta para ter o seu espaço. De origem indo-européia, os curdos vivem numa re­gião rica em petróleo, localizada entre as fronteiras de Turquia, Síria, Iraque e Ira – o Curdistão. As lutas pela emancipação e entre as facções inter­nas têm originado milhares de mortes e refugiados. Em 1991, o Iraque reprimiu uma tentativa de independência, que só terminou com a interferência da ONU ao criar uma zona de segurança na região. O bombardeio ao Iraque, feito pelo exército norte-americano em 1996, foi consequência da violação da zona de proteção dos povos curdos por Saddam Hussein.

Conflito no Afeganistão

Os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, nas Torres Gêmeas, em Nova York, e no Pentágono, em Washington, desencadearam uma série de ações contra o terrorismo, conhecidas como a guerra contra o terror. Em 2001, a coalizão anglo-americana desencadeou uma ação ofensiva contra o grupo Talibã, no poder no Afeganistão desde 1996. Apoiados pelos grupos rivais do norte do país, e depois de bombardeios intensos, o grupo Talibã foi destituído do poder.

Os ataques dos grupos rebeldes, que exigem que a For­ça Internacional de Segurança e Auxílio (Isaf), autorizada pela ONU, permaneça no país, continuam ocorrendo. A Otan está no comando das operações desde agosto de 2003. Com a torre norte já em chamas, os terroristas lançam o 767 da United Airlines direto na torre sul do World Trade Center. O avião, com 65 pessoas a bordo, espatifa-se contra o prédio. A torre desabou uma hora depois.

O líder poshtun moderado, Hamid Karzai, com o apoio do ex-rei Zahir Shah e contando com a ajuda internacio­nal, vem tentando reconstruir o Curdistão.
Em janeiro de 2004, a Loya Jirga aprovou a nova Cons­tituição, que subordina as leis às regras do islamismo, estabelece igualdade entre os grupos étnicos e tribais e institui o regime presidencialista. Em outubro do mesmo ano, Karzai foi reeleito presidente para um mandato de cinco anos.

Os alvos principais do ataque ao Afeganistão, o mula Ornar, líder dos Talibãs, e seu genro Osama Bin Laden, líder do grupo terrorista Al Qaeda, acusado pelos atenta­dos de 11 de setembro, não foram capturados. O medo de novos ataques terroristas organizados por eles continua preocupando todos os países do mundo.

Guerra contra o Iraque

Depois da Guerra do Golfo, o povo do Iraque sofreu muitas privações em virtude do embargo econômico im­posto pela ONU, que só permitia a venda de petróleo para compra de remédios e alimentos para a população. Saddam Hussein, ditador iraquiano, vinha criando uma série de obstáculos à ação dos inspetores da ONU, en­carregados de vistoriar o país, para saber se o exército iraquiano dispunha de armas de destruição em massa.

Em represália ao apoio de Saddam a grupos terroristas internacionais e à não-colaboração com os inspetores, em março de 2003, a coalizão anglo-americana, mesmo sem a apro­vação do conselho de segurança da ONU, concretizou a in­vasão ao Iraque de forma coordenada, por diversas frentes, precedidas por bombardeios intensos. Já no início de abril, a coalizão cercou Bagdá, a capital, e ocupou a cidade, tirando do poder Saddam Hussein, que dominou o país por 24 anos, exercendo o po­der por meio de uma ditadura san­guinária.

A democra­tização do país c sua reconstru­ção deve ser um processo lento e difícil, pois a po­pulação está di­vidida em diver­sas tribos rivais e pelo funda- A residência oficial de Saddam Hussein quei-mentalismo xiita. ma em Bagdá após os ataques americanos. Economicamente, o país foi destruído pelos desmandos do ditador, pelo embargo económico e pelas guerras.

Embora a coalizão anglo-americana justificasse os ataques ao Iraque alegando falta de cooperação de Saddam com os inspetores da ONU e a luta contra o terrorismo, o fator económico precisa ser entendido como uma das cau­sas fundamentais dessa guerra. O Iraque tem a segunda maior reserva mundial de petróleo, a principal fonte de ener­gia no mundo. A partir de 2000, o Iraque havia trocado o dólar pelo euro para vender seu petróleo e solicitava aos outros países da Opep que adotassem a mesma medida. Se­gundo especialistas em economia mundial, se isso ocorresse haveria uma grande desvalorização do dólar, prejudicando a maior economia do mundo.

Em 15 de outubro de 2005, um referendo popular apro­vou a nova Constituição feita pelo parlamento que havia sido eleito em 30 de janeiro do mesmo ano. Em 15 de dezembro, foram realizadas eleições para a esco­lha do novo parlamento. A tentativa de consolidação da de­mocracia está longe, contudo, de trazer a paz ao país. Os aten­tados dos grupos fundamentalistas continuam intensos, fazen­do enorme quantidade de vítimas, e a população tem sido a grande penalizada.

A divulgação de imagens de soldados da coalizão come­tendo atos de violência contra detentos da prisão iraquiana de Abu Ghraib ganharam repercussão mundial e voltaram à tona no início de 2006, dando mais motivos aos grupos de oposi­ção, que querem a retirada das forças de paz do Iraque.
No dia 30 de dezembro de 2006, o ex-presidente iraquiano, Saddam Hussein, foi executado por enforca­mento. Tal fato, no entanto, não amenizou os conflitos internos do país.