Correntes demográficas


Teorias tentam explicar crescimento populacional e falta de recursos naturais

O homem está na Terra há cerca de 250 mil anos. De lá para cá, a população mundial só aumenta e já atingiu a marca de 7 bilhões de pessoas. A estimativa para 2050 é que o número de pessoas vivendo aqui chegue a nove bilhões e quatrocentos milhões. Mas a explosão demográfica é motivo para discussões entre muitos estudiosos e pesquisadores que desejam saber sobre o futuro do ser humano no planeta, os modos de ocupação do solo e as formas como exploram os recursos naturais disponíveis a fim de atender a todo esse batalhão de gente.

É por isso que muitos países sofrem com alguns problemas demográficos, como o crescimento exagerado da população e a falta de recursos suficientes para cumprir com a demanda. Foi nesse contexto que surgiram as denominadas correntes demográficas, que nada mais são que teorias que tentam interpretar o aumento populacional e as consequências sociais, econômicas e ambientais.

demográficas

Há várias correntes demográficas atualmente, embora algumas já sejam consideradas ultrapassadas. A Teoria Malthusiana, por exemplo, foi criada por Thomas Robert Malthus no século XIX. Segundo o pesquisador, o aumento da população seria maior que a produção de alimentos. Sendo assim, era preciso diminuir o número de pessoas no mundo para suprir a falta de alimentos. Ele também acreditava que, se os governos não prestassem assistência às camadas mais pobres da população, isso seria determinante para a população diminuir. Para Malthus, enquanto a população crescia em progressão geométrica (2, 4, 8, 16, 32…), o número de alimentos disponíveis cresceria em progressão aritmética (2, 4, 6, 8, 10…). Por isso a consequência seria a morte em decorrência da fome.

Com o desenvolvimento das tecnologias agrícolas, no final do século XIX, o índice de produção de alimentos aumentou, o que permitiu que a teoria fosse posta de lado. Sem contar que a melhoria das condições sociais, econômicas e o avanço da medicina contribuíram para que as taxas de natalidade diminuíssem. Hoje, os países mais desenvolvidos apresentam baixíssimos índices de crescimento vegetativo.

Outra das correntes demográficas é a do modelo reformista Marxista. Baseados nos fundamentos propostos por Karl Marx, os reformistas faziam oposição aos malthusianos e diziam que o problema não era do alto crescimento demográfico, mas da concentração de alimentos em determinados países. Por isso, há a necessidade de distribuir de uma melhor maneira os alimentos. Se o problema era o atraso econômico, então, isso provinha da miséria, precária situação social e da má distribuição de renda.

Desse modo, as possíveis soluções encontravam-se nas reformais econômicas e sociais que permitissem a descentralização de recursos e apresentassem, como resultado, um nível maior de vida da população. Assim, uma população com elevado nível de vida teria maiores condições para se instruir em relação ao controle da natalidade. Caberia à própria família decidir por conta própria quanto deve ser o número de filhos, tudo isso baseado nos desejos dos cônjuges e das possibilidades financeiras.

Corrente malthusiana foi readaptada; outras teorias procuram entender problemas de crescimento populacional

Surgiu, mais tarde, uma nova teoria adaptada das ideias de Malthus. Os Neomalthusianos pregavam o controle das taxas de natalidade em países subdesenvolvidos. Para isso, a necessidade de utilização de métodos contraceptivos. Segundo os adeptos dessa teoria, o atraso econômico seria decorrente do crescimento populacional. Daí advém a necessidade de uma esterilização em massa.

Muitos países fazem fomento desses ideais com algumas medidas específicas, como a distribuição gratuita de camisinhas e a venda de anticoncepcionais sem prescrição médica e a preços baixos. Na Índia, várias regiões adotaram propostas para a esterilização. Aliado a isso, está a forte campanha divulgada pela mídia em favor do planejamento familiar. A família ideal seria aquela composta, em média, por um casal e dois filhos. No entanto, sabe-se que isso não passa de um modelo. E modelos nem sempre são os padrões ideais.

Existem ainda outras correntes demográficas, como o modelo de transição demográfica. Por essa teoria, os matemáticos tentavam demonstrar que a população mundial, em algum momento, conseguiria se estabilizar. Ao diminuir os índices de mortalidade mundiais, bem como as taxas de natalidade, o equilíbrio seria natural. Sendo assim, não haveria motivos para se alarmar. Vários demógrafos aceitam essa corrente de pensamento.

Também baseadas em modelos matemáticos são as Ideias do Clube de Roma. Especialistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, especificamente de um grupo de pesquisa chamado Clube de Roma, chegaram à conclusão de que o planeta não iria suportar o andamento de crescimento populacional a partir da segunda metade do século XX. Por causa da escassez dos recursos naturais e problemas ambientais, a humanidade não seria capaz de mitigar as consequências. Ainda hoje, essa ideia serve como plano de fundo para discursos ambientalistas radicais.

Sobra ainda o “Ultimate Resource” ou, simplesmente, Modelo do “Último Recurso”. Criada pelo norte-americano Julian Lincoln, o teórico mostra que não existem recursos em exaustão ou em crise, mas oportunidades para substituí-los e reciclá-los. Em suma, a ideia é a de que o homem é capaz de encontrar alternativas para suportar as adversidades da vida.