Desemprego, um problema mundial: Teoria sobre a dinâmica demográfica – Os Neomalthusianos


O crescimento da população mundial, que se deu após a Revolução Industrial, e o aumento da urbanização, levaram muitos estudiosos, inicialmente economista, a se preocupar com a relação entre produção material e o crescimento populacional.

Procurando estabelecer as relações entre o tamanho da população e suas condições em produzir riquezas, estes estudiosos criaram algumas teorias sobre a dinâmica demográfica. As três principais são: o malthusianismo, o neomalthusianismo e a teoria reformista. Cada uma delas está ligada a uma determinada corrente de pensamento econômico e social.

Teoria sobre a dinâmica demográfica – Os Neomalthusianos

Quando os países periféricos e semiperiféricos entraram na transição demográfica, através da urbanização de sua população, houve um grande crescimento populacional. Este se deu, principalmente, a partir da década de 1940, o que suscitou o aparecimento de novas teorias sobre a dinâmica da população. Primeiramente, as ideias de Malthus foram retomadas, porém em outros termos.

Os neomalthusianos, como são chamados, passaram a ligar o subdesenvolvimento econômico com as altas taxas de crescimento populacional. Para eles, uma população muito numerosa acabava dificultando o desenvolvimento de um país, já que aumentava os gastos públicos em setores como saneamento básico, educação e saúde pública. A partir de então, a solução para o subdesenvolvimento passou a ser um rígido controle da taxa de natalidade.

As ações governamentais que tinham como objetivo a contenção do crescimento da população poderiam ser programas de esterilização em massa, distribuição de anticoncepcionais, educação voltada para o planejamento familiar, incluindo a expansão do ideal de família pequena entre a população pobre, e até mesmo a aprovação do aborto como método para evitar filhos.

Estas ideias ganharam muita força em vários países do mundo, até porque a urbanização e a melhoria na educação são fatores que despertam nas pessoas a vontade de controlar sua quantidade de filhos, o que resultou numa aceitação favorável à maioria destas propostas.

Por outro lado, as críticas aos neomalthusianos também não são poucas. Muitos programas de controle de natalidade implementados na maioria dos países do mundo, e principalmente nos países pobres, desconsideram vários direitos humanos, como por exemplo o de decidir livremente a quantidade de filhos que se quer ter.

Pior que isto, existem diversas denúncia em relação aos programas de esterilização em massa. Suspeita-se mesmo que muitas mulheres esterilizadas, geralmente na hora de ter o primeiro filho, nem teriam sido consultadas pelos médicos. Mas, o que é mais certo, é que nunca houve uma conscientização adequada sobre a esterilização entre as pessoas mais pobres.

O planejamento familiar, baseado principalmente em programas educacionais e campanhas publicitárias, sempre foi mais uma doutrinação que uma conscientização. As pessoas nunca tiveram a oportunidade de discutir os problemas sociais que as estavam obrigando a ter menos filhos, e nem de questionar se o controle de natalidade seria realmente o melhor caminho.

Nos programas de distribuição de anticoncepcionais, ligado muitas vezes aos projetos de planejamento familiar, as empresas multinacionais sempre tiveram grande influência sobre os governos, para com isso favorecer a venda em massa de seus produtos.

Um grupo mais recente de neomalthusianos está mais preocupado com as questões ambientais do que com o desenvolvimento econômico. É o que muitos passaram a denominar de ecomalthusianismo. Para eles, o crescimento exagerado da população mundial poderia levar à degradação ambiental cada vez maior, uma vez que aumentaria o uso dos recursos naturais e a produção de poluentes.

Embora tenha um certo sentido, o argumento dos ecomalthusianos esconde um grande desiquilíbrio no uso dos recursos mundiais e na produção da poluição. Sabe-se que os países centrais, mesmo tendo apenas 20% da população mundial, são responsáveis por mais de 70% da poluição e por quase oitenta do consumo de energia. Sendo assim, a diminuição do ritmo de crescimento dos países pobres pode até ser uma ameaça ao funcionamento dos sistemas naturais, no entanto, o consumismo dos países centrais é um problema muito maior e bem menos discutido.

Teoria sobre a dinâmica demográfica – Os Reformistas

Outro grupo de estudiosos da questão demográfica, ligado a correntes políticas social, democratas e socialistas se denomina de reformista. Os reformistas discordam da posição dos neomalthusianos. Para eles, o crescimento populacional não é a causa do subdesenvolvimento econômico, mas sim uma de suas consequências.

A queda das taxas de natalidade ocorre principalmente pelo aumento da alfabetização e pela entrada da mulher no mercado de trabalho. É facilmente verificável que em todos os países centrais se encontram baixas taxas de natalidade, mesmo naqueles em que não foram implementados programas oficiais de planejamento familiar.

A proposta de reformistas é apostar na melhoria das condições de vida da população como uma forma de diminuir o crescimento populacional. Sendo assim, eles fazem uma crítica contra a concentração de renda e também ao baixo nível de investimentos estatais em setores como da saúde e educação, nos países mais pobres.