Divisão Internacional do Trabalho, Migrações Internacionais e Evolução da População


Divisão Internacional do Trabalho

A Divisão Internacional do Trabalho (DIT) pode ser dividida em duas: a velha Divisão Internacional do Trabalho e a nova Divisão Internacional do Trabalho. A velha DIT tinha como pressuposto a exploração de minérios, produtos agrícolas e atividades semelhantes. Esses produtos eram retirados dos países do Sul (pobres) e enviados aos países do Norte (ricos). Essa velha DIT parecia-se com as relações comerciais da época colonial. O mundo ficou dividido em países capitalistas que forneciam matéria-prima, e países capitalistas que forneciam produtos manufaturados. A atividade industrial pas­sou a ser privilégio de poucos países, principalmente europeus. Após a Segunda Guerra Mundial, esse processo foi alterado, provocando mudanças nas relações de comércio mundial, propiciando o surgimento da nova DIT.

Divisão Internacional do Trabalho

Para que um país fosse escolhido para re­ceber indústrias, teria que ter uma série de características, a saber:
•         grande população, que representasse maior número de consumidores;
•         mão-de-obra barata e disciplinada;
•         matéria-prima barata e abundante;
•         governo favorável a capital estrangei­ro.

Os principais países que possuíam essas características e foram “beneficiados” com a entrada de multinacionais foram: Brasil, Méxi­co, Argentina e os chamados “Tigres Asiáti­cos” ou “Dragões Asiáticos”.

Novíssima DIT

A Novíssima Divisão Internacional do Trabalho, exige dos países as seguintes características:
•        mercado consumidor em qualquer lugar do pla­neta;
•        mão-de-obra altamente qualificada;
• modernos e eficazes sistemas de transportes (portos, aeroportos, ferrovias, etc.);
• incentivos fiscais;
• economia estável;
• quando houve quebra nas bolsas de valores brasileiras e uma consequen­te desestabilização da economia, diversas em­presas pensaram em abandonar o país e(ou) deixaram de aplicar capitais em suas unidades;
•    as empresas multinacionais ainda buscam matéria-prima barata e abundante a fim de au­mentar seus lucros.

A Novíssima DIT gera alguns problemas ao país que recebe as indústrias de países desenvolvidos. Como a mão-de-obra em países subdesenvolvidos é ainda muito pouco qualificada, há intensa robotização e automação da produção, o que leva a um alto índice de desemprego. Pela falta de mão-de-obra qualificada, existe a hipótese de multinacionais estarem enviando técnicos dos países desenvolvidos para os países subdesenvolvidos onde as multinacionais estão se instalando, diminuindo a participação de técnicos nacionais em multinacionais.

Países como a Alemanha, por sua vez, “importam” técnicos extremamente qualificados de outros países, sejam eles desenvolvidos ou não, para suprir o número reduzido de técnicos com essa qualificação em alguns setores da economia, enquanto “exportam” técnicos bem qualificados, mas já sem emprego, para os países pobres em que instalam novas empresas.

TÉCNICOS ESTRANGEIROS NA ALEMANHA

Atendendo a pedidos do empresariado alemão, o governo social-democrata de Gerard Schroeder pro­pôs a admissão, até o final do ano 2000, de 20 mil especialistas em computação de fora da União Euro­peia, necessários para que seja mantida a competitividade dos setores ligados à tecnologia da informação naquele país. Se a proposta for aprovada, esta será a maior abertura à imigração de estrangeiros na Alemanha desde a década de 1970.
A falta desse tipo de técnicos na Alemanha é um exemplo dos “novos” problemas que estão atingindo economias desenvolvidas. Ninguém duvida que a eco­nomia alemã é altamente desenvolvida. No entanto, apesar de toda a sua pujança, de toda a capacidade dessa sociedade de investir em capacitação de mão-de-obra, as empresas de alta tecnologia não conse­guem preencher 75 mil vagas de especialistas.

Migrações

Quando grupos populacionais praticam a imigrações rural-urbana (êxodo rural), migrações cidade-cidade (migração urbano-urbana), migração rural-rural, mi­grações pendulares e migrações internacionais.

Nomadismo é um tipo de migração ligada aos po­vos nômades, isto é, que não possuem local fixo de residência e se deslocam constantemente.

Transumância é um tipo de migração cíclica, ou seja, as pessoas que praticam a transumância passam parte do ano numa área e parte em outra. Por exemplo, no Nordeste brasileiro proprietários de pequenas ter­ras na época da seca saem do Sertão em direção à Zona da Mata e retornam na época das chuvas.

Êxodo rural é o tipo de migração em que, por falta de estrutura no campo, o trabalhador migra para cida­des buscando oportunidade de emprego.

Migração urbano-urbana, ou de uma cidade para outra, envolve o deslocamento de milhões de pessoas; atualmente, é a mais frequente; é a migração realizada das pequenas e médias cidades para as grandes cidades.

Migração rural-rural é o tipo de migração realizada pelos boias-frias, ou seja, a migração de trabalhadores de uma área agrícola para outra, na busca de serviço.

Mas por que grupos populacionais praticam as migrações?

As causas que levam grupos populacionais a mi­grarem são muitas. Alguns cientistas populacionais já estão definindo migrações como o caos, pois não se sabe com precisão onde estes movimentos populacionais irão começar nem onde irão terminar. Porém, algumas causas são bem definidas. Causas religiosas, como aconteceu com os protes­tantes europeus; causas políticas, que são mais frequen­tes se tomarmos como ponto de vista as migrações in­ternacionais. Como exemplo, podemos citar o povo ju­deu durante a Segunda Guerra Mundial. Ainda temos as causas naturais, quando grupos populacionais migram por motivos de seca, terremotos, etc.

No entanto, são as causas econômicas as mais fre­quentes. Elas levam grande massa de população para áreas onde haja maior e melhor oportunidade de emprego. En­tão, as migrações por causa econômica podem ser vistas como uma redistribuição de mão-de-obra pelo espaço.

Migrações internacionais

Migrações internacionais são movimentos de grupos populacionais que atravessam fronteiras políticas. As causas desse tipo de migração são inúmeras. Na atualidade, as causas econômicas são as mais importantes.

A origem do movimento, na maioria dos casos, está associada a uma economia que não está conseguindo absorver a mão-de-obra. O ponto de chegada desse movimento costuma ser regiões ou países que apresentam uma maior oportunidade de emprego e melhores salários. Os países desenvolvidos são normalmente os principais pontos de chegada de grupos que migram por causas econômicas. Só os Estados Unidos receberam cerca de 40 milhões de pessoas desde 1800, as quais passaram a fazer parte da população do país norte-americano.

Evolução quantitativa da população (I)

Nos países desenvolvidos, onde se concentram os maiores recursos técnicos e económicos, vivem menos de 25% da população mundial (cerca de 1,5 bilhão de pessoas). Nos países subdesenvolvidos, onde se observa a inexistência quase absoluta de recursos técnicos e de capital, vivem mais de 75% da população mundial (cerca de 4,5 bilhões de pessoas).

A teoria anti-malthusiana

Para os anti-malthusianos, os países subdesen­volvidos são os que apresentam maior crescimen­to populacional devido às necessidades econômicas de seus habitantes, que dependem dos pró­prios filhos para aumentar a renda familiar. A so­lução não estaria na adoção de uma postura anti-natalista da população, mas numa melhor distri­buição da renda.

A teoria neomalthusiana

É uma teoria que começou a se desenvolver nas primeiras décadas do século XX, retomando os fundamentos da teoria malthusiana. Com base na tese de que os países subdesenvolvidos não conse­guirão se desenvolver enquanto tiverem de inves­tir somas fabulosas na sua grande população in­fantil, os neomalthusianos propõem que esses paí­ses adotem uma rigorosa política de controle da natalidade.

A teoria malthusiana

A explicação que Malthus dava para o rápido crescimento populacional baseava-se em duas afir­mações: a população tende a crescer em ritmo de uma progressão geométrica (l, 2, 4, 8, 16, …), enquanto a produção de alimentos cresce em um ritmo de uma progressão aritmética (l, 2, 3, 4, 5,…). A solução estaria na “sujeição moral”, ou seja, a po­pulação deveria adotar uma postura de abstinência sexual, a fim de diminuir a natalidade.

Evolução quantitativa da população (II)

O Brasil, com cerca de 170 milhões de habitan­tes, é um dos países mais populosos do mundo. Está na quinta posição em população absoluta, ul­trapassado apenas por China, índia, Estados Uni­dos e Indonésia. Se dividirmos a população abso­luta do Brasil (170 milhões de habitantes) pela sua área territorial (8,5 milhões de km2), a relação ob­tida será de quase 20 habitantes por quilômetro.

Os movimentos migratórios da população (I)

Em uma análise histórica do processo das mi­grações externas referentes ao Brasil, observa-se o domínio das imigrações, ou seja, a entrada de es­trangeiros em nosso país, sendo que nas últimas décadas o Brasil começou a sofrer um significativo processo de emigração de seus habitantes.
Entre os quase 6 milhões de estrangeiros que en­traram legalmente no Brasil, reconhecem-se atualmente em nosso território grupos de imigrantes ori­ginários de 87 nações, em quantidades as mais va­riadas, todos, porém com sua parcela de importân­cia no desenvolvimento econômico, cultural, social, demográfico e tecnológico do Brasil.

Os movimentos migratórios da população (II)

A análise das principais migrações internas no Brasil nos remete a dois grandes tipos de deslocamen­to, que se destacam por refletirem importantes mudanças políticas, sociais e económicas no interior do País: as migrações inter-regionais e a migração campo-cidade. O êxodo rural é um movimento populacional dos mais importantes no contexto da análise dos desloca­mentos internos de população em um país. É, atualmente, o deslocamento populacional mais intenso, mais significativo em suas causas e o que traz consequências mais graves para o país.