Escassez de água na África


A escassez de água, em alguns espaços do mundo, já passou de um problema – com possíveis soluções – a uma realidade. E as regiões mais pobres do mundo são às mais afetadas, como é o caso do continente africano: lá, estão registrados os piores índices de falta de água.

A escassez tem se evidenciado de uma forma bem agressiva principalmente na região centro norte da África, o que ocorre pelo fato de que as reservas da região são finitas. A quantia disponível diminui de forma gradativa e a demanda, por sua vez, só aumenta – lado a lado com o crescimento populacional.

Mas, por outro lado, há ainda outro fator que torna o problema mais sério. As dificuldades com a falta de água na África, em algumas regiões, estão mais relacionadas com a distribuição errônea na população do que na quantia disponível para realização de tal tarefa. Sendo assim, nem sempre o que importa é saber se há ou não água naquele ambiente, mas sim, saber se ela verdadeiramente está sendo distribuída como deveria.

Escassez de água

A escassez de água – âmbito geral

De uma forma geral devemos considerar que a falta de água é um problema global, ou seja, não está concentrado unicamente no continente africano. Os motivos são os mesmos citados anteriormente, afinal, não temos como produzir água doce e passível de consumo, ao mesmo tempo em que o consumo só aumenta e aumenta.

Hoje, os números já são baixos e sem perspectiva de melhora: a oferta anual da água chega a 6.800 m³ por indivíduo, sendo que na década de 1950 (há apenas 50 anos) essa mesma quantia era de 16.800m³.

Com base nos estudos da Organização das Nações Unidas (ONU), todos os países que disponibilizam para os seus integrantes um número de até 1,7 mil m³ de água por indivíduo já passam por um período chamado de ‘estresse hídrico’.

Por outro lado, aqueles que não conseguem ofertar nem sequer 1000 m³ por pessoa são os que vivem em uma situação crítica: de grave penúria de água.

A escassez de água na África

E é exatamente nessa situação que se encontram várias regiões do continente africano, principalmente nas partes centro-norte. Outro agravante é o fato de que o clima predominante da área é o semiárido e árido, o que prejudica ainda mais a escassez de água.

É certo afirmar que tanto o direito ao saneamento básico quanto à água potável são direitos obrigatórios e irrevogáveis. Atualmente, uma em cada cinco pessoas não tem acesso a ela e quatro a cada 10 delas não tem nem sequer acesso adequado ao saneamento.

A África é, hoje, o pior continente de todos em relação à disponibilidade para a água potável, uma vez que 45% de toda a sua população não tem acesso à água e 65% da mesma carecem até mesmo do sistema de saneamento básico adequado.

Mesmo que os países mais próximos da região sul do continente ainda tenham grandes reservas de água quando em comparação com a parte norte, muitos são os pontos que também se encontram em situação de estresse hídrico.

Segundo o relatório de Direito à Água, desenvolvido pela Energia sem Fronteiras e Prosalus, o direito à água é um direito humano tanto para uso doméstico e pessoal, para o consumo próprio – para os alimentos e bebidas – e também para o próprio saneamento, com água destinada à lavagem de roupas, higiene, evacuações humanas e outros aspectos domésticos.

Além disso, um relatório realizado recentemente pelo Painel Intergovernamental Sobre Mudança Climática atentou para o fato de que dentro de cinco anos, ou seja, em 2020, serão entre 75 a 250 milhões o número de indivíduos africanos que passaram pelo problema de escassez de água, o que implica em dificuldades para manter suas necessidades básicas.

Países nas condições mais agravantes

Nem todo o continente africano está prejudicado com a escassez de água na África. Alguns deles contam com reservas pelo menos satisfatórias desse recurso natural, como é o caso de:

• República Centro Africana;

• República Democrática do Congo;

• Camarões.

E o que podemos fazer?

Atualmente, mais de 400 milhões de pessoas são afetadas com a falta de água potável, ou seja, estão totalmente privadas desse recurso até mesmo para o consumo próprio.

E nos próximos 15 anos o número é ainda mais alarmante: cerca de 450 milhões de crianças serão ameaçadas com doenças provocadas pela falta de saneamento básico e também pela própria desnutrição, uma vez que a alimentação (e a produção agrícola) também são prejudicadas pela falta de água.

Hoje já são mais de 75 propostas envolvendo questões para melhor distribuição da água potável no continente africano, além de melhoras no sistema de abastecimento e direito à água como um todo. Infelizmente as ações nesse sentido só podem ser tomadas por grandes órgãos e, por isso, nós ficamos à mercê dessas decisões.