Europa Física e Humana: Clima, Vegetação, Características, Migrações e Conflitos


Clima

Os principais fatores que influenciam na determi­nação dos climas europeus são os seguintes:
•         latitude – de 34° a 75° norte, portanto, com cli­mas predominantemente temperados;
•         proximidade do mar – os grandes recortes e as reentrâncias do litoral europeu permitem a in­fluência da maritimidade, até mesmo em regiões
do interior do continente;
•         corrente quente do Golfo – proveniente das re­giões tropicais da América, essa corrente (Gulf-Stream) atua sobre o noroeste da Europa, amenizando a temperatura e aumentando a umidade;
•         vento – o vento quente e seco do norte da África atua sobre a região mediterrânea, ao passo que os ventos frios das regiões polares tornam o clima do norte da Europa bastante rigoroso.

Europa Física e Humana

Tipos de clima

Por causa dessas influências, os climas europeus encontram-se divididos da seguinte maneira:
• subpolar ou de montanha – nas maiores latitu­des (Escandinávia e norte da região europeia), ou nas maiores altitudes (Alpes, Cárpatos, Cáucaso);
•         temperado continental – com invernos secos e rigorosos e verões quentes, dominando grande parte do território europeu entre o Báltico e os
Urais;
•         temperado oceânico – menos rigoroso que o an­terior por causa da influência da Corrente do Golfo, é encontrado nas Ilhas Britânicas, no no­
roeste da França e no norte da Espanha;
•         temperado de transição – na Europa Central, especialmente nas regiões de planícies;
•         mediterrâneo – com verões secos e invernos úmidos, semelhante ao subtropical, e ocorre nas penínsulas meridionais da Europa.

Vegetação

A intensa urbanização da Europa ocasionou, ao longo dos séculos, enorme devastação na vegetação daquele conti­nente. Do pouco que resta, destacam-se:
•         tundra – vegetação ártica muito pobre, constituída de musgos e liquens, que aparece durante os curtos verões;
•         taiga – floresta boreal de coníferas, muito explorada pelas indústrias madeireiras da Rússia, Finlândia e Suécia;
•         floresta temperada caducifólia – espalha-se por algumas poucas regiões de encosta de montanhas;
•         maquis e garrigue – denominações locais da vegetação mediterrânea, residual e arbustiva do sul da Europa;
•         estepe — nas regiões semi-áridas próximas aos mares Negro e Cáspio. Na Ucrânia, sob essa vegetação, é encontrado o tchermoziom, solo de cor escura e considerado um dos mais férteis do mundo, muito utilizado no cultivo de cereais.

Aspectos humanos

Apresentando uma população absoluta de aproximadamente 744 milhões de habitantes e 71,8 habitantes por quilometro quadrado, o continente europeu é considerado muito povoado.

Características

A distribuição populacional é muito irregular. As áreas de maior densidade demográfica estão na Europa Centro-Ocidental, ao passo que a parte setentrional apresenta grandes vazios demográficos. A distribuição irregular da população europeia se reflete em dados como a densidade demográfica dos Países Baixos (392 hab./km2) e da Noruega (13 hab./km2).

A Europa é constituída por vários grupos étnicos, destacando-se: escandinavos, anglo-saxões, germânicos, latinos e eslavos, existindo também uma série de minorias étnicas. Quanto à religião, embora predomine na Europa o cristianismo, por causa do cisma da Igreja católica e das reformas protestantes, pode-se atualmente dividi-la em católicos romanos, católicos ortodoxos e protestan­tes, não se esquecendo ainda a influência do islamismo em alguns países meridionais.

Na estrutura da população europeia destacam-se o baixo crescimento vegetativo, a acentuada urbanização, a alta expectativa de vida e uma numerosa população idosa. No continente europeu, ao contrário do que vem ocorrendo em outros continentes, a população vem diminuindo. Segundo projeções do Fundo de População das Nações Unidas (FNUAP), para o período de 2001-2015, estima-se uma taxa de crescimento de -0,09% ao ano. O continente europeu vive um grande dilema. Pelo envelhecimento de sua população, é necessário atrair imigrantes jovens. Por outro lado, o desemprego e o aumento da concorrência fazem com que vários países coloquem obstáculos à entrada de mão-de-obra, especialmente da não-qualificada.

Migrações

Embora a História nos mostre que os movimentos migratórios sempre fizeram parte da vida do continente europeu, nas últimas décadas eles se tornaram mais nu­merosos. As imigrações podem ser tanto intra como extracontinentais, destacando-se a chegada de popula­ções de países do terceiro mundo, os “bárbaros do Sul”, tanto de turcos, bósnios, albaneses, como de latino-americanos, africanos e asiáticos, todos em busca de melho­res condições de vida e trabalho.

Por causa das elevadas taxas de desemprego e de um sentimento nacionalista exacerbado, a Europa tem convivido com uma grande onda de xenofobia (aversão a estrangeiros), em que os imigrantes são acusados de serem os causadores dos problemas econômicos e soci­ais da Europa.

Conflitos  separatistas

A diversidade étnica e religiosa é a causa fundamen­tal dos conflitos, alguns dos quais arrastam-se por déca­das e até por séculos, ao passo que outros somente se tornam evidentes com o fim dos regimes totalitários (co­munistas) na Europa Oriental. Principais áreas de conflito:

•     Irlanda do Norte
Após uma série de longas negociações, percebe-se neste início do século XXI uma relativa paz na re­gião, que, no entanto, em função do ódio remanes­cente de ambas as partes, pode não ser duradoura. A partir de julho de 2005, o IRA resolveu não mais usar o terrorismo como arma na busca pela independência da Irlanda do Norte, a luta agora é política. Os atentados nos terminais de Londres, em julho de 2005, não estão relacionados à questão da Irlanda do Nor­te, mas a uma represália do fundamentalismo islâmico ao apoio inglês aos Estados Unidos na guerra contra o Iraque.

• País Basco
O grupo ETA (Pátria Basca e Liberdade, na língua basca) luta, por meio de uma série de atos terroristas, para formar um país basco no norte da Espanha e sul da França. Em março de 2006, o ETA também anunciou que a luta pela independência não se utilizaria mais de atos terroristas, preferindo a opção da luta política. Entretanto, em 2007, o grupo anunciou qua voltaria a fazer ataques terroristas.

•      Ex-lugoslavia
Após sua fragmentação política, ocorrida a partir de 1991, e com o surgimento de seis países independentes, os conflitos cessaram, reinando uma relativa paz na re­gião, pela presença da ONU na Bósnia-Herzegovina e em Kosovo, região autônoma dentro da República da Sérvia. Depois do plebiscito realizado em fevereiro de 2008, o Kosovo proclamou sua independência.