Fatores, Elementos e Classificação do Clima Brasileiro


Climas do Brasil

Conceituado como a sucessão habitual dos tipos de tempo em determinado lugar da superfície terrestre, o clima é determinado por fatores climáticos e elementos que agem diretamente sobre ele, como temperatura, chu­va e outras formas de precipitação, umidade atmosféri­ca, ventos e pressão atmosférica. Tais elementos estão em constante mutação por causa da ação dos fatores cli­máticos: latitude, altitude, continentalidade, correntes marítimas e vegetação.

Elementos e Classificação do Clima Brasileiro

Fatores climáticos

Latitude

As temperaturas variam na razão inversa às latitu­des, isto é, quanto mais baixas as latitudes, mais altas as temperaturas. Isso significa que, na região tropical, com baixas latitudes, predominam os climas quentes, com médias entre 20°C e 25°C. Belém, por exemplo, com latitude de 1°28’S, apresenta média térmica anual de 26,4°C. Salvador, com latitude de 13°OFS, tem média térmica anual de 25,2°C. Somente o sul do Brasil, com latitudes médias, apresenta temperaturas um pouco bai­xas. Porto Alegre, com latitude de 30°01’S, localizada abaixo do Trópico de Capricórnio e com clima subtropi­cal, tem média térmica anual de 18,6°C.

Altitude

Com relevo modesto – o que eleva as temperaturas -, apenas em algumas áreas do sudeste e do sul do Brasil ocorrem temperaturas mais baixas que as que são verifi­cadas no país normalmente. Assim, três cidades do esta­do de São Paulo, praticamente com as mesmas latitudes, mas com altitudes diversas, apresentam médias térmicas anuais diferentes. Santos, com altitude ao nível do mar, tem a média térmica anual de 22°C. São Paulo, com al­titude de 731 metros, apresenta média térmica anual de 18,4°C. Campos do Jordão, a mais alta das três, com l 700 metros de altitude, tem a mais baixa média térmi­ca anual, de 15,8°C. Por essa mesma razão, Curitiba, lo­calizada em um planalto a 900 metros de altitude, é con­siderada a mais fria capital brasileira, com média térmi­ca anual de 16,8°C.

Continentalidade

A amplitude térmica, em geral, é pequena nas áreas próximas ao mar. Nas áreas situadas no interior do con­tinente, onde a influência marítima é menor, as oscila­ções de temperatura são bem maiores. Observe os exem­plos de duas cidades com latitudes muito próximas, uma localizada no litoral e outra, no interior. Niterói, no lito­ral, com latitude de 22°54′, apresenta amplitude térmica anual de 2°C, enquanto Londrina, no interior, com lati­tude de 23°18′, tem amplitude térmica anual de 8°C.

Outros fatores
•         Correntes marítimas quentes – elevam em 2°C as temperaturas de algumas regiões litorâneas.
•         Áreas florestais – retêm a umidade, baixando as temperaturas.
•         Concentrações urbanas – dificultam a circula­ção dos ventos e retêm o calor, elevando as tem­peraturas.

Elementos climáticos

Massas de ar e movimentação atmosférica: Por causa de sua grande extensão territorial, o Brasil sofre a influência direta de cinco massas de ar: duas equa­toriais (atlântica e continental); duas tropicais (continental e atlântica) e uma polar (atlântica).

Massa equatorial atlântica (inEa): Quente e úmida, tem como origem a região próxima ao Arquipélago dos Açores, formando os alísios de nor­deste e trazendo estabilidade ao tempo.

Massa equatorial continental (mEc): Origina-se a noroeste da Bacia Amazônica. É uma massa quente e de elevada umidade, com tendência a tra­zer instabilidade ao tempo.

Massa tropical atlântica  (mTa): Forma-se nas imediações do Trópico de Capricórnio, sobre o Atlântico Sul. É quente e úmida, formando os ventos alísios de sudeste e influindo sobre o litoral oriental do país.

Massa tropical  continental  (mTe): É quente e seca, forma-se sobre a Planície do Chaco, entre a Argentina e o Paraguai, e traz estabilidade ao tempo.

Massa  polar atlântica  (mPa): É fria e úmida, originária da Patagônia, no sul da Argentina. É responsável pelas chuvas litorâneas no litoral brasi­leiro, bem como pelas geadas na Região Sul e pelo fenômeno da friagem na Região Amazônica. No inverno, a massa polar atlântica penetra com maior intensidade. No verão, ela enfraquece e recua, e a massa equatorial continental avança, provocando as chuvas de verão.

Classificações climáticas do  Brasil

São três as classificações mais usadas: de Arthur Strahler, Wilhelm Kõppen e Lísia Bernardes.

Classificação  de Arthur Strahler

Procura caracterizar os climas de acordo com a atuação das massas de ar. O autor faz parte da Escola de Climatolo­gia Dinâmica, que estuda a dinâmica da atmosfera pela observação dos avanços e recuos das massas de ar.

Classificação de Wilhelm  Kõppen

De acordo com essa classificação, uma das mais tra­dicionais e utilizadas, são considerados separadamente cada um dos elementos do clima, tomando por base a temperatura e as precipitações atmosféricas. Os elemen­tos são representados com letras maiúsculas e minúscu­las: a primeira letra, sempre maiúscula, representa o tipo geral do clima – A, B, C, D, E; a segunda indica o regi­me de chuvas – f, m, s, w, w'; e a terceira representa a temperatura – a, b, h.

No caso específico do Brasil, a primeira letra poderá ser: A (tropical chuvoso), B (seco) ou C (mesotérmico úmido). A segunda letra poderá ser: f (sempre úmido); m (com pequena estação seca); w (com chuvas de verão); s (com chuvas de inverno); w’ (chuvas de verão e outono). A terceira letra poderá ser: a (verões quentes); b (ve­rões brandos); h (sempre quente).

Nessas circunstâncias, os climas brasileiros, de acor­do com W. Kóppen, são os seguintes:

•         Am – tropical chuvoso, com pequena estação seca. Predomina na Região Amazônica.
•         Af – tropical chuvoso, sempre úmido. Encontra­ do na Amazônia Ocidental e em alguns trechos do litoral brasileiro.
•         As – tropical, com chuvas de inverno e outono. Predomina no litoral oriental do Nordeste brasi­leiro.
•         Aw – tropical chuvoso, com chuvas de verão. Domina o Planalto Central e alguns trechos do Nordeste e Sudeste do Brasil.
•         aw’ – tropical chuvoso, com chuvas de verão e outono. Predomina no litoral setentrional.
•         Bsh – seco, com chuvas de inverno, sempre quen­te. É o clima do Sertão nordestino.
•         Cwa – mesotérmico úmido, com chuvas de ve­rão e verões quentes. Prevalece no Sudeste e parte do Centro-Oeste.
•         Cwb – mesotérmico úmido, com chuvas de ve­rão e verões brandos. É encontrado nas regiões altas do Sudeste brasileiro.
•         Cfa – mesotérmico, sempre úmido, com verões quentes. Prevalece nas regiões de menor altitude e no litoral sul do Brasil.
•         Cfb – mesotérmico, sempre úmido, com verões brandos. É o clima das regiões mais elevadas no Planalto Meridional.