Formas litorâneas de relevo


As formas litorâneas de relevo são o produto da ação do mar sobre o relevo terrestre ao longo do tempo, originando formas peculiares e paisagens características.

Formas litorâneas de relevo

São formas de relevo litorâneo as baías, restingas, lagunas, golfos, praias, penínsulas, enseadas, falésias, fiordes, cabos, arquipélagos e foz em delta.

Baías

Trata-se de uma forma de acidente geográfico em que o mar adentra a costa, formando uma extensão de água em formato côncavo, cercada de terra por todos os lados, exceto um, que se pronuncia para o mar.

A constituição das baías oferece condições favoráveis à construção de portos, o que lhes confere um papel econômico importante.

Um exemplo desse tipo de relevo litorâneo é a Baía de Guanabara, que teve importante papel no povoamento do Rio de Janeiro pelos portugueses a partir do período colonial. As águas calmas da Baía de Guanabara favoreceram a navegação e o acesso ao interior do território. A cidade, inclusive, iniciou sua expansão a partir da Baía de Guanabara.

Restingas

A restinga é um fenômeno geográfico originado pelo recuo do mar através do tempo, sendo composto por solos arenosos, onde se desenvolve uma variada vegetação. Trata-se de um tipo de relevo litorâneo presente ao longo da costa brasileira.

Nas áreas mais baixas, a restinga está sujeita a alagamentos, o que condiciona as formas vegetais existentes, nesse caso, formando as florestas altas alagadas e a floresta paludosa, onde se fazem presentes espécies vegetais como a caixeta e o guanandi, cuja constituição permite a adaptação aos terrenos sujeitos a alagamentos.

O tipo de vegetação predominante é consequência do relevo, variando na medida em que se avança em direção ao interior e nos relevos mais altos.

Lagunas

As lagunas são extensões de água parada separadas do mar por cordões de terra, onde é possível encontrar água doce, salobra ou salgada. São formações aquáticas de pouca profundidade, alimentadas ora pelas águas dos rios, ora por águas oceânicas, através de canais ou da variação da maré.

Nos casos em que a água das lagunas é salgada, o teor de sal é bastante elevado dependendo da temperatura. Em regiões de temperatura mais alta, a concentração de sal é maior. É um ambiente que abriga poucas espécies, tanto animais como vegetais, mas oferecem alimentação abundante para a base da cadeia alimentar dos oceanos, servindo de refúgio a algumas espécies marinhas para a reprodução.

Golfos

Golfo é um acidente geográfico em que uma faixa de água adentra o continente, formando uma grande extensão de água cercada de terra pelos dois lados.

Ainda que guarde características em comum com as baías, os golfos possuem extensão maior. O maior golfo do mundo, o de Bengala, tem 1.900 quilômetros de comprimento e 2.172.000 quilômetros quadrados de superfície.

As regiões onde existe essa forma de relevo litorâneo são extremamente favoráveis à habitação. Não sujeitos às correntes marinhas, oferecem excelente ambiente para o transporte aquático, a caça e a pesca.

Praias

Praias são extensões litorâneas arenosas ou rochosas, banhadas pelo mar. As formações arenosas são consequência da não consolidação pelo fluxo das ondas de sedimentos acumulados. A característica do terreno faz com que esse tipo de relevo seja instável, sujeito às marés, erosão e temporais, podendo a faixa de areia aumentar ou ser reduzida de forma até regular.

Os países que contam com esse fenômeno geográfico estão servidos por uma rica fonte de receitas com turismo, uma vez que oferecem as melhores condições para o banho de mar.

Penínsulas

A península é uma extensão de terra cercada de mar, porém ligada ao continente por uma de suas extremidades, em geral consequência do processo de separação dos continentes, conhecido como deriva continental.

Um ótimo exemplo é a Península Ibérica, que abriga Portugal e Espanha, que se pronuncia em direção ao Oceano Atlântico, favorecendo a criação de portos estratégicos e da navegação.

Enseadas

As enseadas podem ser descritas como pequenas baías, reentrâncias geralmente em forma de arco, ocupadas pelas águas em direção aos continentes. Em geral, são limitadas por formações geográficas elevadas, chamadas promontórios.

Falésias

São formações rochosas, elevadas e abruptas, esculpidas pela erosão provocada pela ação do mar durante milhões de anos. São consequência principalmente das oscilações do nível do mar e pelas mudanças climáticas.

Há dois tipos de falésias. As vivas são aquelas onde o processo chamado “abrasão marinha” ainda está em curso. As falésias mortas são aquelas em que a erosão não mais ocorre.

Fiordes

Fiorde é um acidente geográfico em que o mar adentra a terra por entre formações rochosas elevadas, sugerindo o formato de um rio. A água do mar ocupa os vales entre esse relevo proeminente. A extensão de alguns fiordes chega a superar 350 quilômetros de comprimento por entre os paredões, em parte submersos a profundidades de quase 1.500 metros em alguns casos.

Cabos

Também chamados de promontório, ponta ou pontal, os cabos são acidentes geográficos constituídos por uma proeminência de terra de constituição rochosa, que se destaca do litoral em direção ao mar.

Arquipélagos

Os arquipélagos são fenômenos geográficos cuja origem pode ser vulcânica, consequência do movimento das placas tectônicas, ou relacionada a depósitos de corais, chamados arquipélagos coralinos.

Trata-se de um conjunto de ilhas, pequenas extensões de terra cercadas de mar por todos os lados, de mesma origem geológica e próximas umas às outras, que pode se formar nas proximidades do continente.

Foz em delta

Quando um rio se encontra com outro rio, lago ou oceano, ocorre o que em geografia é chamado de foz. A foz em delta é o encontro do rio com o mar que se dá em forma de canais, formando pequenas faixas de terra, à semelhança de ilhas.