Globalização: O que é, Blocos Econômicos e União Europeia


O que é globalização ou mundialização?

É o crescimento da interdependência dos países e dos povos da Terra. Essa interdependência passou a ser cha­mada de “aldeia global” por alguns autores, pois, com o desenvolvimento dos meios de comunicação e de trans­porte, todos ficam sabendo, em tempo real, o que ocorre no mundo inteiro. As trocas comerciais e as viagens in­ternacionais, nos últimos anos, estão crescendo acentuadamente. O espaço mundial ficou, por sua vez, mais integrado. Outro fato que indica a presença da globalização é uma certa uniformização de hábitos. As pessoas comem nas mesmas cadeias de fast food, bebem os mesmos re­frigerantes, vestem as mesmas marcas, assistem aos mes­mos filmes e ouvem músicas semelhantes.

Globalização

Multinacionais

O exemplo mais marcante da globalização são as multinacionais e sua expansão. Hoje, elas controlam a maior fatia da economia mundial. A maioria delas tem sede nos países desenvolvidos, exceção feita à Petrobras, do Brasil, e à Samsung, da Coreia do Sul. Para livrar-se dos encargos sociais e do pagamento dos altos salários conquistados pelos trabalhadores de seus países de origem, grandes empresas dos países de­senvolvidos passaram a instalar filiais em países sub­desenvolvidos, onde produzem um número cada vez mai­or de produtos: automóveis, eletrodomésticos, material de comunicação, alimentos, etc. Por fabricarem seus di­ferentes produtos em muitos países, tais empresas fica­ram conhecidas como multinacionais.

Opera-se assim uma profunda alteração na divisão internacional do trabalho, pois muitos países, como o Bra­sil, deixam de ser apenas fornecedores de alimentos e matérias-primas para o mercado internacional para se tor­narem produtores e até exportadores de produtos indus­trializados. As multinacionais, nas décadas anteriores, expan­diam-se cada vez mais, para obter maior lucro e reme­tê-lo à matriz (“Parar de crescer era prenúncio de mor­te”). Hoje, a lucratividade é obtida mediante vantagens sobre a concorrência, oferecendo produtos mais bara­tos, preferencialmente de melhor qualidade. Precisa-se reduzir custos mediante ganhos de produtividade, por meio do aprimoramento tecnológico. Esse avanço tec­nológico implica informatização de atividades e auto­matização da indústria, incluindo até a robotização das fábricas. A consequência imediata é o alto índice de desemprego atual.

Os avanços tecnológicos nos transportes e nas co­municações fizeram com que as multinacionais adotassem um novo procedimento, dispersar as etapas de produção em escala mundial, para reduzir custos. A produção deixa de ser local para ser mundial. Um com­putador montado na Coreia do Sul tem seus compo­nentes produzidos em mais de um continente. A Nike americana usa o couro brasileiro para produzir os tê­nis na China e vender no mundo todo. Hoje, é difícil identificar o lugar em que determinado artigo indus­trial foi produzido.

Em função dessa mundialização, as multinacionais passaram a ser conhecidas também como transnacionais. A globalização é mais do que a internacionalização da economia, é a integração das economias nacionais em nível mundial. Tem caráter de reciprocidade de re­cursos humanos, tecnologias, capitais e mercadorias.

Blocos econômicos

A grande tendência na globalização atual é a forma­ção de grandes blocos econômicos. Estes blocos econômicos são associações de países, normalmente de uma mesma região geográfica, que es­tabelecem relações comerciais privilegiadas entre si e atu­am de forma conjunta no mercado mundial. Um aspecto marcante nos blocos econômicos é a redução ou a elimi­nação das alíquotas de importação, com vistas à criação de zonas de livre comércio, aumentando assim a interde­pendência das economias dos países-membros.

Diferenças entre blocos econômicos

•         Zona de livre comércio – visa à eliminação das tarifas alfandegárias entre os países membros. Exemplo: NAFTA.
•         União aduaneira – além de abolir tarifas inter­nas, regulamenta o comércio do bloco com os países de fora. Exemplo: O Mercosul e a TEC (Tarifa Externa Comum).
•         Mercado Comum – permite a livre circulaçãode mercadorias, de capitais e de pessoas no inte­rior do bloco; os países-membros podem adotar
a mesma política de desenvolvimento e uma mo­eda única. Exemplo: União Europeia.

Principais blocos econômicos União Europeia

O embrião do MCE (Mercado Comum Europeu) foi o Benelux (1947), pelo qual eliminavam-se as fronteiras alfandegárias entre Bélgica, Holanda e Luxemburgo, mas o funcionamento efetivo do programa começou em 1948. Em 1952, os membros do Benelux, junto com Fran­ça, Alemanha e Itália, criaram a Ceca (Comunidade Eu­ropeia do Carvão e do Aço), com o objetivo de acabar com as fronteiras alfandegárias para os produtos ligados à siderurgia. Em 1973, Reino Unido, Ir­landa e Dinamarca aderiram ao MCE; em 1981, Grécia; em 1986, Portugal e Espanha e, em 1995, Suécia, Fin­lândia e Áustria. Em dezembro de 1991, na cidade de Maastricht (Ho­landa) foi assinado o Tratado de Maastricht.

Em janeiro de 2002, o euro entrou em circulação, substituindo a moeda nacional em 12 países-membros. Reino Unido, Dinamarca e Suécia não aderiram ao euro, temendo perder soberania, já que consideram suas moe­das símbolos nacionais. A maior ampliação da história do bloco ocorreu em maio de 2004, com a entrada de dez novos membros: Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Malta, Polônia e República Checa.

Com exceção de Chipre e Malta, os países estavam sob o re­gime socialista até a queda do muro de Berlim e fizeram transição para o capitalismo. As exigências em relação a direitos humanos, contas públicas equilibradas, institui­ções democráticas consolidadas, adiou a entrada de ou­tros pretendentes. Os novos membros ainda não fazem parte da zona do euro, pois sua adesão depende do cumprimento de vários pré-requisitos.

Em outubro de 2004, os 25 países-membros assina­ram o tratado que estabeleceu a Constituição da União Europeia, e que estabelece as bases das políticas econômica, de imigração, de defesa e tributária comuns. Conforme a constituição, as decisões devem ser toma­das por pelo menos 55% dos países desde que compre­endam 65% da população do bloco. A UE terá um pre­sidente e um ministro das relações exteriores. A consti­tuição, contudo, só entrará em vigor quando for ratifi­cada por todos os países-membros (ou pelo Parlamento ou em plebiscito).

Em plebiscito realizado em 2005, França e Holanda não concordaram com a constituição. Uma das preocu­pações da população dos países mais ricos do bloco é com o possível fluxo migratório de trabalhadores dos novos países-membros para o oeste europeu agravando ainda mais o problema do desemprego.

A sede principal da União Europeia é Bruxelas e sua organização é composta por:
•         Comissão Europeia – órgão executivo, compos­to por membros designados pelos Estados, para mandatos de quatro anos.
•         Conselho de Ministros – órgão legislativo da or­ganização
•         Parlamento Europeu – O PE é composto atualmente por 732 deputados diretamente eleitos pe­los cidadãos dos países-membros, com mandato
de 5 anos.