Indústria calçadista brasileira


A indústria calçadista brasileira é uma das que mais se destacam no panorama da industrialização em nosso território. Suas atividades foram iniciadas com o fim do século XIX, se tornando verdadeiramente intensas logo após a Guerra do Paraguai.

A formação dessa indústria foi de extrema importância para estabelecer grande parte dos imigrantes europeus que chegavam ao nosso território, especialmente da Itália e da Alemanha. Para comportá-los e verdadeiramente dar a oferta de emprego pela qual esperava, a indústria calçadista brasileira foi uma das mais significativas opções no Sul e Sudeste do Brasil.

Indústria calçadista

História da indústria calçadista brasileira

Tudo começou quando alguns imigrantes alemães chegaram a nosso país, no ano de 1824. Eles logo se instalaram no Vale do Rio dos Sinos, onde os primeiros passos dessa história são dados.

Ao avaliar quais eram as habilidades dos imigrantes, notou-se a facilidade deles para a realização de artesanato com o material de couro. Sendo assim, logo eles foram escalados para trabalhar na confecção industrial de calçados, além de outros produtos – como os arreios para montaria do exército, por exemplo.

Além desse capítulo, existe outro também de grande importância nesse período. No ano de 1850, mais ou menos, chegou ao oeste paulista uma grande leva de imigrantes italianos, aproveitando a expansão do café em nosso território e firmando suas moradias principalmente na cidade e região de Franca.

Porém, a fase não era a das melhores para os produtores de café, motivo pelo qual os imigrantes italianos também começaram a desenvolver as suas habilidades para trabalhar com a produção calçadista brasileira – nesse início, mais como uma forma de sobrevivência do que por opção.

Visto o sucesso dessa indústria em nosso território, não foram poupados esforços para desenvolvê-la. Já na década de 1870, uma invenção foi fundamental para o desenvolvimento da indústria calçadista brasileira: a máquina de costura. Tornando alguns trabalhos antes manuais automatizados, foi em meio a esse cenário que as primeiras fábricas foram instaladas e criadas em nosso país.

Nesse período a concentração de curtumes foi maior principalmente no Rio Grande do Sul, especificamente na cidade do Vale dos Sinos. Além disso, a indústria também ganhou destaque na cidade de Franca, estado de São Paulo.

Em ambos os espaços, é certo afirmar que eles se desenvolveram de forma extensa uma vez que o Brasil conta com grande oferta de matérias primas para a produção calçadista, como é o caso do couro cru, por exemplo.

Foram também os avanços na área tecnológica, importados principalmente do continente europeu já no finalzinho do século XIX, que provocaram uma grande ruptura nos costumes da indústria calçadista brasileira. A transição fez com que o empreendimento deixasse de lado as suas essências artesanais para verdadeiramente se tornar um negócio de caráter fabril, ou seja, com rotina industrial.

A estagnação da indústria calçadista brasileira

Foi a partir dessa última alteração que a indústria começou a passar por um período de relativa estagnação, experimentando-a por cerca de 40 anos – já no século XIX, entre os anos de 1920 e 1960. Nesse período, dava início também em nosso território o processo de exportação em massa.

Mas é certo afirmar que foi só depois de 1960 que a indústria calçadista brasileira verdadeiramente se consolidou, uma vez que voltou a estaca do crescimento constante – impulsionado pelo comércio que se estabelecia também em nossos vizinhos norte-americanos, nos EUA.

Nesse período, então, a região de Franca no estado de São Paulo se tornou uma grande indústria concentrada na produção e venda de calçados para o público masculino, enquanto o Vale dos Sinos concentrou os seus esforços na produção de diferenciados sapatos para o público mais exigente nesse sentido: as mulheres.

Na década em que a indústria calçadista brasileira não mediu esforços para aparecer no mercado com força, a produção nacional chegou a cerca de 80 milhões de pares de sapatos confeccionados por ano. Tem ideia?

Assim os mercados se tornavam ainda mais extensos também no exterior: as empresas brasileiras entravam em contato com instituições internacionais, trabalhando por meio de uma política conhecida como “line builder” – pela qual os brasileiros eram os verdadeiros responsáveis pela produção de tais modelos.

E como fica atualmente?

E depois de tantos esforços para consolidar em nosso território a indústria calçadista brasileira, você deve estar pensando: e como ela é vista nos dias atuais?

Confira algumas características dela.

• Atualmente, o Brasil só fica atrás da Índia e China no que se refere à produção de calçados, sendo o terceiro maior fabricante de calçados em todo o mundo;

• O país hoje mantém uma média de 8 mil empresas diretamente relacionadas com a oferta nesse setor, que estão distribuídas em todo o país;

• Empregam mais de 340 mil pessoas;

• A exportação do sapato brasileiro é realizada para mais de 150 países em toda a extensão do globo, gerando lucro de cerca de 1,5 bilhão anual.