Industrialização no Brasil: Evolução Histórica, Características e Vanguarda de São Paulo


A industrialização consiste num conjunto de mudanças econômicas, sociais, culturais e políticas que contribuem para desencadear um processo crescente de implantação de indústrias, que por sua vez produzirá uma modernização. O quadro, pintado em 1933, retraia o início da industrialização brasileira, com toda a gente que veio dos quatro cantos do país, e do mundo, para pegar pesado nas fábricas.

Industrialização no Brasil

Num breve relato do processo histórico desencadeado no país, nos mostra o seguinte:

1500-1808: vigência do Pacto Colonial. Qualquer processo de transformação de matéria-prima na colónia era terminantemente proibido por Portugal, com raríssimas exceções (o Engenho).

1808-1914: as restrições foram abolidas, mas a indústria nacional sofreu uma intensa concorrência dos produtos ingleses o que dificultou o
desenvolvimento industrial do país.

1914-1917),: a 1a Guerra Mundial gerou enormes dificuldades à importação e favoreceu a implantação industrial no Brasil (Cia. Siderúrgica Belgo-Mineira) visando substituir importações.

1929: a Crise de Nova Iorque afetou a economia mundial e como decorrência paralisou as exportações brasileiras de café, acabando por incentivar a implantação de indústrias, principalmente em São Paulo, pela dificuldade de importação em virtude da falta de divisas.

1939: a 2a Guerra Mundial, dificultou também as importações gerando estímulos à criação de indústrias no Brasil (Cia. Siderúrgica Nacional-CSN) – 1942/1947.

1956: O “Programa de Metas”, de Juscelino Kubitschek (1956-61) estimulou o setor de energia e transportes, propiciou aumento na produção de energia hidrelétrica e petróleo. Ocorreu grande urbanização e o desenvolvimento rodoviário favoreceu a instalação da indústria automobilística estrangeira e complicando ainda mais o transporte ferroviário existente no país. Nesse período que teve início a internacionalização da economia brasileira, através da crescente participação das empresas multinacionais e transnacionais.

Após 1964, o desenvolvimento industrial foi significativo. Ocorreu maior diversificação industrial. O Governo assumiu certos setores da economia (intervenção estatal) como a produção de energia elétrica, produção de aço, petroquímica, comunicações, abertura de rodovias e outros.

Após 1975, o governo militar se preocupou com o protecionismo, estimulou a produção industrial nacional, livrando-a da concorrência de produtos estrangeiros, que passaram a pagar elevadas tarifas alfandegárias. Seguiu-se a entrada de capitais estrangeiros, principalmente dos japoneses em Manaus, que vieram produzir no Brasil, aqueles produtos que os brasileiros não mais podiam importar em função do protecionismo. Um dos “slogans” criados na época foi: “Exportar é o que importa”. Essas medidas surtiram efeito, visto que a partir de 1980 o país passou a contar com um saldo positivo em sua balança comercial, principalmente em função das exportações de manufaturados.

A partir de 1990, com a adesão ao modelo neoliberal, o governo federal “modificou as regras do jogo”. Através da abertura econômica facilitou a entrada de produtos até então de difícil importação, com o intuito de forçar a indústria nacional a investir mais em pesquisas e a produzir bens de melhor qualidade, visando uma maior competitividade no mercado externo. O processo de industrialização brasileiro não promoveu a integração do espaço nacional. Privilegiou apenas a Região Sudeste que é onde se encontra a maior e mais importante concentração industrial do país, cujo maior destaque é São Paulo.

Os elementos importantes para a industrialização brasileira -como o café e os capitais disponíveis, o imigrante e o trabalho assalariado, a matéria-prima (minerais vindos do Quadrilátero Ferrífero), além do mercado consumidor – estavam concentrados no Centro-Sul do país, principalmente em São Paulo e especificamente na capital e arredores.

A cidade de São Paulo foi fortemente beneficiada pela sua posição geográfica. Localizada na porção oriental do Estado, no planalto e próximo a serra do Mar, constituindo uma passagem obrigatória para se chegar ao porto de Santos, o mais importante do país desde o final do século XIX.
São Paulo cresceu muito com o comércio de café. Essa atividade criou em São Paulo, ainda no século XIX, uma eficiente infraestrutura de ferrovias. No começo do século XX, expandiram-se enormemente os serviços públicos: construíram-se modernos sistemas de água e esgotos, rede de iluminação, linhas de bonde e algumas usinas hidrelétricas nas vizinhanças. A atividade industrial aproveitou-se, portanto, de uma série de condições favoráveis que foram criadas em São Paulo pelo café. Entre eles um mercado consumidor, mão-de-obra, eletricidade, transportes e excelente sistema bancário.

Como a concentração industrial no Sudeste acentuou mais ainda as desigualdades econômicas e sociais inter-regionais, o governo federal juntamente com os governos estaduais e municipais, através de uma política de incentivos fiscais e subsídios, estimularam a desconcentração industrial com vistas a promover o desenvolvimento socioeconômico das demais regiões. Assim, a partir de meados da década de 1970 e durante os anos 80 ocorreu um processo de desconcentração industrial, tanto intra-regional como inter-regional que acabou ganhando proporção nacional. Contudo, não conseguiu ainda eliminar as grandes desigualdades da distribuição industrial no país.