Mar de Aral


O Mar de Aral é um de lago de água salgada que está localizado entre as províncias de Aqtöbe e Qyzylorda, na Ásia Central. Possui mais de 1500 ilhas ao seu redor, motivo pelo qual ele foi batizado dessa forma – em português, Mar de Aral significa Mar das Ilhas. Ele chegou a possuir 68 km², sendo na ocasião o quarto maior lago do mundo. No entanto, devido a projetos fracassados de irrigação da antiga União Soviética, ele passou a ser reduzido drasticamente a partir de 1960. Em 2007, avaliou-se que existia apenas 20% do seu tamanho original, e em 2010 que o lago se limitava a três porções menores.

Mar de Aral

O Mar de Aral avança rapidamente para a desertificação total. Hoje são inúmeros os problemas oriundos do desastre promovido pelos soviéticos. No passado havia uma próspera indústria pesqueira, que rendia muito lucro para a região. Ela foi praticamente abolida, e como consequência as comunidades da região passaram a sofrer com desemprego e crises econômicas. Além disso, houve uma grande poluição que tem afetado a saúde dos moradores da região. Outra consequência direta é a mudança radical do clima, devido ao recuo do mar. Os habitantes locais têm experimentado um verão mais quente e seco e um inverno mais frio e longo.

Causas do desastre

Há 40 anos o deserto encontrado hoje na região estava no fundo de um dos maiores mares do mundo. Durante gerações a enorme reserva de água doce alimentava milhões de pessoas com peixes. Mas, há mais de meio século, autoridades russas decidiram pôr em prática uma ideia colossal: queriam utilizar a água do mar de Aral para criar gigantes campos de algodão.

O governo soviético começou a desviar o mar para enriquecer sua produção agrícola logo após a Primeira Guerra Mundial. Nos anos 40, instalou sistemas de irrigação para obter água dos afluentes do mar. O sistema era precário e não havia conhecimento suficiente para o sucesso do projeto. Desde cedo se tornou evidente que o mar e as comunidades em volta sofreriam sérias consequências. Mas na época havia entusiasmo no racionalismo que, em tese, dominaria a natureza.

O desastre se tornou evidente quando perceberam que 75% da água obtida era perdida através de vazamentos e evaporação. Já na década de 60, podia-se constatar que o Mar de Aral havia perdido mais de 50% do seu tamanho original.

Com a desertificação, surgiram duas correntes de estudos que tentavam explicá-la. A primeira considerava tudo como um fenômeno natural, que acontecia devido a fatores geológicos e climáticos. Os partidários da tese afirmavam que o lago estava morrendo por causa do ciclo da natureza. No início, o governo soviético defendia oficialmente essa posição.

A outra corrente afirmava que o fenômeno era antropogênico. O problema estaria sendo causado pelo desvio das águas dos rios que abastecem o mar. Essa vertente é a mais provável e defendida pelos estudiosos de hoje.

Na época, peritos soviéticos consideravam que o mar do Aral evaporaria de maneira inevitável. No entanto, muitos estudiosos já sabiam o que a União Soviética estava fazendo na região, e previam tais acontecimentos. Mais tarde ficou provado que os soviéticos tinham conhecimento do que aconteceria com o mar. Em 1974, o engenheiro russo Aleksandr Asarin afirmou que tudo fazia parte de um plano. O Conselho de Ministros e do Politburo havia aprovado o projeto, e ninguém poderia contradizer as decisões.

Futuro do Mar de Aral

Muitas medidas vêm sendo estudadas, desenvolvidas e implantadas para reduzir os danos causados pela catástrofe. O Cazaquistão, por exemplo, possui um projeto para recuperar a parte norte do mar. Em 2005 o país construiu uma grande barragem que proporcionou o crescimento do nível da água. Em 2008 já foi possível registar um aumento de 12 metros em relação ao nível mais baixo já registrado, em 2003.

Essa pequena mudança já trouxe benefícios para a região. Caiu a salinidade e surgiu um número suficiente de peixes para criar uma atividade pesqueira. Infelizmente, para o sul do Mar de Aral não há nenhuma perspectiva de mudança. A desertificação dessa região já tem sido caracterizada por especialistas como um dos maiores desastres ambientais que o planeta já sofreu.

Por causa disso, o futuro do mar de Aral permanece incerto. Cientistas questionam se será viável criar métodos para a recuperação. Muitas soluções foram propostas, como:

  • Instalação de estações de dessalinização de água
  • Redução da produção de algodão nos arredores
  • Melhoria dos canais de irrigação
  • Reposição da água através dos glaciares da Sibéria ou dos rios Ob, Volga e Irtich. Levaria de 20 a 30 anos para o mar voltar a ser como era, porém o projeto custaria 50 bilhões de dólares
  • Redução do uso de produtos químicos nos arredores
  • Produção de produtos que não usam tanta água
  • Instrução dos agricultores para que não usem tanta água
  • Criação de novas barragens
  • Uso de bombas e gasodutos para a diluição da água do Aral. Seria usada a água do mar Cáspio e do oceano.