Mecanização do campo no Brasil


A mecanização do campo no Brasil é um tema interessante, pois nos leva diretamente à percepção incontestável de que o campo, desde que o homem começou a criar máquinas que pudessem auxiliá-lo nos trabalhos ligados à área rural, nunca mais foi o mesmo, tendo passado por incontestáveis mudanças de paradigmas e de estrutura que o transformaram definitivamente. Trabalhar com a terra, nela fecundar e dela colher é um aspecto da intervenção humana na natureza que acompanhou toda a história da evolução da humanidade. Entretanto, apesar dessa constatação mais do que coerente, não é preciso ser um especialista no assunto para saber que essa intervenção tem sido cada vez mais acelerada e agressiva.

Mecanização do campo

Ainda que nessa vertente crítica possamos enxergar algumas mazelas dessa intervenção mecanizada do homem sobre a terra, é inegável que a mecanização do trabalho agrícola foi e ainda é a grande responsável pelo desenvolvimento humano, seja na forma de aumento de produtividade, seja na forma de melhor uso das características essenciais de cada solo, ou seja ainda na velocidade com que processos até então artesanais, como o plantio e a colheita, agora passaram a tomar corpo. Para alguns agricultores e até mesmo alguns geógrafos, se não fosse a mecanização do campo, nosso desenvolvimento humano estaria completamente em risco, visto que a população do planeta demanda essa aceleração na produção alimentar. Se ainda fôssemos depender do trabalho manual, ainda que em grande quantidade, a qualidade dessa produção agrícola estaria inegavelmente vitimada e comprometida.

A mecanização: o desenrolar de uma história

Dentro da perspectiva de quem trabalha com isso diariamente, é possível compreender que a mecanização do campo na realidade ajuda o produtor agrícola em todas as fases do processo de plantio. Inicialmente, ela ajuda a preparar o solo para a plantação, e, em seguida, faz a manutenção de todas as lavouras que foram previamente semeadas. O processo de plantio e colheita são transformados em operações mais rápidas, dinâmicas, eficientes e equidistantes temporalmente, isto é, com um tempo operacional adequado completamente socializado entre todas as plantas.

Apesar de muitas pessoas compreenderem o conceito geral por trás da agricultura mecanizada, muita gente sequer tem conhecimento de quais são as grandes ferramentas ou maquinaria que está por trás de todo esse desenvolvimento tecnológico que tanto tem acompanhado a agricultura ultimamente. Os arados, os tratores e as colheitadeiras são as grandes ferramentas empregadas na agricultura contemporâneas. Não é por acaso que, quando se pensa em modernização do campo, a primeira imagem que nos vem à cabeça é um trator. E o mais curioso dessa relação semiótica que estabelecemos naturalmente entre a mecanização do campo e esse curioso carro de proporções descomunais é que, atualmente, é justamente o número de tratores em exercício que nos faz obter o índice real de mecanização de um determinado país ou região. Em outras palavras, um país é considerado mais ou menos desenvolvido em sua agricultura de acordo justamente com o número de tratores que estão presentes no seu campo!

Fabricação, comércio e mercado de maquinaria agrícola.

Como todo setor que aponta para um desenvolvimento tecnológico, em paralelo à ele cresce e se desenvolve uma indústria que sustenta e suporta esse mesmo desenvolvimento, produzindo a tecnologia necessária para que ele se concretize. É também o que acontece com o mercado de produtos industriais que atende o trabalho no campo. Trata-se, na verdade, de um mercado milionário, controlado em nosso país por empresas de grande porte que também atuam em diversos outros países, importando e exportando tecnologia entre todos os produtores agrícolas do mundo.

Contróversias: o desenvolvimento tecnológico do campo aplacou a fome?

É justamente no cruzamento das informações a respeito do desenvolvimento tecnológico do campo em correlação com a fome da população mundial, isto é, os índices dessa população que ainda passam fome em regiões paupérrimas do mundo, que nos deparamos com uma questão de suma importância: o desenvolvimento tecnológico do campo acirrou a produção, tornando-a mais eficaz, dinâmica e, consequentemente, mais volumosa. Apesar desse avanço notadamente positivo, é possível afirmar que ele corroborou diretamente com a diminuição da fome no mundo?

Há quem diga que sim. Isto porque, durante as décadas de 60 e 70, difundiu-se a ideia de que por volta do ano 2000 a população teria atingido um índice tamanho que o mundo estaria mergulhado em uma grande fome, que iria se alastrar e impactar de maneira praticamente apocalíptica a população em geral. Apesar dessa previsão alarmante, o fato é que a população mundial aumentou e não nos deparamos até então com essa crise alimentar imensa e congênita. Em paralelo a isso, observamos o desenvolvimento tecnológico servindo ao melhor aproveitamento das condições do campo, e impactando, consequentemente, em uma agricultura cada vez mais sustentável no sentido de que nada se desperdiça, nem nada se descarta. Portanto, é de certa forma coerente compreender o desenvolvimento tecnológico do campo como sendo uma atividade primordial para o desenvolvimento humano como um todo.