Migração, Imigração e Geografia Urbana: Cidades e Urbanização


Movimentos da População, Geografia Urbana

A população humana apresenta-se em estado perma­nente de movimento. Além dos movimentos verticais que resultam da diferença entre a natalidade e a mortalidade, ocorrem também os movimentos horizontais ou migrações. Os movimentos migratórios podem ocorrer de duas formas:
•    emigração – saída de uma região ou país para viver em outra(o);
•    imigração – entrada em outra região ou país.

Migração, Imigração e Geografia Urbana

Principais fluxos migratórios internos

•         Nomadismo – sistema de vida de certos povos, caracterizado pela inexistência de morada fixa. Esse tipo de migração, que foi muito praticado na periferia dos desertos e pelas tribos indígenas em busca de alimento, encontra-se em fase de desaparecimento.
•         Transumância – deslocamento cíclico de pes­soas entre dois lugares, geralmente por motivosclimáticos. No Pantanal, em razão das enchen­tes, ocorre o deslocamento para áreas livres; fin­do o período de enchentes, os pecuaristas vol­tam com os seus rebanhos. É uma migração pe­riódica ou sazonal.
•         Pendulares – deslocamentos realizados diaria­mente, da periferia para o centro da cidade ou de cidades próximas para os grandes centros em
razão de trabalho ou estudo.
•         Êxodo rural – deslocamento populacional das áreas rurais para as áreas urbanas.

Causas das migrações

As principais causas das migrações são econômicas, pois os habitantes de uma região se transferem para outra em busca de melhores condições de trabalho. Foi o que ocorreu nos séculos XIX e XX, quando poloneses, italia­nos e alemães transferiram-se, em massa, para a América, e ocorre hoje quando as pessoas saem dos países subde­senvolvidos à procura de melhores oportunidades nos de­senvolvidos (“bárbaros do sul”). Também são econômicas as causas do êxodo rural, um grande drama que se abate sobre as cidades brasileiras na atualidade.

As migrações podem ter, contudo, caráter político e até religioso. Os conflitos tribais africanos são motivos suficientes para que muita gente emigre neste início de século. Os maiores exemplos de migrações por motivos religiosos, historicamente, foram as dos puritanos (quakers), que saíram da Inglaterra para os Estados Uni­dos, e as dos bramanistas e muçulmanos, alternando-se entre índia e Paquistão.

Geografia  Urbana

Um dos maiores fenômenos humanos é o crescimento das cidades, cujas consequências nem sempre são positivas.

A cidade e o fenômeno urbano

Historicamente, o campo precedeu a cidade. As pri­meiras cidades dependiam muito do meio rural, que, até a Primeira Revolução Industrial, era mais importante que o urbano. Atualmente, o campo depende da cidade, pode-se dizer mesmo que vive em função dela. Representando a forma mais destacada de ocupação humana, as cidades influem decisivamente na configura­ção do espaço geográfico, comandando o estabelecimento de inúmeras atividades produtivas: indústrias, comércio, prestação de serviços, rede de transportes. Realmente, as cidades são hoje o ponto de convergência e a origem das modificações no espaço, constituindo os principais mer­cados consumidores e, também, os locais onde ocorrem as inovações e as conquistas tecnológicas exportadas para as zonas rurais.

Definir o que é cidade não é uma tarefa fácil em fun­ção da multiplicidade de aspectos que ela apresenta. De forma simplista, pode-se dizer que cidade é uma concen­tração de pessoas e de atividades econômicas secundárias e terciárias. A área efetivamente ocupada pela cidade de­nomina-se sítio urbano. A maioria dos países utiliza o critério demográfico quantitativo para determinar se uma localidade pode ser considerada urbana. Isso ocorre quando o número de ha­bitantes ultrapassa um determinado número, estabelecido como mínimo. Enquanto na Espanha o número mínimo é de 10 000 habitantes, na Dinamarca é de 250 habitantes. Outros países, como é o caso de Israel, consideram como cidade todos os núcleos populacionais cujas atividades econômicas dominantes não estejam ligadas à agropecuária. Na maioria dos países latino-americanos, inclusive no Brasil, são consideradas cidades todas as sedes político-administrativas dos municípios.

O que é urbanização?

Quando a população residente no meio urbano cresce a taxas maiores do que a do meio rural, diz-se que ocorre urbanização. Por exemplo: no Brasil, em 1960, 56% da população era rural e 44%, urbana; em 2000, a população rural era de 19%, enquanto a urbana cresceu para 81%. Nesse caso houve um aumento da urbanização no sentido demográfico.

Quando esses equi­pamentos são instalados em zonas rurais, ao longo das ro­dovias, por exemplo, está havendo expansão da urbaniza­ção. As primeiras cidades apareceram há mais de 3 500 anos a.C., contudo o processo de urbanização moderno teve iní­cio há pouco mais de dois séculos (século XVIII), com a Revolução Industrial, desencadeada primeiro na Europa e em seguida nas demais áreas desenvolvidas do mundo. No mundo subdesenvolvido, a urbanização é um fato bem mais recente. Hoje, vive nas cidades aproximadamente a metade da população mundial e a tendência é de que esse número aumente cada vez mais. Deve-se ressaltar ainda que as po­pulações europeias e americanas são, em geral, bem mais urbanizadas que as populações asiáticas e africanas.

Urbanização em países desenvolvidos

Após a Revolução Industrial e, principalmente, a par­tir do século XIX, vários países da Europa Ocidental sofreram intenso processo de urbanização. Assim, no século XIX, cidades como Londres, Paris e Berlim, para citar apenas alguns exemplos, já contavam com mais de l milhão de habitantes.
Nos países ricos, a urbanização ocorreu de forma relativamente normal, quanto aos aspectos socioeconômicos, pois as atividades das zonas industriais (urbanas) atraíam os trabalhadores que eram liberados das ativida­des agrárias (rurais), em razão da mecanização da lavou­ra. Assim, a transformação do agricultor em operário foi processo absorvido sem grandes traumas ou problemas. Atualmente, em alguns países europeus, a maioria abso­luta da população vive nas cidades. Em países como In­glaterra, Alemanha e Suécia, entre outros, a população urbana é superior a 80%.

Urbanização em países subdesenvolvidos

A urbanização nos países subdesenvolvidos é bem mais recente. Iniciado a partir da Segunda Guerra Mun­dial, o processo ainda é muito intenso e bem mais trau­mático do que nos países desenvolvidos. O desenvolvimento industrial nos países subde­senvolvidos não acompanha o ritmo de crescimento da população, gerando não o verdadeiro crescimen­to, mas o inchaço doentio das cidades em que a marginalização, a doença, a fome, a miséria moral e ma­terial e a criminalidade tornam praticamente insupor­tável a vida nas metrópoles como se observa nas gran­des cidades da América Latina, da África e do Su­deste Asiático. Há muitas décadas já se vem afirmando que a po­breza urbana é o transbordamento da pobreza rural, mas pouco de concreto se tem feito para evitar o agravamen­to dessa situação.