Movimentos Migratórios


De tempos em tempos, devidos a situações como guerras e busca por melhores condições de vida, ocorre o que se denomina em geografia de movimentos migratórios. A migração pode ser caracterizada como o ato de determinado indivíduo deixar seu país para viver em outro.

Antes de prosseguirmos com a explicação, é necessário distinguir imigração de emigração: imigração é um termo adotado para o ponto de quem está viajando para fora, como exemplo podemos citar a frase “Muitos brasileiros imigraram para os Estados Unidos em busca de melhores condições de vida”. Já emigração diz respeito justamente ao movimento contrário, ou seja, é adotado para dar nome ao ato de receber pessoas, como na frase “Durante a Segunda Guerra Mundial, muitos alemães emigraram para o Brasil na tentativa de fugir da guerra e do nazismo”.

Migratórios

Ainda na linha dessa diferenciação de termos podemos distinguir a migração, que são os movimentos migratórios realizados dentro do próprio país. Vamos analisar com mais detalhes este tipo de deslocamento.

A migração no Brasil

Segundo a geografia, há dois principais tipos de migração: a transumância e a pendular, e não seria diferente com a migração no Brasil. A primeira caracteriza-se como a migração em determinadas épocas do ano, ou seja, não é uma migração duradoura. Como exemplo, podemos citar as pessoas que saem nas férias de janeiro do interior de algum estado ou mesmo de outro estado com destino às praias. Este tipo de migração é de extrema importância para a manutenção de economias locais que têm como base o turismo, como as cidades de serra e as cidades litorâneas.

Já a migração pendular diz respeito a deslocamentos populacionais na cidade, quando um grupo sai da periferia em direção ao centro da cidade. Este tipo de migração é muito peculiar quando falamos do nosso país, pois é de extrema complexidade e capaz de revelar as desigualdades de uma cidade. Em grandes cidades como São Paulo, as moradias da região central têm preços absurdos devido à especulação imobiliária. Como resultado, as pessoas de classes mais baixas, mesmo que trabalhem ali, têm que morar na periferia, na qual o aluguel é mais baixo. Para chegarem ao trabalho, têm que enfrentar uma verdadeira maratona de transportes, o que não raro leva questão de horas. Um bom exemplo de migração pendular é a ocupação de prédios sem uso nos grandes centros urbanos por integrantes de movimentos sociais como o MST (Movimento Sem Terra) ou por pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza, como sempre visto na cidade de São Paulo.

No entanto, além desses dois tipos de migração, no Brasil existe até os dias de hoje um movimento migratório de alta complexidade: o êxodo rural. Buscando fugir da extrema pobreza e da seca, o povo nordestino migrou para o sudeste, principalmente nos anos 60 e 70, devido ao forte processo de industrialização que as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro passavam. No entanto, é interessante notar que o aumento de interesse econômico na região Nordeste do Brasil, através da construção de usinas eólicas, instalação de empresas de tecnologia, aumento na qualidade do ensino público e constante aumento da procura pelas praias e outros atrativos turísticos, tem causado atualmente o processo reverso, onde retirantes nordestinos estão voltando a suas terras natais e mesmo pessoas nascidas na região sudeste estão partindo para aquela região em busca de salários mais atrativos e melhor qualidade de vida. Há muitos outros aspectos relevantes da migração no Brasil, mas vamos agora focar na imigração no Brasil.

Imigração no Brasil

O Brasil sempre foi um país com abertura internacional e isto se reflete em sua política de imigração. Na primeira metade do Séc. XX, devido às duas grandes Guerras Mundiais, o Brasil recebeu uma enorme quantidade de imigrantes, notadamente os alemães e os italianos, instalados em sua maioria na região sul do Brasil, e os japoneses, instalados por todo o estado de São Paulo. Para ter uma ideia da quantidade de imigrantes recebidos, o Brasil possui a maior colônia japonesa fora do Japão.

Avançando um pouco mais na história, temos dois importantes processos de imigração no Brasil. Em 2010, o Haiti, país caribenho, enfrentou um avassalador terremoto, destruindo praticamente o país inteiro e deixando em extrema vulnerabilidade seu povo, que já se encontrava em situação precária antes do terremoto. Pela facilidade de acesso através da Guiana, país situado acima da região norte do Brasil, muitos haitianos foram autorizados a entrar no Brasil, migrando especialmente para a região sudeste em busca de emprego. Hoje, a maioria dos imigrantes haitianos trabalha na construção civil do estado de São Paulo.

E foi também devido às flexíveis políticas de imigração no Brasil que refugiados sírios estão encontrando abrigo em nosso país, conseguindo fugir da guerra civil de seu país, que provocou (e continua a provocar) o maior movimento imigratório da história.

Entre casos de xenofobia e outros tipos de preconceito, é importante destacarmos que a imigração e a migração sempre têm um lado extremamente positivo, fortalecendo laços entre países, despertando a solidariedade das pessoas e enriquecendo a cultura em seus mais diversos aspectos.