O País Basco e a volta da xenofobia


A organização política baseada em estados nacionais surgiu na Europa. Sabendo disso, poderíamos pensar que pelo menos lá os conflitos nacionalistas e separatistas já não existissem mais. Porém, não é o que podemos ver na realidade.

Geralmente, associamos os conflitos nacionalistas e os separatismos a povos pouco desenvolvidos. A impressão que temos é que estes problemas se referem aos locais que foram colonizados pelos europeus, principalmente a África e a Ásia, onde achamos que não havia grandes civilizações, mas apenas tribos com religiões e línguas completamente diferentes.

Já ao pensarmos na Europa, o que nos vem à mente é um conjunto de povos muito bem definido: ingleses, espanhóis, franceses, italianos. Parece que estes grupos têm sua história, sua língua e sua religião tão estáveis que não haveria dúvidas sobre suas nacionalidades.

O País Basco

A verdade, no entanto, é que os europeus têm uma história de diversidade linguística e religiosa tão grande quanto a de outros povos do mundo. Até hoje, em países como a Espanha ou a Alemanha, podemos encontrar várias línguas diferentes sendo faladas, ao mesmo tempo, a diferença religiosa no Reino Unido continua causando conflitos entre a população.

A relatividade estabilidade das fronteiras linguísticas e religiosas da Europa foi alcançada através de uma história de grande violência e de imposição da identidade nacional às minorias. O grande problema é que, ainda hoje, alguns grupos não se deixaram vencer por estas imposições e continuam requerendo o reconhecimento de sua especificidade, geralmente através da luta separatista.

O País Basco

Outro conflito nacionalista que vem chocando a Europa Ocidental é a luta pela independência do País Basco. Os bascos são um povo com língua e cultura diferenciadas que vivem entre o nordeste da Espanha e o sudoeste da França. Com cerca de vinte mil quilômetros quadrados, 90% na Espanha, a região conta com uma população de mais de três milhões de pessoas. Além da desenvolvida indústria metalúrgica, os bascos contam também com importantes centros turísticos, como o caso de Bilbao e algumas regiões dos Pirineus.

Por causa de suas características bastante especificas (o idioma basco não pertence a nenhuma família linguística da Europa Ocidental) eles tiveram autonomia até o século XIX, quando foi imposta uma forte centralização por parte do governo espanhol.

Em 1959 foi fundado o ETA (Euskadi Ta Askatasuna, que significa País Basco e Liberdade no idioma local) com o intuito de lutar pela independência completa da região em relação à França e a Espanha.

Após 1975, sua situação melhorou, quando a nova monarquia, unida aos partidos de esquerda, devolveu uma certa autonomia ao povo basco. Mesmo assim, o ETA não parou de lutar, argumentando que o seu interesse é de independência total.

Na década de 90, o conflito com os bascos se tornou mais violento. Primeiramente, em 1993, as forças de segurança francesa e espanhola, em trabalho conjunto conseguiram, numa ação em massa, prender vários líderes do movimento e destruir sua principal sede militar, localizada no lado francês. Nesta mesma década, denpuncias fizeram vir à tona uma organização secreta denominada GAL (Grupos Antiterroristas de Libertação) que lutaram contra o ETA e a independência dos bascos.

A ascensão ao poder dos nacionalistas do PP (Partido Popular) em 1995, deixou a situação ainda mais tensa. Como o PP tem uma histórica postura contrária à libertação, dos bascos, o ETA reagiu violentamente ao novo governo, realizando vários atentados contra políticos que dele fazer parte. Atualmente a situação continua sem solução.

A volta da xenofobia

Outro tipo de tensão social que passou a marcar sua presença na Europa Ocidental, principalmente, após a queda do Muro de Berlim e o fim do socialismo no Leste europeu, foi a xenofobia. Esta palavra significa uma aversão a estrangeiros, o que se generaliza na Europa, dando inclusive, força para o aumento da participação dos partidos de extrema direita em países como a Áustria, a França e a Alemanha.

A crise econômica mundial e a queda dos regimes socialistas da Europa Oriental fez com que milhares de imigrantes buscassem melhores condições de vida nos países desenvolvidos da Europa Ocidental. Imigrantes do norte da África costumam ir para a França, dada a sua proximidade geográfica e linguística. Já a Alemanha é o país preferido dos povos do Leste europeu e da Turquia.

Além de sofrerem com empregos menos qualificados e de menor remuneração, os imigrantes tem sido alvo do ódio racial por parte dos habitantes nativos destes países. Alguns grupos de jovens, muitos dos quais competem diretamente com os imigrantes pelo ingresso no mercado de trabalho, reacendem o ideário fascista, criando o que se chama de gangues neonazistas, prontas para linchar um imigrante turco ou iugoslavo.

A ascensão da xenofobia na Europa Ocidental não se limita a pequenos grupos de jovens fanáticos com a suástica tatuada no corpo. Os próprios governos destes países e, a direção da União Europeia, vem tomando medidas para dificultar a imigração e até expulsar os imigrantes que já se encontram em território europeu. Esta postura demonstra bem que a pregação da livre circulação e da abertura das fronteiras, vinda dos países europeus e dos EUA, se limita às mercadorias, não incluindo as pessoas.