Origens da Indústria Brasileira: História, Atualidade e Estado de São Paulo


A indústria brasileira teve seu início a partir dos engenhos de açú­car já na época do Brasil Colônia. Também nessa época surgiram es­taleiros, pequenas indústrias têxteis e pequenas fundições. Porém, em fins do século XVIII, a rainha de Portugal – D. Maria -, influ­enciada pelos ingleses, editou uma carta régia proibindo a instalação de indústrias e determinando o des­monte daquelas já instaladas no Brasil. Por essa carta, eram permiti­das apenas indústrias de sacarias e tecidos grosseiros para confecção de roupas para os escravos.

Origens da Indústria Brasileira

Dessa maneira, o Brasil perdeu a chance de acompanhar a Revolu­ção Industrial que se iniciava. Somente a partir da vinda de D. João VI, a carta régia foi revogada e começaram a surgir as indústrias. Uma das figuras mais importan­tes do processo de industrialização brasileira foi Irineu Evangelista de Sousa – Visconde de Mauá – que, na época do Segundo Reinado, esti­mulou a instalação de ferrovias e in­dústrias principalmente no Rio de Janeiro.

Durante toda a Primeira Repúbli­ca, a economia brasileira se baseou no modelo primário exportador, ou seja, exportava produtos primários, como café, açúcar, algodão e impor­tava produtos manufaturados. Esse sistema tornava a economia brasilei­ra muito dependente, principalmente das exportações de café. Com a quebra da Bolsa de Valo­res de Nova Iorque em 1929, a cafei­cultura brasileira foi atingida porque os preços do café despencaram, le­vando a nossa economia a uma situa­ção difícil.

A Revolução de 1930

A Revolução de 1930 foi funda­mental para a industrialização, pois levou ao poder um grupo de nacio­nalistas liderados por Getúlio Var­gas.
A partir de Getúlio Vargas, o Es­tado passou a investir maciçamente na infraestrutura industrial e foi adotado o modelo substituto, que signi­ficava exportar produtos primários e importar máquinas e equipamentos, para a implantação de indústrias que substituíssem as importações de manufaturados.
Dentro do planejamento do mo­delo substituto, foram implantadas, a partir da década de 40, quatro em­presas fundamentais para a industria­lização brasileira: a Companhia Si­derúrgica Nacional, a Companhia Brasileira de Álcalis, a Companhia Vale do Rio Doce e, posteriormente, a Petrobras.

O Governo Juscelino

O plano econômico de Juscelino Kubitschek (Plano de Metas), tinha entre suas metas a industrialização rápida do país, por meio de estímu­los à instalação de multinacionais no país.

A Revolução de 1964

A partir da Revolução de 1964, a indústria brasileira passou mais ain­da à situação de dependência do Es­tado e de multinacionais.
As estatais se multiplicaram, muitas vezes em setores supérfluos, com gerenciamento malfeito e defici­tário.

Indústria Brasileira da Atualidade

Mesmo não tendo superado a si­tuação de subdesenvolvimento, o Brasil é um país industrializado, inte­grante dos chamados NICs (Newly Industrializing Countries) graças ao trabalho de milhares de trabalhado­res que até hoje colaboram com sua cota de sacrifício, sendo mal remu­nerados e mal-assistidos pela segu­ridade social. Também, ao lado das multinacio­nais e das estatais, muitas indústrias surgiram através de empreendimen­tos familiares sem o menor estímulo dado pelo Estado.

Características

A indústria brasileira apresenta as seguintes características:
•   dependência de tecnologia exter­na;
•   predomínio das indústrias de bens de consumo duráveis e não durá­veis;
•   participação cada vez maior de multinacionais em setores relevan­tes da atividade industrial;
•   privatização da infra-estrutura in­dustrial;
•   liderança da indústria automobilís­tica.

A Guerra dos Incentivos Fiscais

Nos últimos anos, os esta­dos brasileiros têm travado verda­deira batalha para atraírem indús­trias aos seus territórios.

Distribuição Geográfica das Empresas

O parque industrial brasileiro não se acha bem distribuído pelo ter­ritório. Fato que se explica pela ar­caica estrutura econômica voltada apenas para a exportação de produ­tos primários e que até hoje não foi modificada. A partir da última década do sé­culo XX, a tendência de industrializa­ção nos maiores centros urbanos declinou, em função dos grandes problemas de infra-estrutura, como a violência, o medo de sequestros, a pressão dos sindicatos, o trânsito caótico, enfim, a qualidade de vida. Isso tudo é causa da implantação de indústrias em centros urbanos de médio e pequeno porte.

Como em todo o mundo, os grandes centros urbanos estão cada vez mais se especializando nas atividades do setor terciário. A região Centro Sul é a porção mais industrializada do país, verificando-se no estado de São Paulo a maior concentração de indústrias.

Estado de São Paulo

No estado de São Paulo, con­centra-se na Região Metropolitana de São Paulo e em cidades de médio e pequeno porte do interior, como, por exemplo, na região de Ribeirão Preto (319 km de São Paulo). A industrialização de São Paulo se efetivou de maneira mais intensa pelos seguintes fatores:
•   capitais acumulados pela cafeicul­tura;
•   infra-estrutura de transporte (ferro­vias e aparelhamento do porto de Santos) implantada pela cafeicul­tura;
•   migração italiana.

Os principais centros industriais do Estado são:

A Região Metropolitana de São Paulo ainda é o maior centro urbano industrializado da América Latina. Constitui-se num complexo in­dustrial com todos os tipos de indús­trias instaladas. Constituída pelas cidades de Santo André (19 km de São Paulo), São Bernardo do Campo (21 km de São Paulo), São Caetano do Sul (21 km de São Paulo) e Diadema, é área de concentração de indústrias mecânicas, metalúrgicas e automo­bilísticas.

Situada no sopé da Serra do Mar, próximo a Santos, integra o conjunto de municípios da Baixada Santista. Em Cubatão, localiza-se o 1o Polo Petroquímico Brasileiro (PPBR), além da Refinaria Presidente Arthur Bernardes e da Companhia Siderúr­gica Paulista (COSIPA). Sendo um município situado en­tre a montanha e o mar, apresenta grandes problemas ambientais, de­vido à dificuldade da dispersão dos gases poluentes das indústrias.
A poluição atmosférica em Cu­batão, na década de 70, causou a destruição da Floresta Atlântica da encosta da Serra do Mar, o que pro­vocou deslizamentos de terra que resultaram em tragédias. Atualmente, a floresta foi recu­perada e as indústrias instalaram fil­tros. Porém, é uma área problemáti­ca, com incidência muito grande de doenças pulmonares.

Campinas: Situada a 99 km de São Paulo, é um grande centro de indústrias de mecânica pesada, além de setores importantíssimos de indústrias de tecnologia avançada.
Jundiaí: Situada a 60 km de São Paulo, é um dos grandes centros de indústrias alimentícias.
Franca: Situada a 401 km de São Paulo, é o maior centro de indústrias de cal­çados do país.
Paulínia: Situada a 114 km de São Paulo, tem a maior refinaria brasileira per­tencente à Petrobras, a refinaria do Planalto.

Outros Centros

Além desses municípios, muitos outros podem ser citados, tais como Ribeirão Preto, Piracicaba (180 km de São Paulo), Araraquara (282 km de São Paulo), Sorocaba (87 km de São Paulo), São José do Rio Preto (451 km de São Paulo) e São José dos Campos (97 km).