Países com IDH muito baixo


Você com certeza já ouviu falar que alguns países são muito bons para se morar, enquanto outros não. Mas de onde surge essa classificação? Uma das formas de medir o desenvolvimento econômico e a qualidade de vida que uma nação oferece para a sua população é o IDH. Vamos saber mais sobre ele e também conhecer os países com IDH muito baixo e o que isso representa.

Periodo simples

O que é IDH?

Essa é a sigla para Índice de Desenvolvimento Humano, uma medida que foi instituída pela ONU (Organização das Nações Unidas) justamente com o objetivo de saber como se dá o crescimento econômico dos países ao redor do mundo e a qualidade de vida das pessoas que vivem lá. Por meio desse número, que pode variar de zero a um, é possível comparar diferentes nações e também acompanhar a evolução de um mesmo país ao longo do tempo.

O IDH é medido anualmente e o órgão responsável por realizar o cálculo é o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que elabora um documento chamado Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH).

O cálculo do IDH é baseado em três pilares, que são considerados os essenciais para um país: educação, saúde e renda. Cada um deles é medido da seguinte forma:

  • Educação: média de anos de estudo, no caso dos adultos, e anos esperados de escolaridade para as crianças;
  • Saúde: expectativa de vida que o indivíduo tem ao nascer;
  • Renda: avaliação do poder de compra e do PIB per capita. O PIB é o Produto Interno Bruto e diz respeito a soma dos valores de todos os produtos e serviços que são produzidos pelo país, dividida pelo número de habitantes.

Após fazer o cálculo, obtém-se o número que vai de zero (e significa nenhum desenvolvimento humano) até um (total desenvolvimento humano). Com os números de todos os países que foram avaliados, é estabelecido o ranking que funciona da seguinte forma:

  • Os 25% dos países com menor IDH (ou seja, supondo que a tabela com todos os números seja dividida em quatro partes, aqueles que ficarem na última parte), possuem desenvolvimento humano baixo. Normalmente, as nações mais pobres ocupam essa posição;
  • Os 25% dos países acima dos de menor IDH possuem desenvolvimento humano médio. É onde costumam ficar os países que estão em processo de desenvolvimento;
  • Os 25% dos países abaixo dos de melhor IDH são os que possuem desenvolvimento humano alto. A maior parte das nações que fica nessa faixa da tabela é emergente, ou seja, encontra-se em um processo de crescimento econômico que acontece rapidamente;
  • Os 25% dos países de melhor IDH são os que têm um desenvolvimento humano muito alto, ou seja, as nações mais ricas e bem desenvolvidas.

Países com IDH baixo

O último levantamento de IDH divulgado pela ONU é referente ao ano de 2014. Vejam abaixo quais são os países que ficaram com os números mais baixos:

Quênia – 0,548
Nepal – 0,548
Paquistão – 0,538
Mianmar – 0,536
Angola – 0,532
Suazilândia – 0,531
Tanzânia – 0,521
Nigéria – 0,514
Camarões – 0,512
Madagascar – 0,510
Zimbábue – 0,509
Mauritânia – 0,506
Ilhas Salomão – 0,506
Papua Nova Guiné – 0,505
Comores – 0,503
Iêmen – 0,498
Lesoto – 0,497
Togo – 0,484
Haiti – 0,483
Ruanda – 0,483
Uganda – 0,483
Benim – 0,480
Sudão – 0,479
Djibuti – 0,470
Sudão do Sul – 0,467
Senegal – 0,466
Afeganistão – 0,465
Costa do Marfim – 0,462
Malawi – 0,445
Etiópia – 0,442
Gâmbia – 0,441
República Democrática do Congo – 0,433
Libéria – 0,430
Guiné-Bissau – 0,420
Mali – 0,419
Moçambique – 0,416
Serra Leoa – 0,413
Guiné – 0,411
Burkina Faso – 0,402
Burundi – 0,400
Chade – 0,392
Eritreia – 0,391
República Centro-Africana – 0,350
Níger – 0,348

É interessante perceber que a maior parte dos países com baixo índice de Desenvolvimento Humano pertence ao continente africano. Por que a África é tão desfavorecida no que se refere ao crescimento econômico e à qualidade de vida?

Existem diversas perspectivas possíveis para compreender isso, uma delas, é a própria natureza, especialmente na África Subsaariana. Seca, inundações em alguns períodos do ano, pragas e terremotos comprometem a produção de alimentos, por exemplo. Além disso, as pessoas sofrem com epidemias de doenças como a AIDS.

Também existem fatores humanos, incluindo guerras civis, invasões e outros conflitos, que destroem plantações e cidades inteiras, além de impossibilitar a distribuição eficiente de alimentos.

A soma desses fatores faz com que, apesar de ser rico em recursos naturais, o continente tenha dificuldades para promover o desenvolvimento.

Não podemos nos esquecer do contexto histórico: considerando apenas a história recente, sabemos que na segunda metade do século XIX, a África foi vítima da exploração por parte das nações europeias. O período ficou conhecido como neocolonialismo: países como França, Reino Unido, Bélgica Holanda, e Alemanha precisavam de matérias-primas para fomentar a Revolução Industrial e acabaram impondo seu domínio sobre os países africanos.

O neocolonialismo não foi o responsável apenas pela exploração dos recursos naturais, mas também por iniciar uma série de conflitos de caráter étnico.