Principais Cultivos, Características Agrícolas e Áreas de Produção do Centro-Oeste e Nordeste


Principais cultivos e características agrícolas do Centro-Oeste

A ocupação dessa vasta região baseou-se na pecuária extensiva de corte, que abastecia os grandes mercados consumidores da região Sudeste. Todavia, a construção de Brasília, na década de 1960, resultou na abertura de várias rodovias e permitiu grande afluxo de população, que impulsionou a expansão das atividades econômicas. Consequentemente, a produção agropecuária se diversificou.

Principais Cultivos

No final da década de 1970 e começo da década de 1980, muitos agricultores do Sul e Sudeste dirigiram-se para o Centro-Oeste, atraídos pela disponibilidade de terras virgens e baratas. Surgiram as chamadas fronteiras agrícolas, e vas­tas áreas foram incorporadas à dinâmica da economia brasileira, divididas entre enormes latifúndios e algumas cooperativas de pequenos e médios produtores. Desde essa época, a produção tem sido cada vez mais produtiva e menos danosa ao meio ambiente, graças a técnicas como correção do solo com calcário; plantio direto, que não revolve o solo, evitando a erosão e a perda de nutrientes, além de facilitar a semeadura e a adubação por máquinas; melhoramento genético; manejo integrado com a pecuária, que garante a utilização do solo doze meses por ano.

Cumpre lembrar que esse salto de produtividade do cerrado foi financiado pela grande aceitação da soja no mercado externo. Por um lado, a produção intensiva de soja faz com que o cerrado produza hoje 40% dos grãos e da carne bovina do país; por outro, no entanto, a expansão desse cultivo ameaça de extinção esse ecossistema, o que seria uma perda irreparável.

Até 2015 está previsto um incremento de 225% da área ocupada pela soja. Essa expansão da fronteira agrí­cola deverá ocorrer no norte do estado de Mato Grosso, nas bordas das áreas florestadas da Amazônia. Por isso, tem sido intensa a atuação, no Congresso Nacional, da chamada bancada ruralista – deputados e senadores que representam os interesses dos grandes empresários rurais -, visando à elaboração de uma lei que permita o aumento do desflorestamento da Amazônia, que passaria dos atuais 20% para 40% da cobertura florestal original. Enfim, os principais produtos da região Centro-Oeste, atualmente, são os grãos. Destacam-se, além da soja, o milho, o arroz, o sorgo e o feijão. Nos últimos anos, tem crescido também o plantio de algodão, além da criação de aves e suínos. A pecuária extensiva ainda se mantém, graças à grande disponibilidade de terras.

A acirrada concorrência enfrentada pela agropecuária brasileira exige a constante redução dos custos de produ­ção. O corte desses custos não se dá apenas mediante o uso em larga escala de tecnologia rural. Envolve outros recursos, como a melhoria da infraestrutura de transpor­te. Segundo a Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária -, as estradas são ruins, e a região carece de ferrovias e hidrovias para transportar a carga até os portos a um custo menor. A maior parte da produção do cerrado ainda é transportada por rodovia até os portos do Sul e Sudeste, a mil quilômetros de distância, em média, o que praticamente dobra os custos. Hidrovias nos rios Madeira e Araguaia, e o término de ferrovias como a Ferronorte e a Ferroeste, além de rodovias para o chamado arco norte (faixa norte da Amazônia, que se estende de Roraima ao Amapá), fariam a produção escoar de modo muito mais barato para os mercados externo e interno.

A primeira medida nesse sentido foi tomada com a criação de um corredor de exportação que permite es­coar a soja produzida na região de Sapezal, localizada na chapada dos Parecis (MT), até o mercado externo. Por esse corredor de exportação, a soja segue por rodovia de Sapezal até Porto Velho, onde o produto é transferido para embarcações que navegam pelo rio Madeira até o porto de Itacoatiara, no estado do Amazonas. A partir desse porto, a soja é escoada em embarcações maiores, via rio Amazonas, até os mercados europeu e chinês.

Além de melhorar a infraestrutura de transporte, é necessária uma política governamental que reduza outros custos, como energia, operação portuária, impostos, juros para a aquisição de insumos etc. Uma política agropecuária pressupõe ainda o desenvolvimento maior de pesquisas e maior diversificação das culturas, já que 60% da área é ocupada por fazendas de soja. Finalmente, deve ocorrer um aumento do poder aquisitivo dos brasileiros, já que um mercado interno grande dinamiza toda a economia do país, gerando mais renda e empregos.

Principais cultivos e características agrícolas do Nordeste

Distinguem-se na região quatro grandes divisões, e em todas a agropecuária é a principal atividade econômica: Zona da Mata, agreste, sertão e meio-norte.

Agreste: Faixa de transição entre a Zona da Mata e o sertão.

Zona da Mata

Há séculos predominam aí as grandes propriedades monocultoras, que tiram proveito da grande fertilidade do solo de massapé. As principais áreas e os principais produtos cultivados são:
Recôncavo Baiano: tabaco;
sul da Bahia: cacau e frutas tropicais;
faixas litorâneas de Pernambuco e Alagoas: cana-de–açúcar.

Sertão

Corresponde a uma grande área de clima semiárido, recoberta originalmente pela caatinga. O relevo em geral é plano, interrompido sucessi­vamente por grande número de chapadas, com diversas proporções. Em algumas encostas das maiores chapadas, como a região do Cariri, no sul do Ceará, ocorrem os “brejos” (áreas mais úmidas, que abrigam pequenas propriedades de subsistência). Mas essas áreas são exceção, pois predominam as grandes propriedades, dedicadas ao cultivo extensivo de algodão e à pecuária de corte.

Esse cenário tradicional contrasta com o médio São Francisco, onde empresas rurais dotadas de moderno siste­ma de irrigação desenvolvem uma bem-sucedida fruticul­tura para exportação. Essa produção intensiva corresponde, grosso modo, à divisa dos estados de Pernambuco e Bahia, nas proximidades das cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), destacando-se a produção de uva, manga, mamão, melão e melancia.

Meio-norte

Situado entre o sertão e a Amazônia, corresponde ao estado do Maranhão e à maior parte do Piauí. As principais atividades agropecuárias são a criação extensiva de gado de corte, o cultivo do algodão e, principalmente, a rizicultura. Esse cultivo é praticado tanto por médias e grandes pro­priedades, dotadas de estrutura produtiva relativamente moderna, como pelas menores, que se dedicam ao cultivo de arroz como atividade de subsistência, ou seja, consomem parte da produção e vendem o excedente.