Principais Sistemas de Transportes, Circulação de Mercadorias e Comércio Internacional


No mundo globalizado, os setores de transporte e circulação de mercadorias são essenciais para a evolu­ção econômica dos países.

Transportes

Na escolha de um determinado meio de transporte, devem ser levados em consideração vários fatores como: o tipo de produto a ser transportado, seu volume, a dis­tância a ser percorrida, o tempo disponível e até se as condições são favoráveis para a implantação de seu sis­tema. No mundo competitivo atual, a escolha certa do meio de transporte é decisiva na redução de custos do produto.

Principais Sistemas de Transportes

Nos países subdesenvolvidos, o sistema de transpor­te, em geral, é periférico, isto é, liga as áreas de produ­ção aos portos exportadores, sem nenhuma preocupação com a interligação territorial e funcional, como ocorre no sistema de transportes nos países desenvolvidos, cuja implantação e evolução estiveram voltadas predominantemente para o desenvolvimento interno. O traçado das vias revela a preocupação em promover a integração ter­ritorial e a interligação funcional entre os diferentes meios de transporte. Essa particularidade possibilitou aos paí­ses desenvolvidos tornarem-se mais competitivos na cir­culação de mercadorias.

Principais sistemas de transporte

Transporte ferroviário

O sistema de transporte ferroviário, eficiente para transportar grandes volumes de cargas e passageiros em trajetos mais longos, é o mais econômico. Os materiais utilizados na construção das ferrovias geralmente têm maior durabilidade, reduzindo o custo de manutenção. Outro im­portante fator a ser considerado é a grande velocidade atin­gida pelos trens atuais nos países desenvolvidos.

Ao ser analisada a distribuição geográfica das vias fér­reas em nível mundial, são observados alguns aspectos importantes: a existência de um maior número de ferrovias nos países desenvolvidos, a finalidade e a distribuição de­las. Nos países subdesenvolvidos, em geral, as ferrovias li­gam as áreas produtoras aos portos de exportação, como pode ser observado no mapa reproduzido a seguir. Como fatores desfavoráveis à implantação das ferrovias, podem-se citar o alto custo de implantação (de­pendendo do relevo da região) e a pequena flexibilidade em relação à entrega de mercadorias.

Transporte rodoviário

O transporte rodoviário, hoje o grande concorrente do transporte ferroviário, apresenta custos mais eleva­dos, tanto no consumo de combustíveis, como na manu­tenção dos veículos e das rodovias. Por outro lado, apre­senta alto grau de flexibilidade, permitindo a entrega de mercadorias porta a porta. A partir da década de 1920, o Brasil priorizou o trans­porte rodoviário. Hoje, mesmo o transporte de cargas em longas distâncias é feito por rodovias, encarecendo o produto final. É o que ocorre, por exemplo, com o trans­porte de soja do estado de Mato Grosso até o porto de Paranaguá, no Paraná.

Transporte marítimo

Em virtude do alto custo das embarcações (navios), o transporte marítimo é controlado por grandes grupos econômicos. Com a construção dos navios de grande capacidade de carga (super petroleiros, graneleiros e porta contêineres), o aumento da velocidade dos navios e a melhoria dos equipamentos portuários, o transporte marí­timo vem se tornando cada vez mais intenso e eficiente.

Transporte fluvial e lacustre

Bastante heterogêneo, o transporte fluvial e lacustre é praticado em áreas de planície ou em áreas que permi­tam a construção de obras de engenharia que facili­tem o aproveitamento dessas vias. Exemplo: a eclusa de Promissão (SP). Os maiores destaques são: o complexo São Lourenço – Grandes Lagos e o Mississipi na América do Norte; os rios Reno, Danúbio, Sena, Ródano e Volga, na Euro­pa; os rios Yang-Tsé Kiang, Huang-Ho, Mekong, Gan-ges e Indo, na Ásia; o Rio Amazonas e o Rio da Prata, na América do Sul; o Nilo e o Congo, na África.

Transporte aéreo

A construção de novos aeroportos, o desenvolvimento e o aperfeiçoamento da aviação (mais segurança, maior capacidade e rapidez) fizeram do transporte aéreo um sério concorrente aos demais meios de transporte. Cada vez mais os aviões são utilizados para transporte de pas­sageiros, para o deslocamento de produtos leves, de mer­cadorias perecíveis e de medicamentos. Os Estados Uni­dos, a Europa Ocidental, a Rússia, o Canadá, o Japão, a Austrália e o Brasil apresentam os maiores índices de tráfego aéreo em nível mundial.

Transporte por tubos

Também denominados pipelines, que significa tubu­lação, canalização, são os oleodutos e gasodutos. Os pi­pelines apresentam inflexibilidade nos seus trajetos e na sua capacidade de transportar produtos. Quando se quer fazer esse transporte de produtos em grande escala, com uma certa regularidade, eles se tornam um transporte viável. Explica-se, assim, a viabilidade do gasoduto Brasil-Bolívia (Santa Cruz a Campinas).

Circulação de mercadorias e comércio internacional

Chama-se comércio a ocorrência de troca, compra e venda de bens e serviços. A partir da impossibilidade de cada país produzir todos os bens e serviços necessários ao seu desenvolvimento, surgiu o comércio internacional. As economias nacionais são hoje muito mais abertas para esse tipo de comércio, liderado pelos países desenvol­vidos. Se somadas, as populações de Estados Unidos, Eu­ropa Oriental e Japão representam menos de 15% da popu­lação mundial, no entanto o valor de suas importações e exportações chega a atingir 70% do total do comércio mun­dial. A participação dos países subdesenvolvidos, princi­palmente dos chamados “emergentes”, embora venha au­mentando, representa aproximadamente 30% do total.

A menor participação dos países subdesenvolvidos no co­mércio mundial pode ser explicada por uma série de fatores:
•         baixo poder aquisitivo, isto é, baixa capacidade de comprar bens e contratar serviços;
•         baixo nível de consumo da maioria dos habitantes;
•         exportação de produtos primários, de pouco va­lor no mercado mundial;
•         baixo nível de industrialização e baixa produti­vidade agropecuária.

Para facilitar a compreensão a respeito de como fun­ciona o comércio mundial, serão abordados na sequên­cia alguns importantes conceitos.

Balança  comercial

A relação entre os valores das exportações e das importações é chamada de balança comercial. Quando o país exporta mais do que importa, diz-se que há supera­vit, isto é, a balança comercial é favorável. O déficit, ou balança comercial desfavorável, ocorre quando o valor das importações é maior que o das exportações.

Cartel: Cartel é um acordo entre empresas do mesmo ramo de produção que visa ao estabelecimento de preços, con­dições de venda, cota de produção, etc. Nesse tipo de acordo as empresas associadas conservam a sua indivi­dualidade. Exemplo: Opep (Organização dos Países Ex­portadores de Petróleo).

Truste: A fusão de várias empresas com o objetivo de domi­nar o mercado recebe a denominação de truste. No Bra­sil, foi aprovada pelo Congresso uma lei antitruste vi­sando a evitar o monopólio.

Principais  organismos internacionais

Organização Mundial do Comércio (OMC)

Criada para substituir o GATT (Acordo Geral de Ta­rifas e Comércio) em janeiro de 1995, a OMC, com sede em Genebra, na Suíça, promove o livre comércio, facili­tando a aplicação das regras de comércio internacional e eliminando protecionismos. A Organização Mundial do Comércio defende o princípio de que o mercado interno deve ser protegido unicamente por meio de tarifas, cujo estabelecimento deve ser negociado entre os países en­volvidos e seus parceiros comerciais.

Além de coordenar acordos comerciais entre seus 148 países-membros, a OMC soluciona controvérsias em ma­téria de comércio internacional. Os países que se sentem prejudicados, recorrem a ela para solucionar a disputa e pedir sanções comerciais. Além do trabalho realizado pelo grupo de especia­listas que atuam em Genebra, os avanços nos acordos comerciais são discutidos a cada dois anos nas confe­rências interministeriais. O maior entrave atual para o avanço do comércio mundial é a morosidade com que os países desenvolvidos estão lidando com a redução dos subsídios agrícolas.

Fundo  Monetário  Internacional

Com sede em Washington, Estados Unidos, o FMI surgiu em 1945. O Fundo funciona como um banco e o capital é constituído de cotas subscritas pelos países-membros. O que determina o acesso às reservas financeiras e o poder de voto é a quantidade de cotas de cada país. Grandes manifestações acontecem anualmente con­tra o modelo de atuação do FMI, pois as exigências para concessão de empréstimos ou para a renovação de acordos limitam as decisões internas do país. Como o FMI segue o neoliberalismo, é acusado por muitos estudiosos de ser atualmente uma forma de imperia­lismo. O FMI, nos dias atuais funciona como um super­visor das dívidas externas, garantindo que as institui­ções financeiras recebam os valores correspondentes aos empréstimos concedidos aos setores públicos e privados dos países-membros.

Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird ou Banco Mundial)

Com sede em Washington, o Bird, originalmente cri­ado para reconstruir a Europa Oriental e o Japão do pós-guerra, em 1945, presta assistência técnica e financeira aos países-membros. A partir da crise econômica mundi­al da década de 1970, o Banco Mundial direciona suas ações para os países em desenvolvimento (desde que sejam filiados ao FMI), concedendo empréstimos, fazen­do pesquisas e relatórios para auxiliá-los. O Banco Mundial é bastante criticado por seguir o modelo estabelecido pelo Fundo Monetário Internacional.