Relevo, Clima e Floresta Amazônica do Brasil


O relevo brasileiro

No Brasil, os maciços antigos datam da era pré-cambriana e correspondem à 36% do território. Nos quais, 32% formaram-se no período Arqueozóico e os 4% restantes no período Proterozóico, locais onde se localizam as grandes jazidas de minerais metálicos do Brasil. As bacias sedimentares ocupam o restante, cerca de 64% do território e iniciaram sua formação na era Paleozoica, continuando até o presente momento. Estas áreas estão associadas à presença de minerais como o carvão mineral, o petróleo, calcário, xisto betuminoso etc. Os escudos ou maciços antigos estão profundamente desgastados pelos agentes erosivos, os movimentos orogenéticos praticamente deixaram de existir no território brasileiro, o que explica a relativa horizontalidade dos sedimentos existentes nas bacias sedimentares do Brasil. O vulcanismo se resume aos derrames ocorridos no Planalto Meridional, na era Mesozoica e mais recentemente no início da era Cenozóica, em áreas restritas como Fernando de Noronha, Ilha de Trindade e Abrolhos.

Floresta Amazônica do Brasil

São inúmeras as classificações do relevo brasileiro, todavia três delas são mais conhecidas e tiveram grande importância em momentos distintos. A terceira é a mais recente e inovadora classificação de Ross, que se baseia num extenso e detalhado levantamento por sensoriamento remoto, promovido pelo projeto Radambrasil, realizado entre 1970 a 1985 e utiliza como critério informações sobre o processo de erosão e sedimentação dominantes no período atual, associado a informações da base geológico-estrutural do terreno e seu nível altimétrico. O resultado é a divisão do território brasileiro em 28 unidades, sendo 11 planaltos, 11 depressões que ocupam a maior parte do território e 6 planícies que têm uma participação percentual mínima no território.

O clima brasileiro

O território brasileiro com seus 8,5 milhões de quilômetros quadrados estende-se de 5°16′ de latitude norte a 33°45′ de latitude sul, situando-se, portanto, em sua quase totalidade, na zona das baixas latitudes. A linha do Equador e o trópico de Capricórnio atravessam terras brasileiras, indicando que as marcas da tropicalidade aparecem com grande vigor. Além disso, considera-se ainda a ação das massas de ar, das correntes marítimas e as baixas altitudes do relevo.

O DOMÍNIO AMAZÔNICO

O domínio amazônico compreende uma extensa depressão, planícies inundáveis, tabuleiros com altitudes de até 200 m, terraços e morros de baixa altimetria e formas arredondadas. O relevo se assenta sobre uma bacia sedimentar constituída na era Paleozóica, portanto, antes da separação do Pangéia e da formação da Cordilheira dos Andes. Na era Cenozóica essa bacia sedimentar antiga foi recoberta por sedimentos recentes formando a atual estrutura geológica da área.

A maior bacia hidrográfica do mundo – a bacia Amazônica – ocupa uma área de aproximadamente 6,5 milhões de km2, drena terras de diversos países sul-americanos. (Venezuela, Peru, Colômbia, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa) além do Brasil onde se localiza sua maior porção, cerca de 3,9 milhões de km2, o que corresponde a 60% da área da bacia e em virtude de seus afluentes situarem-se nos hemisférios norte e sul, possui um duplo período de cheias.

Seu principal rio, o Amazonas (Apurimac, Ucayali, Maranon, Solimões), é o mais extenso com 7.100 km e de maior descarga fluvial do mundo (média = 176.000m3/s). Tem suas nascentes na cordilheira dos Andes a cerca de 5.500m de altitude, mas no Brasil é um típico rio de planície. A bacia amazônica, embora localizada predominantemente numa região equatorial, apresenta um regime de alimentação complexo (pluvial e nival), isso porque na região andina é comum a ocorrência de precipitações em forma de neve. Parte da bacia do rio Tocantins se localiza na área compreendida por este domínio. O Tocantins é um rio de planalto de bom potencial hidráulico, mas também apresenta trechos navegáveis. O clima típico desse domínio é o equatorial (veja gráfico termopluviométrico) que apresenta baixa amplitude térmica e temperaturas que oscilam entre 25°C e 27°C no decorrer do ano.

No inverno austral (junho a setembro) a influência da massa polar atlântica, embora rara, favorecido pelo “corredor” de terras baixas do interior do continente (depressão do Paraguai), canaliza o ar frio de procedência meridional e ocorre o fenômeno da friagem. Os solos em geral são arenosos, ácidos, pobres em nutrientes minerais e sujeitos à lixiviação e laterização. A própria floresta é responsável pela liberação de nutrientes formados pelas folhas e frutos que caem das árvores tornando os solos ricos em matéria orgânica garantindo a alimentação da vegetação nativa.

Floresta Amazônica – Alto rio Tapajós – Pará

A floresta latifoliada equatorial apresenta uma fabulosa biodiversidade, com três estratos:

Matas de Igapó localizadas nas áreas de inundação permanente, com solos e águas ácidas. A vegetação é perenifólia, isto é, não perde as folhas durante o ano, e é formada por ramificações baixas e densas, de até 20 m de altura, entremeadas de arbustos, lianas (cipós) e epífitas (bromélias e orquídeas). Aí se destaca entre outras a vitória-régia.

Matas de Várzea localizadas nas áreas de altitude ligeiramente mais elevada e inundações periódicas. Sua composição; florística varia de acordo com o período de inundação e apresenta espécies de maior porte, como a seringueira, mogno e o pau-mulato.

Matas de Terra Firme situadas nas áreas mais elevadas, não são atingidas pelas inundações. Aí se encontram as j árvores de grande porte, com 55 a 60m de altura. A floresta é compacta, perenifólia, heterogênea e higrófila; o 1 dossel (copas das árvores) é contínuo e o ambiente é úmido e escuro. Nesse estrato pode ser encontrada castanheira, caucho, a sapucaia, o cedro, a maçaranduba entre outras.

Esse domínio vem sendo vítima de grande agressão antrópica e já são notórios sérios problemas ambientais, como a destruição da biodiversidade pelos desmatamentos e queimadas, a destruição dos solos, as alterações no ciclo hidrológico, a difusão de pragas e parasitas. Para se ter uma noção dessas alterações observe a ilustração (infográfico) a seguir, extraído da Revista Veja, edição 1937 de 28 de dezembro de 2005.