Relevo Terrestre e Agentes Internos do Relevo


Unidades de relevo

O relevo terrestre constitui a variedade de formas observadas na superfície. Essas formas  podem ser agrupadas em três grandes unidades: escudos cristalinos, bacias sedimentares e dobramentos modernos.
•         Escudos cristalinos – são grandes massas rochosas, antigas e cristalinas, como o Escudo Brasileiro e o Escudo das Guianas.
•         Bacias sedimentares – são depressões preenchidas por detritos oriundos de regiões circunvizinhas. São exem­plos de bacias sedimentares as bacias Amazônica, Paranáica e do Pantanal.
•         Dobramentos modernos – são os grandes alinhamentos montanhosos que se formaram na Era Terciária, como os Alpes, os Andes, as Rochosas e o Himalaia. No Brasil não ocorreram dobramentos terciários.

Relevo Terrestre

Formas  topográficas

Nessas grandes unidades de relevo, encontram-se várias formas topográficas. As principais são: planaltos, planícies, depressões e montanhas.
Planaltos – são formas de relevo que resultam do trabalho de erosão, variando em suas altitu­des. O Planalto do Pamir, na Ásia, é conhecido como “teto do mundo”.

Pico do Himalaia

Planícies – são formações resultantes da sedimen­tação (deposição de detritos), e podem ser de ori­gem marinha, corno as planícies costeiras; aluviais, como a Planície Amazônica, ou de Piemonte, forma­das pelos detritos das cadeias, montanhosas. Depressões – são formas negativas do relevo ter­restre. Podem ser absolutas, quando abaixo do ní­vel dos oceanos (Mar Morto), ou relativas, quando abaixo do relevo mais próximo (Vale do Paraíba do Sul, entre as serras do Mar e da Mantiqueira). Montanhas – são as maiores elevações do relevo terrestre. Conforme sua formação geológica, podem ser velhas (serra do mar) ou novas (Andes). Quan­do as montanhas são muito velhas, o trabalho de erosão muito intenso dá origem a verdadeiros pla­naltos ondulados, onde aparecem os morros-ilhas, também denominados inselbergs ou monadnocks.

Agentes  do   relevo

As formas do relevo terrestre são o resultado da ação de uma série de fenómenos denominados agentes do re­levo. Os agentes internos (ou endógenos) são considera­dos criadores do relevo. Atuam do interior em direção à superfície e podem ocorrer de forma lenta e prolongada ou com violência e rapidez. Os agentes externos (ou exógenos) são considera­dos modificadores do relevo. Atuam na superfície da Ter­ra, de forma contínua e permanente.

Agentes internos

Embora se estudem os agentes de maneira isolada, para facilitar o entendimento, não se pode esquecer que eles estão relacionados e são manifestações da dinâmica interna. Os agentes internos do relevo são o tectonismo, o vulcanismo e os abalos sísmicos.

Tectonismo

Os movimentos tectônicos, também conhecidos por diastrofísmos (distorções), ocorrem no interior da crosta terrestre, causados pela ação do magma, e atuam de for­ma lenta e prolongada na superfície. Podem exercer pres­sões no sentido vertical (epirogênese) ou no horizontal (orogênese). As pressões verticais ocasionam elevações ou abai­xamentos de grandes extensões da superfície. Estocol­mo, na Suécia, por exemplo, eleva-se 19 cm a cada 50 anos, enquanto a região dos diques da Holanda sofre um abaixamento de 30 cm a cada 100 anos.

Quando exercida em rochas resistentes e de pouca elasticidade, a epirogênese provoca as fraturas. Denomi­na-se diáclase ou junta a fratura do terreno que ocorre sem causar desnível. Quando a fratura provoca desnível do terreno, diz-se que ocorreu paráclase ou falha. As pressões horizontais (orogênese) em rochas flexí­veis ou plásticas originam os dobramentos. Nas dobras existem as partes elevadas (anticlinais), salientes e con­vexas, e as partes mais baixas (sinclinais), reentrantes e côncavas. Assim se formaram os Alpes, os Andes, o Hi­malaia e outras cadeias montanhosas.

Vuloanismo

Vulcanismo é a expulsão de materiais magmáticos do interior da Terra para a superfície. Os materiais podem estar em estado sólido (blocos ou bombas), em estado de fusão (lavas) ou em forma de gases. Em um vulcão é possível identificar os seguintes ele­mentos estruturais:
cratera – abertura formada pelas explosões du­rante a fase inicial da atividade vulcânica;
chaminé – conduto, abertura ou fenda, através da qual os materiais magmáticos são expulsos para a superfície;
cone vulcânico – montanha formada pelo material oriundo do interior da Terra;
câmara (também denominada caldeira magmática) – são bolsões profundos ocupados pelo magma em ebulição, onde ocorre o aumento de pressão, dando origem às erupções vulcânicas.

A distribuição geográfica dos vulcões apresenta duas áreas principais:
•         Círculo de Fogo do Pacífico – abrange os Andes, as Rochosas, as Filipinas q o Japão;
•         Círculo de Fogo do Atlântico e do Mediterrâneo – abrange a América Central, as Antilhas, a Península Itálica e o Cáucaso.

Abalos sísmicos

Abalos sísmicos são movimentos naturais da crosta terrestre, que se propagam por meio de vibrações. Quan­do ocorrem nos continentes, denominam-se terremotos; quando ocorrem nas bacias oceânicas, maremotos. To­dos os abalos apresentam um hipocentro (local onde se originam as ondas sísmicas) e um epicentro (local acima do hipocentro, onde se manifestam).
Os abalos sísmicos estão ligados a três causas prin­cipais:
•         tectonismo – provoca abalos mais abrangentes e catastróficos;
•         vulcanismo – provoca abalos mais brandos e de caráter local;
•         desmoronamentos internos – também provocam abalos de pequena intensidade e de caráter local.

O aparelho que mede a magnitude dos abalos sísmi­cos é o sismógrafo e a escala mais utilizada é a de Richter, que mede a quantidade de energia liberada.

Intemperismo  físico  ou  desintegração mecânica

Intemperismo físico é o processo de desintegração das rochas causado pelas grandes oscilações de tempe­ratura entre o dia e a noite, ou durante o ano. Conforme as amplitudes térmicas, as rochas dilatam-se e contraem-se, desagregando-se gradualmente em partículas meno­res. Nos climas desérticos, o processo é mais intenso. As rochas sofrem alterações de tamanho e forma, sem, con­tudo, alterarem sua estrutura química.

Intemperismo   químico
A água, em contato com as rochas, pode causar dis­solução, hidrólise, oxidação, etc. – reações químicas cuja intensidade é maior em climas quentes e úmidos -, desin­tegrando as rochas. O intemperismo químico não muda só o formato, mas também a composição química do rele­vo decomposto.

Ação das águas

Erosão  fluvial

Os rios são os principais agentes erosivos em função do movimento de turbilhonamento de suas águas, que causa o desgaste mecânico do terreno por onde corre o leito. Os sedimentos retirados são depositados nas mar­gens, formando as planícies aluviais. Os vales formados por rios têm formato de V. Como exemplo, pode-se citar o Grand Canyon, escavado pelo Rio Colorado, no Arizona.