Telescópio: Tipos e modelos


Observar o céu e imaginar quais são os mistérios compreendidos entre as estrelas é uma prática que acompanha o homem há alguns milênios. Não à toa, os primeiros registros sobre anotações de cunho astronômico datam do século II, quando o filósofo grego Ptolomeu trouxe à tona sua carta de estudos na sua famosa obra “Almagesto”. Com o passar do tempo, entretanto, aquilo que era somente uma atividade desenvolvida com poucos recursos e baseada muito mais em deduções e cálculos do que em uma pesquisa empírica, passou a contar com o desenvolvimento tecnológico como ferramenta imprescindível. Eis que surgem aqueles que seriam os protótipos dos telescópios, em sua maioria ainda bastante improvisados, combinando tubos e lentes de aumento no intuito de aproximar o olhar dos seres humanos dos planetas e estrelas que habitam o plano celeste.

Telescópio

A palavra telescópio, por sinal, vem do grego, em que “tele” quer literalmente dizer “longe” e “scopio” significa “observação”. Um telescópio é, como diz o próprio nome, um objeto que permite ao seu usuário observar as coisas de longe. O uso dos telescópios em geral atende à necessidade de observar os astros celestes, mas não raro muitas pessoas também os utilizam para observar elementos que estão inscritos aqui mesmo no planeta Terra.

História

O holandês Hans Lippershey é reconhecido como o criador ou fabricante daquele que pode ser considerado o primeiro telescópio da história. Em 1608, ele construiu um instrumento que se assemelhava a um tubo em que se encontravam acopladas algumas lentes. Lippershey era, por sua vez, um fabricante de lentes, e por conta disso ele detinha um certo conhecimento acerca do funcionamento dos efeitos físicos propiciados pela refração e pelo reflexo da luz. O curioso é que, ao inventar esse instrumento, o inventor não pretendia utilizá-lo para observar os astros celestes, mas o fez com intuito bélico, isto é, de que ele fosse usado como uma espécie de arma de guerra.

Foi o astrônomo italiano Galileu Galilei quem, por volta de 1609, ao travar contato com a notícia dessa invenção, resolveu sofisticá-la e reaproveitá-la com um novo intuito que lhe era não só mais particular como mais científico. Galilei logo tratou de apresentar novas versões do objeto que foram desenhadas e construídas por ele mesmo. O astrônomo experimentou algumas possibilidades de encadeamento das lentes, bem como o uso de lentes de vidro polido e, tão logo pode, resolveu utilizar o objeto para investigar suas teses astronômicas.

Com o novo objeto nas mãos, Galileu pode descobrir diversos fenômenos celestes como a existência de crateras na Lua, além de compreender melhor como funcionava o seu relevo. Pode também observar e registrar quais eram as fases do planeta Vênus, quais eram os diversos satélites do planeta Júpiter.

Não correria muito tempo até que o outro astrônomo, dessa vez Johannes Kepler, fosse descrever em suas duas obras denominadas “Astronomiae pars optica” e “Dioptrice” o fenômeno da óptica das lentes. O próprio Kepler seria também responsável por produzir um novo modelo de telescópio, utilizando dessa vez duas lentes convexas para aumentar o alcance da observação. Tal princípio de fabricação, por conta do seu autor, receberia a alcunha de “telescópio de Kepler”.

Tipos de telescópio:

1) Telescópios refratores

Os telescópios refratores são constituídos por um tubo longo com duas lentes: uma objetiva em uma das extremidades, responsável por captar a luz, e uma lente ocular na outra ponta, que é por onde o observador pode ver a imagem projetada. Eles têm uma desvantagem relativa por conta da dos diferentes comprimentos de onda de luz que são vítimas da refração causada pelas lentes. Esse problema incorre em um fenômeno chamado de “aberração cromática”, causando uma certa perda de nitidez. Para corrigir esse problema, em alguns deles a parte da objetiva é constituída por duas lentes – a esses modelos, dá-se o nome de telescópio refrator acromático.

2) Telescópio refletor

Já os telescópios refletores, por sua vez, são constituídos por uma lente objetiva que, diferente dos refratores, possui um “espelho primário” localizado no fundo do tubo. Esse espelho é responsável por receber e refletir a luz vinda de fora para um outro espelho – denominado de “espelho secundário”, inclinado por sua vez a uma gradação de 45º em relação ao eixo óptico. Por se utilizar de espelhos, o telescópio refletor não incorre em uma aberração cromática, o que lhe confere uma vantagem frente ao modelo citado anteriormente.

3) Telescópio catadióptrico

Já o telescópio catadióptrico é composto por uma lente posicionada na extremidade do telescópio, por meio da qual a luz passa, alcançando um espelho primeiro que está localizado no fundo do tubo. Esse, por sua vez, é responsável por refletir a luz para o espelho secundário. É comum compreender os telescópios catadióptricos como uma variação que combina tanto as características do refrator quanto do refletor.