Terceiro Mundo


Durante o advento da Guerra Fria, que ocorreu entre 1945, quando do final da Segunda Grande Guerra, até 1990, com o desmantelamento dos regimes socialistas no Leste Europeu, criou-se uma teoria com a finalidade de classificar países de acordo com características em comum.

Terceiro Mundo

É verdade que essa divisão foi motivada pela Guerra Fria, um período da história da humanidade em que as nações se dividiram em dois blocos: capitalista e comunista, dois regimes econômicos opostos, o primeiro baseado em ideais provenientes do pensamento liberal, o segundo fundamentado no determinismo econômico e na ditadura do proletariado de Karl Marx.

Enquanto de um lado prevalecia o poder dos grandes empresários, do outro se impunha a classe burocrática estatal, mas o que importa tanto não são as diferentes características, mas a corrida armamentista que se sucedeu após o fim da Segunda Guerra.

De um lado, a antiga União Soviética se expandia politicamente na Europa Oriental e tentava internacionalizar seu modelo político e econômico, que encontrava ressonância em países menores, como foi em Cuba, em 1959. O bloco ocidental, formado pelas nações liberais capitalistas, temia a expansão soviética, com consequente perda de mercados, tanto consumidores, para seus produtos industrializados, como fornecedores de matéria prima barata, caso de países da América Latina, Ásia, América do Sul e Caribe.

A revolução cubana é um marco da Guerra Fria, pois desafiou de forma frontal o poderio político, econômico e militar norte-americano.

Primeiro, Segundo e Terceiro Mundo

Esses dois grandes blocos políticos, econômicos e militares acabaram sendo chamados, segundo a divisão dos mundos proposta, em Primeiro Mundo e Segundo Mundo, sendo o primeiro constituído pelos países desenvolvidos, com economia pautada por valores como livre iniciativa e competição, mas também ostentando altos índices de desenvolvimento humano, fomentados por poderosas políticas sociais.

Os países do Segundo Mundo eram aqueles que constituíam o bloco socialista, com forte ênfase na economia planificada e controle absoluto do Estado sobre os meios de produção. Acreditava-se que a corrida armamentista e a disputa dos dois blocos por expansão fosse redundar na Terceira Guerra Mundial, que seria marcada pelo uso de artefatos nucleares.

O Terceiro Mundo era constituído pelos chamados países pobres. Enquanto os outros dois blocos tinham na atividade industrial a sua principal premissa econômica, os países pobres, em maior ou menos grau, eram dependentes de uma economia voltada para a agricultura, pecuária e extrativista. Distribuídos principalmente pela Ásia, África, América do Sul e Caribe, esses países eram marcados por alternâncias de regimes, não raro autoritários, e forte influência política externa, principalmente dos países do bloco capitalista, basicamente Estados Unidos e Europa Ocidental.

Prova do controle que os Estados Unidos exerciam sobre a América Latina foi a derrubada de governos eleitos democraticamente nas décadas de 60 e 70, que redundaram em longo período de regimes autoritários. Uma das características desses regimes era a abertura aos produtos, propaganda e disseminação da cultura norte-americana.

Os países do Terceiro Mundo na velha e na nova ordem

Um traço marcante do Terceiro Mundo é a dificuldade de alguns países em construir uma identidade própria. No continente americano, o fato de terem sido colônias até o final do século XIX ou início do século XX atrasou a organização política e econômica dos Estados locais.

Na África e Ásia, as guerras locais e a colonização pelas nações do Hemisfério Norte durante aproximadamente dois séculos, teve o mesmo efeito. A prevalência nesses países é de população pobre, com baixo índice de desenvolvimento humano.

Países com maior identidade cultural e consciência nacional, caso de Coréia do Sul, China e Índia, chegaram ao século XXI rompendo com o paradigma de terceiro mundo. Foram países que investiram fortemente no crescimento do seu parque industrial e setor de serviço, conquistando poderio econômico e militar, de modo que a visão de Terceiro Mundo acabou ficando ultrapassada, sobretudo porque em alguns desses países, apesar do crescimento econômico espantoso, as condições de trabalho e os índices de desenvolvimento humano são decepcionantes.

Hoje, os outrora países do terceiro mundo são considerados subdesenvolvidos ou em desenvolvimento (emergentes). Os antigos países do Primeiro Mundo são considerados desenvolvidos. Assim é dividido, para fins de estudos e análise, o mundo atual.

Grande parte dos países subdesenvolvidos estão concentrados na África, um continente arrasado pelas guerras locais, sudoeste da ásia, Caribe e América do Sul.

Mesmo a atual divisão tem deficiências insuperáveis. O século XXI apresenta situações muito mais dinâmicas. O Brasil é um exemplo de país em que os três mundos parecem conviver desarmoniosamente. Esses três mundos convivem nas grandes capitais do país, onde serviços de primeiro mundo e um sofisticado parque industrial estão a poucos quilômetros de populações que vivem em condições miseráveis.

Talvez haja um dia em que a divisão do mundo, para fins de estudo e análise, derrube o paradigma das fronteiras territoriais e se fixe no indivíduo e em grupos. Nesse dia, é muito provável que as análises sejam feitas com base com base em progressão histórica. Sob esse prisma, as populações serão analisadas com base na apropriação das conquistas políticas, materiais, tecnológicas, econômicas e sociais da humanidade. Nesse dia, provavelmente será possível perceber que algumas populações vivem despojadas de conquistas mesmo do século XX, como a disseminação da luz elétrica, enquanto outras, no mesmo país, desfrutam de todas as conquistas do século XXI.