Transportes Ferroviário, Fluvial e Aéreo: Histórico, Características e Problemas


Transporte Ferroviário

O transporte ferroviário pode ser dividido em quatro períodos: 1o Período: 1854 a 1940; 2o Período: 1940 a 1960; 3o Período: 1960 a 1996; 4o Período: 1996 até hoje.

1o Período – 1854-1940

Transportes Ferroviário, Fluvial e Aéreo

Desde o início, o transporte fer­roviário foi implantado de maneira errada. A primeira ferrovia foi inau­gurada em 1854, com cerca de 15 km de extensão e com a finalidade de transportar o Imperador e sua comiti­va para Petrópolis. Foram construídas por várias em­presas estrangeiras que impunham suas próprias condições tecnológicas, sem a utilização de bitola única e tra­çados mais abrangentes e que inte­grassem as várias regiões brasileiras. Geralmente eram construídas com a finalidade de transportar um produto” de determinada área ao porto para ex­portação, sem que houvesse possibili­dades de cargas de retorno.

O país vivia o chamado “ciclo do café”, que muito favoreceu a expan­são ferroviária, especialmente no estado de São Paulo.
Esse período passou a ser deno­minado de era das ferrovias, mar­cada pela forte ampliação da rede e intensa utilização para o transporte de carga e passageiros.

2o Período-1940-1960

Nesse período, as taxas de ex­pansão ferroviária progrediram em ritmo mais lento, até a década de 1960. No governo JK, a ênfase é dada para a construção de rodovias. Pou­cos quilômetros de ferrovias foram construídos, não se modernizou a malha existente e até mesmo a con­servação deixou de ser realizada, iniciando, dessa maneira, a deca­dência das ferrovias. As ferrovias federais foram inte­gradas numa grande estatal denomi­nada Rede Ferroviária Federal S.A., que na prática emperrou mais ainda o transporte ferroviário.

3o Período-1960-1996

É o período da decadência total das ferrovias brasi­leiras. O grande impulso dado à indústria automobilística também contribuiu para que se desviassem os investi­mentos das ferrovias para as rodovias. Muitas ferrovias e seus ramais foram erradicados e a rede reduziu-se em extensão.
Passou a ser comum ver em estações ferroviárias, vagões e locomotivas parados por falta de manutenção. Também ocorreram muitos acidentes por falta de manu­tenção das ferrovias. O transporte de passageiros nas áreas suburbanas se tornou caótico, com passageiros pendurados pelo lado de fora (pingentes) das composições. Também pas­sou a ser comum a depredação de vagões pela popula­ção desesperada com frequentes atrasos.

Período de 1996 Ate Hoje

Devido ao sucateamento de todo o sistema ferroviá­rio brasileiro e à falta de recursos, o governo federal já privatizou toda a malha da Rede Ferroviária Federal, no sistema de concessão temporária.

Com a privatização, pretende-se reformular total­mente o transporte ferroviário, com a recuperação das ferrovias e equipamentos, modernização e conclusão de alguns ramais importantes, tais como:
•   a Ferrovia do Aço, com ramais integrando Juiz de Fora (MG), Volta Redonda (RJ) e São Paulo (SP);
•   Ferrovia Oeste-Leste para ligar Cuiabá (MT) à Santa Fé do Sul (SP) e à Uberlândia/Uberaba (MG), com o objetivo básico de escoar a produção de grãos da Região Centro-Oeste;
•   Ferrovia Norte-Sul, ligando Açailândia (MA) a Anápo­lis (GO), integrando a E.F. Carajás;
•   Ferroeste que, depois de totalmente concluída, com seus ramais ligará Guaíra (PR) – Cascavel (PR) a Gua­rapuava (PR), e Foz do Iguaçu (PR) a Cascavel (PR).

Ainda perduram os problemas de:
•   multiplicidade de bitolas;
•   ramais antieconômicos por traçados sinuosos, tornan­do os percursos longos e demorados;
•   falta de integração entre as ferrovias;
•   ramais obsoletos que não permitem composições maio­res e mais rápidas;

Transporte Aquático

Locomotivas estacionadas na estação de Morretes (PR), pertencentes à de rios, o transporte aquático pode ser muito utilizado. A ALL Logística, consórcio que é concessionária das ferrovias que cortam tanto para transporte regional, inter-regional e internacional.

Transporte Fluvial

É utilizado principalmente no Rio Amazonas e alguns de seus afluentes. No Rio Paraguai, é utilizado para o transporte de gado, minérios do Maci­ço de Urucum e passageiros das regiões ribeirinhas. Destaca-se ainda a navegação em pequena escala nos rios São Francis­co, Tocantins, Araguaia, Paraná, Uruguai e Jacuí.

Hidrovia Tietê-Paraná

Com a utilização do sistema de eclusas na Hidrelétrica de Três Irmãos no Rio Tietê, houve ampliação em mais dois mil quilômetros dessa hidrovia.
Estão interligados para navegação o Rio Tietê e o Rio Paraná, integran­do os estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Pa­raná.
Interligada a rodovias e ferrovias, a Hidrovia Tietê-Paraná é o eixo central de um amplo sistema de transportes que beneficia produtores, importadores, exportadores e trabalhadores. Ela amplia as fronteiras econômicas do Brasil, aproximando-o dos parceiros do Mercosul. Com essa hidrovia, é possível transportar, por meio de barcaças, os pro­dutos de São Paulo até Itaipu, assim como produtos agropecuários do Centro-Oeste.

A primeira hidrovia artificial do Brasil foi construída no Rio Jacuí – Lagoa dos Patos, que por meio de eclusas, permite navegação do interior do estado aos portos de Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande.

Os principais portos brasileiros são:
Manaus (AM) – importador e ex­portador;
Belém (PA) – importador e ex­portador;
Barcarena (PA) – exportador de alumínio;
Itaqui e Ponta da Madeira situa­dos na Ilha de São Luís (MA) – ex­portadores de minérios da Serra dos Carajás (PA);
Luís Correia (PI) – importador e exportador;
Macau (RN) – embarque de sal;
Recife (PE) – importador e ex­portador de açúcar;
Salvador (BA) – importador e ex­portador;
Malhados (Ilhéus – BA) – expor­tador de cacau;
São Sebastião (SP) – desembar­que de petróleo;
Santos (SP) – importador e ex­portador de manufaturados e café;
Paranaguá (PR) – exportador de grãos e manufaturados;
Itajaí (SC) – exportador de ma­nufaturados;

Transporte Lacustre

Em maior intensidade se verifica na Lagoa dos Pa­tos, permitindo o acesso ao porto de Porto Alegre (RS) e Pelotas (RS).

Problemas do Transporte Aquático
Algumas dificuldades cercam o transporte aquático no Brasil, tais como:
•   costa rasa, retilínea e aberta;
•   rios de planície afastados das áreas industrializadas;
•   portos mal-equipados;
•   embarcações em número reduzido e ultrapassadas;
•   entidades corporativistas que impedem a moderniza­ção dos portos sob o temor do desemprego e perda de regalias;
•   pressão de grandes grupos económicos ligados ao setor do transporte rodoviário.

Transporte Aéreo

É utilizado principalmente como transporte internacio­nal de passageiros e, internamente, como transporte de executivos. Pelo seu elevado custo, não é utilizado pela maior parte da população. Os principais aeroportos são:
•   Antônio Carlos Jobim (RJ), situado na Ilha do Governa­dor;
•   Cumbica, situado no município de Guarulhos (SP), na Região Metropolitana de São Paulo (SP);
•   Congonhas, situado no município de São Paulo (SP);
•   Viracopos, situado no município de Campinas (SP);
•   Brasília (DF);
•   Eduardo Gomes, situado em Manaus (AM);
•   Vai de Cans, situado em Belém (PA);
•   Guararapes, situado em Recife (PE);
•   Deputado Luís Eduardo Magalhães, situado em Salva­dor (BA);
•   Pampulha, situado em Belo Horizonte (MG);
•   Afonso Pena, situado no município de São José dos Pi­nhais (PR), na Região Metropolitana de Curitiba (PR);
•   Salgado Filho (RS), situado no município de Porto Ale­gre (RS).

É o nome que se dá aos custos desnecessários agregados à produção, que encarecem e dificultam a concorrência com similares de outros países.
•   Correspondem ao custo Brasil:
•   custos portuários altíssimos;
•   rodovias malconservadas que colaboram com a mo­rosidade e encarecem os transportes pela necessi­dade de manutenção mais frequente de caminhões;
• en­carecendo a mão-de-obra e achatando os salários;